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Estado de Minas TRANSPORTE COLETIVO

Apesar do ultimato de Kalil, trocadores continuam desaparecidos de ônibus

Prazo para que empresas contratassem cobradores vence, mas falta de profissionais persiste. BHTrans promete fiscalizar


postado em 01/10/2019 06:00 / atualizado em 01/10/2019 07:38

Motoristas continuam acumulando a função de cobrar passagens. BHTrans promete intensificar a fiscalização a partir de hoje (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)
Motoristas continuam acumulando a função de cobrar passagens. BHTrans promete intensificar a fiscalização a partir de hoje (foto: Ramon Lisboa/EM/DA Press)


Após prazo imposto pelo prefeito Alexandre Kalil para a volta de cobradores, ônibus de Belo Horizonte continuaram ontem circulando sem o agente de bordo em horários proibidos, entre as 6h da manhã e as 20h30 da noite. Embora o limite para a contratação dos 500 auxiliares tenha se encerrado ontem, usuários relatam ter se deparado com a mesma realidade no transporte público, em que o motorista passou a acumular também a função de trocador. As empresas alegam que cumpriram o ultimato de Kalil, que condicionou o reajuste da tarifa à medida, mas o passageiro não percebeu o reforço. De acordo com a BHTrans, empresa que administra o trânsito da capital, as companhias de transporte coletivo informaram que 501 agentes foram contratados, mas 190, menos da metade, já estão na ativa.

“Só se voltou hoje (ontem) à tarde, porque nada mudou. É uma pouca vergonha o que estão fazendo”, critica a cozinheira Virginita Gonçalves Pereira, de 75 anos. “Isso (a tarefa de cobrar as passagens) tira muito a atenção dos motoristas”, diz, preocupada. E ela tem experiência na avaliação, já que usa quatro ônibus todos os dias. Mas, sem qualquer dificuldade, é possível comprovar o que a passageira enfrenta diariamente.

Em 30 minutos nos arredores da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de BH, a equipe de reportagem do Estado de Minas testemunhou dezenas de ônibus sem cobradores e apenas dois com agentes de bordo, nas linhas 2101 e 5104. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) informou que fez todas as 500 contratações dos agentes de bordo e que a lista dos novos funcionários foi encaminhada à BHTrans. Mas a entidade não esclareceu por que a maior parte deles ainda não está trabalhando.

Entre os coletivos que circulavam irregularmente sem o cobrador, outra cena impressionou. Para devolver o troco a um dos passageiro, o motorista de um ônibus teve que estacionar o veículo no ponto, na Praça da Liberdade, e sair do ônibus para trocar o dinheiro com outro condutor. “É o dia inteiro assim. Não vi ninguém sendo contratado”, relata o profissional, cujo nome será preservado para evitar represália.

Também houve flagrante de três casos em que a cadeira do agente de bordo estava ocupada por passageiros. “O ônibus fica lotado, então a gente acaba se sentando no lugar do cobrador”, conta a auxiliar de cozinha Simone de Almeida, de 42, que reclama da situação do transporte público. “Falta segurança no volante, com o motorista exercendo outra função. Teve um dia em que precisei descer depois do meu ponto, até que o motorista conseguisse me devolver o troco”, afirma.

Desfalque


Em nota, a BHTrans informou que recebeu do Setra-BH lista com nomes de 501 agentes de bordo contratados pelas concessionárias para atuar em 50 linhas do transporte público. Segundo a empresa municipal, a partir de hoje, será montada “operação de fiscalização específica nas linhas e horários que estão definidos na relação enviada pelas empresas”. Na próxima semana, as companhias de transporte deverão enviar relatório semanal para comprovar a permanência dos cobradores e as linhas em que estarão operando.

Da janela do ônibus, enquanto o semáforo não abria, uma cobradora da linha 2101 contou que, na empresa em que trabalha, 19 cobradores foram admitidos. Em reunião no fim de agosto, Kalil condicionou eventual aumento da tarifa do transporte público municipal ao cumprimento da exigência de contratação. Segundo o prefeito, se as empresas não atenderem a exigência, o preço da passagem não será reajustado no fim do ano.

Por lei, a presença de agentes de bordo é obrigatória em BH. Os veículos só podem circular sem trocador no horário noturno, das 20h30 às 5h59. A exceção são as linhas do Move, que têm ficado imunes à fiscalização. Segundo a BHTrans, em 2018 foram aplicadas 9.379 autuações por falta de agente de bordo nos horários em que é obrigatória a presença do profissional. No primeiro semestre de 2019 já foram 5.098 autuações.






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