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Estado de Minas

Brumadinho 200 dias: 'Operação de resgate de dignidade', afirma o porta-voz do Corpo de Bombeiros

Tenente Pedro Aihara conta que a corporação trabalha com empatia e prevê nova estratégia de buscas pelas 22 vítimas que ainda não foram localizadas


postado em 12/08/2019 18:55 / atualizado em 12/08/2019 23:12

Rompimento da barragem de rejeitos ainda esconde 22 vítimas(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press)
Rompimento da barragem de rejeitos ainda esconde 22 vítimas (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press)


A tragédia da Vale em Brumadinho completa 200 dias nesta segunda-feira. O rompimento da barragem de Córrego do Feijão, ocorrida em 25 de janeiro, deixou cerca de 300 vítimas entre mortos e feridos. O trabalho do Corpo de Bombeiros ainda não acabou e permanece na busca por 22 pessoas que ainda não foram localizadas.

“Continuaremos incansavelmente a realizar buscas.” A promessa feita pelo porta-voz da corporação na primeira semana após a tragédia permanece e, agora, a operação renova seu compromisso com a sociedade. “A gente poderia ter encerrado em um mês do ponto de vista técnico e operacional. Mas a decisão de continuar com as buscas foi do Corpo de Bombeiros”, disse o tenente Pedro Aihara. “E a gente continuou com isso porque entendemos a dor dessas pessoas, a necessidade delas de terem respostas, de encontrar esses corpos, para que elas possam superar e vivenciar o processo de luto que estão passando”, explicou.

Todos os dias, pela manhã, os militares se reúnem para adaptar a dinâmica de buscas em alguns pontos. Ao atingir os 200 dias da Operação Brumadinho, 140 bombeiros militares trabalham em duas frentes com auxílio de dois cães de buscas, 134 máquinas pesadas e um drone.

Estratégia

As máquinas têm sido importantes ferramentas de trabalho. “É importante porque conseguem alcançar maior quantidade de rejeito, tornam o trabalho mais fácil e apoiam as equipes”, contou Aihara. 

Segundo o bombeiro militar, a operação ainda não tem previsão de término. A dificuldade de encontrar os corpos permanece por causa de seu estado de decomposição avançado, que dificulta o trabalho de localização e, posteriormente, de identificação pelo Instituto Médico-Legal (IML). 

Bombeiros militares permanecem as buscas com ajuda de máquinas pesadas(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A. Press)
Bombeiros militares permanecem as buscas com ajuda de máquinas pesadas (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A. Press)
 
Uma nova estratégia foi pensada para iniciar nesta segunda-feira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, cerca de 90% dos corpos foram encontrados até três metros de profundidade, por isso, a partir de hoje, os militares começaram a revisitar todas as áreas pela superfície, sem concentrar na profundidade.

Empatia

“Até que todas as possibilidades sejam esgotadas, a gente continua. A operação de Brumadinho não é de resgate de corpos, é de resgate de dignidade, direito à memória, da característica humana dessas pessoas”, afirmou Pedro Aihara.

Tenente Pedro Aihara conta do trabalho de empatia dos bombeiros(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A. Press)
Tenente Pedro Aihara conta do trabalho de empatia dos bombeiros (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A. Press)
A missão dos militares que atuam em Brumadinho continua. Os bombeiros levam em consideração a empatia com familiares e amigos que ainda sofrem com a agonia do desaparecimento. “É uma operação que se reveste de um caráter de humanidade, de compromisso, realmente de entender a dor que essas pessoas estão passando. E é nesse sentido que o Corpo de Bombeiros continua lá, incansavelmente”, disse o tenente.

Segundo o bombeiro, os sobreviventes são vítimas do rompimento da barragem assim como as pessoas que morreram. “A gente sabe da importância de ter os corpos para velar. Enquanto não tem o corpo localizado, a família não consegue ter Natal, não consegue ter Páscoa, não consegue comemorar aniversário”, lamentou Aihara.


*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz 


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