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Estado de Minas

Vale eleva nível de risco de barragem em Macacos

Decisão foi tomada em reunião na noite desta quarta-feira (27), envolvendo também a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) e a Defesa Civil de Nova Lima; distrito de Honório Bicalho e a cidade de Raposos devem passar por treinamento


postado em 27/03/2019 20:44 / atualizado em 28/03/2019 00:37

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

 

A Vale elevou para o nível 3, o último antes do rompimento, a situação da Barragem B3/B4 da Mina de Mar Azul, em Macacos. Segundo a Defesa Civil de Nova Lima, uma reunião com a presença do coordenador-adjunto de Defesa Civil, tenente-coronel Flávio Godinho, e representantes da mineradora ocorreu na noite desta quarta-feira (27). Nela, a empresa apresentou laudos técnicos emitidos por uma auditoria externa, que traziam dados críticos sobre a estrutura situada na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

 

A Vale também confirmou a elevação e acionou as sirenes na zona de autossalvamento por volta das 23h30 desta quinta. De acordo com a mineradora, não há necessidade de novas remoções, uma vez que a população que mora perto da estrutura já foi retirada de suas casas em fevereiro. "A população deve manter rotina normal, permanecendo atenta aos chamados de emergência", divulgou.

 

Ainda assim, a Defesa Civil deverá promover treinamentos na Zona de Segurança Secundária (ZSS) nos próximos dias. Isto inclui Honório Bicalho, também distrito de Nova Lima, e a cidade de Raposos, na Grande BH. No total, 5,2 mil pessoas vivem na ZSS, que está logo após a Zona de Autossalvamento (ZAS), aquela imediatamente atingida em caso de colapso.

  

Um carro avisou antes que o aviso sonoro aconteceria, mas a mensagem causou horror nos moradores. As principais reclamações daqueles que entravam em contato com a reportagem é o horário do aviso, em um momento que a maioria das pessoas já está dormindo.

 

Segundo a Defesa Civil, por meio do tenente-coronel Flávio Godinho, longas reuniões entre as partes envolvidas impediram que a medida acontecesse mais cedo.  

 

Em 16 de fevereiro, 305 moradores de Macacos já haviam sido retirados de suas casas às pressas devido ao acionamento do nível 2. A B3/B4 abriga cerca de 3 milhões de metros cúbicos de rejeitos com estrutura a montante, o mesmo modelo de construção utilizado nas barragens 1, em Brumadinho, e do Fundão, em Mariana. 

 

Desde então, a Justiça mineira bloqueou R$ 1 bilhão da Vale para "garantir eventual ressarcimento de prejuízos decorrentes da evacuação ocorrida na comunidade de São Sebastião das Águas Claras - Macacos".

 

Também pela decisão, a Vale deve arcar com os custos "de acolhimento, abrigamento, manutenção e alimentação da população evacuada, além da adoção de outras medidas visando garantir assistência à coletividade afetada." A companhia disse, à época, que "adotaria "as medidas cabíveis no prazo legal". 

 

Nova Lima é uma das três cidade que abrigam uma barragem em situação iminente de rompimento. Na última sexta-feira (22), a Barragem Sul Superior, em Barão de Cocais, na Região Central do estado, teve seu status de estabilidade modificado.

 

Nesta quarta, Forquilhas 1 e 3, na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, também entraram no mesmo estágio.  

 

Ministério Público 

 

Em ação movida, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) alerta que o estado tem 12 represas, todas da Vale, em risco iminente. Dessas, metade está em Nova Lima: Vargem Grande, Capitão do Mato, Dique B, B3, B4 e Taquaras.

 

Diante de tudo isso, o MPMG pede na ação que sejam bloqueados R$ 120 milhões da Vale, R$ 10 milhões para cada barragem sob risco. Além do bloqueio, a ação solicita uma tutela de urgência, que ressalta diversas medidas a serem tomadas pela Vale.

  

Entre elas está a apresentação de um relatório a ser elaborado sobre a estabilidade das barragens listadas. O MP também pede  um plano de ações emergenciais e a comunicação entre a Vale e os moradores da Zona de Autossalvamento (ZAS) dessas represas.

 

Além disso, caso seja aceita pela Justiça, a ação obrigará a Vale a se abster de “lançar rejeitos ou praticar atividades que possam incrementar o risco das barragens e quaisquer outras estruturas que estejam em zona de riscou ou atenção”. 

 

 

*Estagiário sob supervisão da subeditora Regina Werneck 

 


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