Publicidade

Estado de Minas

Vereadores visitam Rio das Velhas por medo de faltar água para BH

Capital mineira pode ficar sem água caso alguma barragem próxima ao sistema se rompa. Ao menos cinco estruturas ameaçam a captação na região


postado em 09/04/2019 20:19 / atualizado em 09/04/2019 20:28

Sistema do Rio das Velhas é responsável por 70% do abastecimento de água em BH(foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS)
Sistema do Rio das Velhas é responsável por 70% do abastecimento de água em BH (foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS)

Quatro vereadores de Belo Horizonte visitaram, nesta terça-feira, o ponto onde ocorre a captação de água do Sistema do Rio das Velhas. A expedição faz parte das verificações feitas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as consequências que a capital mineira enfrentará após o rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH.

Durante a visita técnica à estação de tratamento de água da Copasa, os parlamentares questionaram a empresa sobre medidas estudadas para enfrentar a possível crise hídrica que BH poderá enfrentar com a tragédia.

Segundo o diretor de Operação Metropolitana da Copasa, Rômulo Thomaz Perilli, uma grande preocupação da empresa, atualmente, é preservar a integridade física da unidade de produção de Bela Fama, caso haja algum outro rompimento de barragem na região. 

“Em Paraopeba não houve danos na nossa infraestrutura, mas um rompimento aqui (Bela Fama, no Rio das Velhas) pode impactar e danificar a unidade”, ressaltou.

O Sistema Rio das Velhas, implantado em 1969, capta hoje cerca de 25% do rio, aproximadamente 7.500 m³ por segundo, e é responsável por 49% do abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte e 70% da capital mineira.

Plano B

Na visita, funcionários da Copasa relataram que a empresa está discutindo com a Vale um plano de medidas emergenciais e compensatórias para a garantia do abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Esse “plano B” teria como objetivo proteger a captação de Bela Fama e ampliar a capacidade do Sistema Paraopeba - altamente afetado pela tragédia em Brumadinho.

Atualmente, o sistema Paraopeba opera por outras três represas: Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores - em condições normais, o sistema capta 11 mil litros de água por segundo e é responsável pelo abastecimento de 30% de BH.

No entanto, de acordo com o superintendente de Operação e Tratamento da Região Metropolitana da Copasa, Sérgio Neves Pacheco, a Vale ainda não se comprometeu com a realização dessas ações. “Todo esse plano de medidas será agora encaminhado para a Advocacia-Geral do Estado e Ministério Público para que haja uma maior pressão para o seu cumprimento”, disse.
 
Outra medida anunciada pela Copasa para proteger Bela Fama será a intervenção na barragem abandonada da Mundi Mineração, localizada a dois quilômetros do Rio das Velhas, no município de Rio Acima.

De acordo com representantes da empresa, será iniciado, na semana que vem, o tratamento dos resíduos da barragem, que possui cerca de 80 mil m³ de água. Com custo de R$ 7,8 milhões aos cofres da Copasa, a obra está prevista para durar aproximadamente 10 meses. 


BH sem água

Em 26 de março, após uma visita da comissão ao ponto onde se capta água no Rio Paraopeba, o gerente geral da Divisão de Produção da Bacia do Paraopeba, Paulo Diniz, afirmou que, caso a captação não seja retomada em até um ano e meio, cerca de 30% da população de Belo Horizonte poderá ficar sem abastecimento.

O Sistema Paraopeba foi construído em 2015 para suprir a escassez hídrica do período por falta de chuva. Desde aquele ano, o sistema já captou mais de 217 milhões de m³ de água. A obra gerou um custo de R$128 milhões aos cofres públicos.  

Veja ameaças às captações que atendem à região metropolitana

Rio das Velhas

Barragem B3/B4 – Macacos/Nova Lima
Reservatório da Vale com 1,8 milhão de metros cúbicos de rejeitos apresenta o nível 3 de segurança, que caracteriza emergência

Barragens Forquilha I e III – Ouro Preto
Reservatórios da Vale que somam mais de 35 milhões de metros cúbicos de rejeitos apresentam o nível 3 de segurança, que caracteriza emergência

Barragem Forquilha II – Ouro Preto
Reservatório da Vale com 20,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos apresenta o nível 2 de segurança, que caracteriza alerta

Barragem de Vargem Grande – Nova Lima
Reservatório da Vale com 9,5 milhões de metros cúbicos de rejeitos apresenta o nível 2 de segurança, que caracteriza alerta

Essas cinco barragens foram construídas no método mais perigoso, de alteamento a montante, e estão no Alto Rio das Velhas. Um possível rompimento levaria lama até o manancial antes da captação da Copasa de Bela Fama, que atende metade da Região Metropolitana de BH

Rio Paraopeba

A captação de 5 mil litros de água por segundo diretamente no Rio Paraopeba está parada desde 25 de janeiro, em consequência da lama que foi despejada da barragem da Vale em Brumadinho. Não há previsão de retomada

Reservatório Rio Manso

Barragem da Mina Serra Azul – Itatiaiuçu
Reservatório da Arcelor Mittal com 5,2 milhões de metros cúbicos de rejeitos apresenta o nível 2 de segurança, que caracteriza alerta

Um rompimento deste reservatório levaria lama até o Rio Manso, curso d’água formador da maior represa integrante do Sistema Paraopeba, responsável pelo abastecimento de metade da Grande BH

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa


Publicidade