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Estado de Minas

Impacto maior para quem ganha menos


postado em 19/11/2019 04:00


O professor de engenharia de transportes Guilherme Leiva, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-MG), acredita que a queda no número de usuários já seja consequência dos seguidos reajustes: “A relação é direta. Se há um aumento na passagem, há um impacto na parcela de usuários que têm restrições orçamentárias”, disse. Ele explica que o aumento prejudica, principalmente, quem recebe até três salários-mínimos – justamente a grande parte dos passageiros do metrô. “É um custo muito levado. E vale lembrar que o metrô atende a região periférica”, acrescentou.

O consultor em transporte e trânsito Paulo Rogério Monteiro concorda. “Uma das justificativas para a redução da demanda é o aumento da tarifa. O metrô tem uma abrangência geografia limitada. É como se fosse uma linha de ônibus. Então, se deixa de ser tão mais barato, tem menos vantagem quando comparado a outros meios”, disse o especialista. Por outro lado, na opinião dele, o reajuste reflete a crise econômica do país: “O metrô é o meio de transporte mais caro – desde investimento e operação até manutenção. O valor é muito superior ao ônibus. Por muito tempo o serviço foi subsidiado. Mas, quando não há mais como subsidiar, quem paga é quem usa. Infelizmente, reflete a situação econômica e o sistema de transporte do Brasil hoje.”

O professor Guilherme Leiva avalia que a principal alternativa passa a ser o ônibus. “Alguns vão usar 100% do coletivo, enquanto outros vão caminhar mais ou usar bicicletas para deslocamentos. O ônibus tem capacidade de atender a esses passageiros sem reduzir a qualidade do serviço. Mas, infelizmente, ainda temos um grupo que não terá nenhuma dessas opções. São pessoas que terão mobilidade reduzida em função do impacto”, avalia.

Ele explica que já houve uma queda muito grande no número de usuários do ônibus e que isso pode se repetir no metrô. “Desde 2015, houve uma queda significativa no sistema ônibus. Foi algo de 20%, fato nunca visto. Isso em função da crise econômica e outros fatores. Até hoje, tentam compensar a queda tomando medidas como a retirada dos cobradores. Isso pode acontecer com o metrô, caso a balança não feche. Pode sofrer algo parecido e precisará fazer novos ajustes”, advertiu.

ECONOMIA 

A CBTU-BH informou por meio de nota que não dispõe de pesquisa recente que permita confirmar relação entre o aumento da passagem e a queda no número de passageiros do sistema. “A companhia entende que a queda pontual no número de passageiros pode estar ancorada em vários fatores, incluindo questões macroeconômicas, tais como o arrefecimento da economia, que impacta diretamente na queda dos empregos formais, o aumento do índice de desemprego e a redução do poder de compra do consumidor; as variações atípicas decorrentes do número de feriados em dias úteis; as mudanças nos hábitos de viagem por decisão do consumidor, entre outros aspectos”, informou em nota.

A CBTU-BH acrescentou que a recomposição tarifária foi determinada pela Justiça e que, como estatal, não apresenta lucro. Anualmente, a Companhia recebe subvenções para parte de suas despesas de custeio, que somaram no último ano R$ 900 milhões, considerando a operação de todas as unidades espalhadas pelo país. “A busca pelo reequilíbrio financeiro das tarifas em Belo Horizonte visa, exclusivamente, a reduzir a discrepância provocada pela defasagem de anos sem reajuste. Cumpre informar ainda que a operação de metrôs e ferrovias na maior parte do mundo é subsidiada pelo poder estatal e, no Brasil, não é diferente”, completou.


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