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Estado de Minas SEGURANÇA

Licenciamento veicular: confira as consequências das mudanças no Detran

Instabilidade do sistema e adaptação desafiam novo processo e provocam filas de carros para fotografar número de chassis. Despachantes buscam novos serviços


postado em 10/10/2019 06:00 / atualizado em 10/10/2019 08:14

Motoristas enfrentaram longas filas na manhã de ontem no Detran, que passa por adaptação do sistema, com promessa de mais segurança(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Motoristas enfrentaram longas filas na manhã de ontem no Detran, que passa por adaptação do sistema, com promessa de mais segurança (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)


O licenciamento veicular com processamento online feito pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MG) promete agilizar processos, mas a instabilidade do sistema e a adaptação ainda são desafios, de acordo com usuários e despachantes. Antes, um decalque em papelão transferindo por meio de lápis o número do chassi dos veículos permitia que os despachantes processassem várias transferências simultâneas. Agora, os donos dos veículos precisam comparecer e ter os números de chassis fotografados.

"Está demorando mais. Antes o vistoriador fazia vários licenciamentos, hoje, além de tudo, precisam usar o próprio telefone. O tempo dobrou", disse o despachante Daniel Lotte, de 39 anos, um dos que se encontrava na fila de veículos para licenciamento no Detran-MG do Bairro Gameleira, Região Oeste de BH.

A fila na manhã de ontem estava se alongando por três quarteirões e a maioria dos motoristas buscava o licenciamento. "Realmente o sistema ficou mais seguro, mas estamos perdendo tempo e facilidade que os despachantes tinham. Antes, tirava (o licenciamento) em 10 minutos. Agora, já tem 30 minutos que estou na fila", disse o motorista Homero Miranda dos Reis, de 45.

De acordo com os despachantes que ofertam seus serviços ao longo dos quarteirões que circundam o Detran da Gameleira, os atrasos mais severos se dão devido a falhas do sistema, chegando a provocar fileiras de carros que chegam a 10 quarteirões, afetando, inclusive, a Avenida Amazonas.

O diretor do Conselho Regional dos Despachantes Documentaristas de MG, José Matias Gomes, afirma que, apesar das instabilidades do sistema online, a mudança para aplicativo no processo de licenciamento, em vez de tirar clientes chega a ajudar. "A mudança foi boa, trouxe mais segurança. O que está atrasando é que o sistema sai muito fora do ar, não conseguimos entrar no sistema. Mas trouxe mais segurança para o usuário e o despachante", disse.

O diretor confirma que a mudança trouxe adaptações para o setor, mas diz não acreditar que seja um grande prejuízo. "Antes, a gente juntava os decalques (reprodução da numeração dos chassis) e entregava para os vistoriadores. Agora, temos de preparar a documentação, me passam pelo WhatsApp, posso buscar o carro ou o cliente nos traz e entrego na casa dele", afirma Gomes.

A expectativa com o novo modelo é flagrar também, no ato da transferência, veículos com chassis de outros automóveis, clonados ou adulterados. O armazenamento das informações por meio digital permite que todo o processo seja monitorado e auditado. Com os laudos eletrônicos, de acordo com a Polícia Civil, será possível identificar alterações nas principais características do veículo e verificar adulteração também de quilometragem, além do chassi e de motor.

Ao Estado de Minas, o delegado Rafael Alexandre de Faria, chefe da Divisão de Registro e Licenciamento de Veículos, lembrou que, mesmo no modelo antigo, os despachantes já eram obrigados por lei a levar para vistoria o veículo do proprietário que estavam representando. Mas, na prática, inúmeros relatos davam conta de que o que se via no Detran era uma longa sequência de carros aguardando despachantes “furarem” a fila, munidos de montanhas de documentos de carros para aprovar a transferência, sem que o automóvel passasse pelo local. “Isso nunca pôde ocorrer. O processo antigo era frágil e permitia que ocorresse uma ou outra fraude. O novo sistema vem para evitar desvio de conduta tanto por maus funcionários quanto dos maus despachantes”, defendeu o policial.


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