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Estado de Minas

Depoimentos reforçam que Vale sabia dos riscos de ruptura da barragem de Brumadinho desde 2017

As investigações apontam que a empresa tentou métodos para aumentar o cálculo de estabilidade da estrutura, mas não deu certo. Força-tarefa considera que rompimento não foi acidente


postado em 10/03/2019 23:05 / atualizado em 10/03/2019 23:13

Tragédia deixou, até esse domingo, 197 mortos e 111 desaparecidos(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Tragédia deixou, até esse domingo, 197 mortos e 111 desaparecidos (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)

Depoimentos de funcionários da Vale e de engenheiros da Tüv Sud, empresa que forneceu laudo de estabilidade da barragem que se rompeu em Brumadinho, na Grande BH, reforçam que a mineradora sabia dos riscos desde 2017. As investigações apontam que a empresa tentou métodos para aumentar o cálculo de estabilidade da estrutura, mas sem sucesso. Por isso, resolveu colocar drenos no reservatório para tentar retirar a água. O que também não foi eficaz. O desastre segue sendo investigado por uma força-tarefa entre as polícias Civil e Federal, e ministérios públicos de Minas Gerais e Federal.

A ruptura das barragens 1, 4 e 4A da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, aconteceu em 25 de janeiro. O rompimento provocou a maior catástrofe humana e socioambiental do Brasil, deixando 197 mortos e 111 desaparecidos sob mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama de rejeitos também atingiu o Rio Paraopeba.

Desde o dia do desastre, a força-tarefa investiga o caso. Depoimentos divulgados pelo Fantástico, da Rede Globo, mostrou que os órgãos envolvidos no inquérito acreditam que o rompimento não foi acidente. Depoimentos de funcionários da Vale e da Tüv Sud mostram que a empresa já sabia dos riscos de rompimento.

De acordo com inquérito, em 2017, durante um evento da mineradora, uma consultora teria informado que a barragem tinha uma margem de segurança muito baixa. Ao saber do risco, a empresa, em vez de tomar medidas concretas, segundo as investigações, tentou outras metodologias para tentar aumentar o grau de segurança. Mas, sem sucesso.

Diante disse, segundo apontam as investigações, começou a instalar drenos, chamados de Drenos Horizontais Profundos (DHPs) para retirar a água da barragem. O método poderia levar riscos para a estrutura, de acordo com os investigadores. O engenheiro da Tüv Sud Makoto Namba, um dos que assinou o laudo de estabilidade, afirmou, durante o depoimento, que a colocação dos DHPs foi uma “barbeiragem”.

Outra medida tomada pela Vale foi a troca dos piezômetros, que fazem o monitoramento da barragem e são automatizados. A mineradora informou que eles apresentaram falhas em 10 de janeiro. Por isso, instalaram novos aparelhos. Os equipamentos acusaram picos de pressão na barragem dias antes do rompimento, mas a mineradora, segundo o inquérito, considerou erros de medição. A situação será apurada pela força-tarefa.

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