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Estado de Minas

Cores de arte urbana mudam paisagem no Complexo da Lagoinha

Em vez do cinza do concreto, painéis coloridos pintados por artistas. Ação integra projeto de revitalização da área


postado em 04/05/2019 06:00 / atualizado em 22/06/2019 19:14

Escadaria da passarela que liga a Praça Vaz de Melo ao Terminal Rodoviário de Belo Horizonte ganhou cara nova com os desenhos(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D. A Press)
Escadaria da passarela que liga a Praça Vaz de Melo ao Terminal Rodoviário de Belo Horizonte ganhou cara nova com os desenhos (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D. A Press)
Quem passa pelo Complexo da Lagoinha tem grata surpresa ao se deparar com a profusão de cores cobrindo o cinza do concreto dos equipamentos urbanos. Foram inaugurados nesta semana os painéis pintados pelos artistas Clara Valente, João Gabriel dos Santos Araújo e Gabriel Dias, além da italiana Alice Pasquini. A passarela que liga o Terminal Rodoviário à Praça Vaz de Melo, o baixio do viaduto e as escadarias do complexo se tornaram telas a céu aberto. Foram 10 dias de trabalho, período em que os pedestres acompanharam curiosos as pinceladas dos artistas.

Os painéis foram entregues durante evento cultural, que contou com show da Banda da Guarda Municipal e apresentações de samba e chorinho. “A escadaria ficou maravilhosa”, pontuou Clara. Durante os 10 dias em que fez o espaço urbano de ateliê, Clara interagiu com moradores, que deram muitas dicas sobre a história da região.

As pinturas integram a terceira etapa do Movimento Gentileza na Lagoinha. A ação de revitalização dá sequência à pintura realizada em 30 de março, sob a curadoria do coletivo Rupestre, que convidou 100 artistas para colorir os muros do Conjunto IAPI, entre as ruas Araribá e José Bonifácio.

O Bairro Lagoinha foi fundado por imigrantes italianos, que vieram trabalhar na construção de Belo Horizonte. A participação dos italianos nesse momento histórico fez com que o consulado da Itália se tornasse parceiro do Movimento Gentileza, com convite feito à artista Alice Pasquini, que está empenhada na pintura dos pilares do baixio do Complexo da Lagoinha.

Os artistas buscaram levar para o local de intenso vaivém imagens que pudessem remeter à natureza e à tranquilidade proporcionada pelo meio ambiente. “Coloquei passarinho, flores e plantas. Trabalhei bem dentro da minha estética”, revela Clara. Os artistas pensaram, num primeiro momento, em retratar figuras emblemáticas do bairro, como Cintura Fina, mas a natureza tomou conta do trabalho. O propósito inicial, contudo, só foi adiado. Gabriel Dias dará sequência pintando retratos de moradores, em quadros, nos próximos dias. “As pessoas paravam para conversar. Levavam para nós uma bala, colocavam música. Mesmo pintando, a gente dava bastante atenção”, revela Clara.

CONCEPÇÃO COLETIVA O idealizador do movimento Viva Lagoinha, Filipe Tales, aprovou a pintura e destacou a maneira coletiva com a qual o mural foi concebido. “A nossa avaliação é que a abertura de diálogo com a prefeitura faz muito bem”, afirmou. Segundo ele, todo o processo levou em conta o diálogo com os artistas, inclusive os locais, como é o caso de João Gabriel dos Santos, morador do bairro. “Os grafites trazem respiro para a passarela para quem passa todos os dias. É a oportunidade de as pessoas passarem por um lugar melhor”, ressalta.

Outro ponto destacado é a pintura de Alice Pasquini, que traz a identidade dos fundadores da Lagoinha: negros, italianos e mineiros. “A Lagoinha sempre representou a diversidade da cidade. Temos nos murais essa diversidade: traços de artistas italiano, de artista daqui, traço de mulher, traço de homem. Essa é a essência da Lagoinha, que recebe todos”, conclui Filipe.


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