Continue lendo os seus conteúdos favoritos.

Assine o Estado de Minas.

price

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Publicidade

Estado de Minas

Criança em pânico e acidente de carro: moradores de Itabira falam sobre sirenes acionadas por engano

No fim da noite de ontem, centenas de pessoas saíram de casa após ouvir sirenes de barragens da Vale na cidade, mas era um alarme falso. População teme que se ocorrer uma emergência real, muitos não acreditem no alerta


postado em 28/03/2019 13:06 / atualizado em 28/03/2019 14:33



Na noite dessa quarta-feira, enquanto moradores de Nova Lima eram alertados sobre a elevação de risco para nível 3 da Barragem B3/B4 em Macacos, distrito do município, a população de alguns bairros de Itabira se assustava com o acionamento de sirenes das barragens da Vale. No entanto, segundo a mineradora, o que ocorreu na cidade da Região Central de Minas foi um engano. Nesta quinta, o em.com.br ouviu moradores de Itabira que relataram momentos de pânico e até um acidente no momento do alarme falso. 

Segundo jornais da região, a sirene com a mensagem pedindo que os moradores deixassem suas casas foi ouvida nas regiões dos bairros Gabiroba, Praia e Bela Vista. Vídeos e áudios de moradores começaram a circular rapidamente nas redes sociais sobre o ocorrido. 

Em uma das gravações, atribuída à polícia mas cuja veracidade ainda não foi confirmada, uma pessoa fala pelo rádio que a sirene deveria ter sido acionada em Nova Lima, não em Itabira. Nesta quinta-feira, a Polícia Militar do município informou que algumas pessoas chegaram a ligar assustadas para o 190, mas não houve registro de ocorrências. 

O vereador Weverton Leandro Santos Andrade (PSB), conhecido como Vetão, reclamou da situação no Facebook. “Em um momento delicado como esse, onde paira no ar o receio de toda população sobre a segurança das barragens, principalmente sobre os mecanismos de fiscalização de sua estabilidade, acionar a sirene erroneamente, assustando o povo, coloca mais uma vez em cheque a segurança deste sistema”.



Outros moradores também usaram as redes sociais para falar do medo após o acionamento da sirene. Veja algumas publicações: 













Por meio de nota, a Vale admitiu que houve uma falha no sistema de alerta de barragens no município. “O acionamento em Itabira aconteceu devido a um desacerto técnico. Portanto, não há situação de emergência nessa localidade e nem necessidade de que as comunidades da região sejam evacuadas”, informou a mineradora, completando que a correção foi feita imediatamente pela área técnica. “A Vale reitera que não houve alteração no nível de segurança das barragens de Itabira e que os moradores podem manter a tranquilidade”, finalizou. 

CRIANÇA PASSOU MAL Uma moradora do Bairro Ribeira de Cima, que pediu para não ser identificada, estava dormindo quando ouviu a sirene das barragens e ficou apavorada ao sair de casa com os dois filhos. “Só deu tempo de vestir um roupão e acordar meus filhos. O mais velho tem 7 anos, o mandei correr para o carro. A minha de 3 anos peguei no colo e embarquei. Deixei a casa aberta e fui na direção que era o ponto de socorro”, contou a mulher. O local de encontro indicado pela Vale fica a menos de cinco minutos da casa dela e era grande o movimento de carros e pedestres seguindo para o endereço. “Cheguei lá tinha muitas crianças, idosos. Vi uma senhora cadeirante carregada pelo filho e atrás deles uma pessoa com um colchão para colocá-la. Depois de meia hora chegou a informação de que não era real, era um erro, que devíamos voltar para casa. Como a rua era muito estreita, até os carros saírem demorou muito tempo, foi uma situação de pânico, pavor”, contou. 

Alarme foi ouvido em bairros que ficam abaixo de barragens da Vale em Itabira(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 17/10/2012)
Alarme foi ouvido em bairros que ficam abaixo de barragens da Vale em Itabira (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press - 17/10/2012)


A moradora conta que o bairro é cortado por um curso d'água, o que aumenta o medo dos moradores de que os rejeitos do rompimento de uma das barragens poderia chegar rápido ao local. O clima é tenso e, segundo ela, o filho mais velho está emocionalmente abalado desde o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e passou mal quando a sirene tocou ontem. “Quando eu falei para ele correr e entrar no carro, ele perguntou 'é o que eu estou pensando?'. Na hora em que ele confirmou começou a passar mal de nervoso, vomitou muito, teve diarreia, não queria voltar para casa. Disse para irmos à casa da avó, onde é mais seguro”. A moradora disse que foi difícil convencer o menino a voltar para casa, e que ele ficou mais tranquilo quando viu o pai chegar do trabalho. Agora, ela tenta providenciar acompanhamento psicológico para a criança. 

“Acho muita falta de respeito, principalmente com os idosos e acamados que não tiveram condições de sair de casa, sem saber se era real ou não. Minha preocupação é da próxima vez. (Em uma situação real) Se as pessoas não saírem de casa pensando ser um engano muitas vidas serão perdidas”, pontuou. 

CARRO BATIDO E PREJUÍZO O pedreiro Edair José dos Santos também mora no Bairro Ribeira de Cima, que fica próximo à Barragem de Itabiruçu. Ele contou que terá que desembolsar cerca de R$ 1 mil para consertar o carro após um acidente ao sair de casa com a família durante o acionamento da sirene. “Minha avó fica de cama. Fui colocá-la no carro e saí correndo. Esbarrei na porteira de entrada da chácara, arranhou bem a lateral, arrancou o friso da porta”, contou. Com ele eram cinco pessoas no veículo. Ninguém se feriu.

Assim como a vizinha de bairro, ele concorda que os alarmes falsos podem prejudicar as ações da população caso ocorra uma emergência. “A situação é crítica porque eles (Vale) não dão uma posição, se vai acontecer (um rompimento), se não vai acontecer. Quando for de verdade, a pessoa vai achar que é alarme falso e não vai sair de casa”, comentou. Segundo ele, hoje as pessoas ainda estão assustadas e falam até em se mudar do bairro. 


Publicidade