Publicidade

Estado de Minas

Barão de Cocais: barragem é a que demanda 'mais cuidados', diz Vale

Em caso de rompimento, lama chega ao local em 1 hora. Defesa Civil prepara treinamentos para a população


postado em 23/03/2019 13:24 / atualizado em 23/03/2019 15:54

(foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press)
(foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press)
 
O coordenador do comitê de resposta imediata da Vale, Marcelo Klein, admitiu neste sábado (23) que a barragem Sul Superior, na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central, é a estrutura que demanda mais cuidados, por parte da mineradora, no Quadrilátero Ferrífero. Klein disse que a sirene nível 3 soou na noite de sexta-feira por precaução, a fim de alertar moradores de 3 mil residências localizadas em zonas secundárias, que incluem o Centro do município.

Já o porta-voz da Defesa Civil, tenente-coronel Flavio Godinho, informou que no domingo (24) ou segunda-feira (25), será colocado em prática um plano, com treinamento, para eventual retirada de cerca de 9 mil pessoas nos bairros Centro, São Geraldo, São Benedito, Três Moinhos e Vila Regina, localizados às margens do Rio São João, afluente do Rio Doce, e seriam afetados caso vazassem os 4,3 milhões de metros cúbicos da barragem.

Godinho  explicou que, caso haja rompimento, haverá 1 hora e 12 minutos para retirada das 3 mil famílias da chamada zona secundária. "O plano está pronto e foi elaborado com Polícia Militar, bombeiros outras instituições", afirmou.

"A cidade foi dividida em quadrantes, com pontos de encontro dos moradores, caso haja o rompimento da barragem. Trata-se de um plano qualificado", disse Godinho. O capitão Oberdan Inácio, dos Bombeiros, adiantou que o plano contempla, de forma especial, os mais idosos.

O clima de tensão está grande, diz Lucas Vilela, desempregado que faz licenciatura em educação física.  "Temos cerca de 5 mil desempregados aqui. Se houver um rompimento, vai acabar com a cidade ", disse o jovem, que está preocupado com a vida nas comunidades onde tem parentes e amigos. "No distrito de Socorro, tem uma festa muito tradicional, Mãe Augusta do Socorro, mas muita gente já saiu de lá em 8 de fevereiro, quando houve o primeiro alerta", disse.

Na noite dessa sexta-feira, as sirenes dispararam, com a elevação do nível de alerta. A Vale informou que, após vistoria técnica, um auditor independente notou a condição crítica de estabilidade, com possibilidade de liquefação. Segundo os bombeiros que atendem Barão de Cocais, contudo, a Vale assegurou que não há possibilidade de rompimento. 

A barragem Sul Superior é uma das 10 barragens de alteamento a montante (mesmo tipo das que causaram tragédias em Brumadinho e Mariana) inativas remanescentes da Vale. A estrutura está incluída no programa de descomissionamento anunciado pela mineradora. 

Moradores das comunidades próximas à barragem haviam sido retirados do local no começo de fevereiro. Ao todo, 452 pessoas saíram às pressas de suas casas naquela ocasião, durante a madrugada de uma sexta-feira, após o acionamento dos sinais sonoros de emergência. As medidas, segundo a Vale, faziam parte do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM).

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade