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Estado de Minas

Para garantir abastecimento de BH, Vale construirá um novo ponto de captação de água

Obras serão realizadas 12 quilômetros acima da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Rio Manso, administrada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa)


postado em 09/05/2019 19:55 / atualizado em 10/05/2019 09:08

Uma nova audiência está marcada para o próximo dia 21(foto: Marcelo Almeida/ TJMG)
Uma nova audiência está marcada para o próximo dia 21 (foto: Marcelo Almeida/ TJMG)
Em meio à preocupação com um possível desabastecimento de água na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a Vale aceitou o projeto de construção de um novo ponto de captação no Rio Paraopeba, arrasado pela catástrofe de Brumadinho em 25 de janeiro deste ano. O acordo foi firmado na noite desta quinta-feira (9), entre representantes da mineradora e do Ministério Público, Defensoria Pública, Copasa e Advogacia-Geral do Estado (AGE), no Fórum Lafayette.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o novo ponto de captação deverá ser 12 quilômetros acima da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Rio Manso, administrada pela Copasa. A previsão é de que a obra fique pronta em setembro de 2020.

O governo do estado ficou com a responsabilidade de agilizar, sempre em caráter emergencial, autorizações e licenciamentos para viabilizar a nova construção. A obra, no entanto, pode ser interrompida, segundo o acordo, se as partes do processo, conjuntamente, definirem que a construção é desnecessária.

No dia da tragédia, a Copasa suspendeu a captação de água no Rio Paraopeba. Desde então, a Grande BH vem sendo abastecida por outras três represas do Sistema Paraopeba: Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores - em condições normais, o sistema capta 11 mil litros de água por segundo. O fornecimento em BH também se mantém pela captação do Rio das Velhas, que é responsável por 49% da Região Metropolitana e 70% da capital mineira.

Em abril, o gerente geral da Divisão de Produção da Bacia do Paraopeba, Paulo Diniz, previu que, caso a situação da captação no Rio Paraopeba não fosse restabelecida, a Região Metropolitana de Belo Horizonte poderia sofrer com racionamento de água. 

De acordo com o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de Belo Horizonte, vereador Irlan Melo (PR), a falta de água na capital mineira seria expressiva, principalmente, nas regiões do Barreiro e Oeste.

O Estado de Minas questionou a Vale e a Copasa para saber como acontecerá o funcionamento desse novo ponto de captação no ano que vem, uma vez que a data de encerramento das obras é posterior ao limite apontado pela Copasa, mas não obteve resposta.


Outros pontos

Além da construção de um novo ponto de captação no Paraopeba, a Copasa solicitou que a Vale banque um outro ponto de captação ao longo do leito do rio. No entanto, a proposta não foi aceita pela mineradora e deverá ser rediscutida na próxima audiência de conciliação, marcada para 21 de maio (terça-feira), às 14h.

Na audiência desta quinta, também ficou firmado que a Vale deverá, em até 24 horas, solucionar os problemas de abastecimento de água das comunidades afetadas. Segundo relatos de moradores, a distribuição por meio de caminhão-pipa não tem sido suficiente. 

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa

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