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Estado de Minas INVESTIGAÇÃO

Polícia ouve mais 15 sobre denúncia de abuso sexual em escola. Suspeito será o último

No total, 33 pessoas, entre pais, crianças e funcionários do Colégio Magnum, já foram ouvidas no caso. Defesa tem acesso ao inquérito e alega inocência do acusado. Depoimento dele ainda não foi marcado


postado em 10/10/2019 06:00 / atualizado em 10/10/2019 08:40

Pais e alunos na porta da escola onde crianças teriam sido vítimas de abusos: suspeito só vai depor depois de todas as testemunhas serem ouvidas(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Pais e alunos na porta da escola onde crianças teriam sido vítimas de abusos: suspeito só vai depor depois de todas as testemunhas serem ouvidas (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


A defesa do Hudson Nunes de Freitas, de 22 anos, suspeito de abusar de pelo menos duas crianças que estudam no Colégio Magnum – Cidade Nova, teve acesso ontem ao inquérito da Polícia Civil sobre o caso. A corporação já ouviu 33 pessoas ligadas ao caso, 15 delas durante o expediente de ontem, na 2ª Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) de Belo Horizonte. Estão entre as testemunhas alunos, pais e funcionários da escola. Diligências também foram realizadas fora da unidade policial. O depoimento do acusado, segundo a polícia, só acontecerá depois que todas as testemunhas forem ouvidas, portanto ainda não há data definida.

A apuração da polícia começou na sexta-feira e as equipes seguem nas ruas em busca de mais informações. Também vêm sendo realizadas escutas qualificadas das crianças. A instituição explica que, nessa abordagem, os menores são ouvidos por equipes multidisciplinares para evitar traumas ou revitimização (quando a criança ou o adolescente, vítimas de abuso sexual, são obrigados a reviver a violência, em função do próprio sistema judiciário e da persecução penal). “Insta ressaltar que, como se tratam de depoimentos de crianças, os trabalhos demandam mais tempo, podendo durar horas”, informou a Polícia Civil por meio de nota divulgada à imprensa ontem.

A defesa do jovem Hudson de Freitas continua negando as acusações que pairam sobre o rapaz. Em conversa com o reportagem, o advogado Marciano Soares Andrade, que defende o suspeito, disse que não havia estudado o inquérito até o fechamento desta edição por conta de outros compromissos profissionais. Contudo, ressaltou que trabalha para provar a inocência do cliente. “Alegação é muito fácil. Você chegar e falar uma coisa é muito simples. Quanto à competência da Polícia Civil para investigar, estou muito seguro. O desenrolar das investigações vai nos dizer a verdade”, disse o profissional do direito.

Em entrevista dada ao Estado de Minas anteontem, o ex-estagiário de educação física do Colégio Magnum voltou a desmentir as acusações dos pais e das crianças. “Estou passando por este momento difícil e delicado. Sendo acusado de uma coisa que não fiz. E quando isso acontece com pessoas como eu, de classe social baixa, por questão de cor e raça, gera comoção por parte da sociedade. Estou aqui para dizer que não tenho culpa nenhuma. Estou pronto para qualquer tipo de declaração sobre as investigações. Quero só que essa turbulência passe na minha vida”, garantiu.

As denúncias vieram à tona quando uma mãe notou a mudança no comportamento do filho. A criança disse ser vítima de abusos que teriam ocorrido no banheiro da escola. Porém, durante reunião de pais na segunda-feira, foi relatado que o suposto envolvido não levava alunos aos sanitários. A tarefa seria exclusiva de estagiárias de pedagogia. As imagens das câmeras de segurança, já incorporadas ao inquérito, poderão elucidar esses detalhes.

Em posicionamento dado à imprensa ontem, o Colégio Magnum disse que “tem tomado todas as providências necessárias para auxiliar na apuração” e que continuará sem expor nomes e “dando assistência jurídica e psicológica para todos os envolvidos”. A instituição ainda reafirmou que a demissão do suspeito Hudson teve como objetivo “preservar a integridade de todos os envolvidos e a transparência da apuração do caso”. A escola também ressaltou a dedicação da polícia para investigar a situação.



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