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Estado de Minas

Aumenta em 11,7% tráfico de drogas cometido por menores em BH em 2018

Relatório apresentado pela Vara Infracional da Infância e da Juventude aponta perfil de adolescentes que comentem atos infracionais


postado em 04/06/2019 11:48 / atualizado em 04/06/2019 14:21

 

A desembargadora Valeria Rodrigues e a juíza Riza Aparecida Nery apresentaram relatório anual sobre atos infracionais(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA PRESS)
A desembargadora Valeria Rodrigues e a juíza Riza Aparecida Nery apresentaram relatório anual sobre atos infracionais (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA PRESS)
A Vara da Infância e da Juventude de Belo Horizonte apresentou relatório anual de atos infracionais cometidos por adolescentes, entre 2017 e 2018. O documento aponta para redução nas infrações, com exceção das relacionadas ao tráfico de drogas e homicídios. Em 2017, menores foram autores de 12 homicídios, passando para 14 em 2018, um aumento 16,67%. Os atos relacionados ao tráfico de drogas passaram de 1.710 em 2017 para 1.910 em 2018, um aumento de 11,70%.

 

No geral, o relatório registra queda de 5,63% nos atos infracionais cometidos por adolescntes na capital. O número de jovens apreendidos em flagrante passou de 10,2 mil, há dez anos, para 7 mil, em 2018. "Tivemos uma queda considerável no número de infrações", afirmou a desembargadora Valéria Rodrigues. Ela atribuiu a queda à celeridade no processo de jugalmento.

 

A desembargadora destacou a maneira como está organizado o Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional (CIA), com a presença da Polícia Militar, Polícia Civil, Defensoria Pública e Varia da Infância, o que permite que os adolescentes apreendidos comentendo atos infracionais possam ser julgados em menos de 45 dias. "A queda se deve a celeridade. Ocorre apreensão pela PM, aqui já é lavrada a ocorrência. No mesmo dia, é realizado uma audiência preliminar com juiz e defensor público", afirma a juíza.

 

O relatório é publicado pela Vara da Infância há 10 anos com o objetivo de demonstrar que não há impunidade para menores que cometem atos infracionais. "O objetivo maior é quebrar o mito de impunidade, de que não acontece nada com menor", afirma a desembargadora. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê diferentes penas para os adolescentes infratores, a partir de 14 anos, que cometam atos infracionais: advertências, prestação de serviço à comunidade, internação assistida e internação. 

 

A maior parte dos atos infracionais, de acordo com levantamento, está relacionada ao tráfico de drogas. A desembargadora lembra que a maior parte dos atos infracionais são cometidos para que o jovem possa comprar drogas. O comércio de substâncias ilícitas também é fonte de renda para muitos jovens, que não conseguem encontrar outras ocupações profissionais.

 

A desembargadora atribui o envolvimento dos jovens, cada vez mais cedo, com o tráfico pela ausência do Estado nos locais onde residem. A desembargadora destacou que os jovens são forçados a sair das escolas pelas instituições não os acolherem.  "Os adolescentes não abandonam as escolas. Eles são excluídos. Eles têm vários desestímulos para permanecerem em sala de aula", afirma.  

 

ATOS INFRACIONAIS EM BH (2017-2018) 

 

 

 

 

 

 

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