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Estado de Minas

Tropa de Israel que atuou em Brumadinho se despede de bombeiros e policiais mineiros

Após atuar nas buscas às vítimas do rompimento da barragem da Vale, israelenses devem deixar Minas Gerais na tarde desta quinta


postado em 31/01/2019 08:29 / atualizado em 31/01/2019 13:21

Militares participaram de solenidade de agradecimento e despedida no 12º BI, no Barro Preto(foto: Divulgação)
Militares participaram de solenidade de agradecimento e despedida no 12º BI, no Barro Preto (foto: Divulgação)


Os 136 soldados e oficiais israelenses que estavam desde o último domingo em Minas Gerais para ajudar nas buscas por vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, na Grande BH, se despedem do Brasil nesta quinta-feira. Policiais militares do estado, integrantes do Comando Aéreo e do Corpo de Bombeiros participaram de uma solenidade de agradecimento e despedida da tropa nesta manhã no 12º Batalhão de Infantaria (BI), no Barro Preto, em Belo Horizonte. 




Na cerimônia, o coronel Golan Vach, chefe da delegação, disse que se sente honrado em ter contribuído com os trabalhos, chamou os brasileiros de amigos e colocou um patch do Brasil em um dos braços. Ainda durante a solenidade, o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, agradeceu aos militares e falou sobre a importância de uma parceria tecnológica entre os dois países para melhorar a vida da população. O governador Romeu Zema (Novo) também estava presente. 

Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, na solenidade(foto: Divulgação)
Governador de Minas Gerais, Romeu Zema, na solenidade (foto: Divulgação)


Já em relação ao retorno das tropas israelenses, o governo brasileiro não sabia explicar exatamente as razões à noite. A divisão de protagonismo de trabalho no socorro às vítimas da tragédia de Brumadinho tem causado vários "curtos-circuitos" entre o governo de Minas e as Forças Armadas. Essas colocaram um contingente de mil homens, desde sexta-feira, para auxiliar no resgate de sobreviventes. Só que não houve solicitação de uso do grupo. O governo de Minas informou que não havia necessidade daquele tipo de apoio e, se precisasse, solicitaria. A avaliação de militares é de que o salvamento de Brumadinho "está muito politizado".



Os militares começaram a trabalhar na segunda-feira e foram informados de declarações do comandante das operações de resgate, tenente-coronel Eduardo Ângelo, de que os equipamentos trazidos de Israel para Brumadinho (MG) não eram efetivos para esse tipo de desastre. Questionado, o governo de Minas Gerais esclareceu que "não houve recusa de colaboração de militares" e tropas federais poderão ser solicitadas "caso haja necessidade". Um voo de Confins para Tel Aviv está previsto para as 17h de hoje. 

(foto: Reprodução da internet)
(foto: Reprodução da internet)


Por meio de uma nota que circula nas redes sociais, a Embaixada de Israel informou que “deseja parabenizar as forças de resgate brasileiras e israelenses por seu trabalho e por traduzir de palavras para ações a profunda amizade entre o povo brasileiro e o israelense”. 

Clima amigável


O clima da tropa de Israel no Centro de Comando da Operação Brumadinho, na Faculdade Asa, na Base Israel e no teatro de operações do rompimento aparentava ser extremamente amigável, como pode constatar a reportagem do Estado de Minas, ontem, nesses locais. A Polícia Militar de Minas Gerais tinha um helicóptero esquilo do Instituto Estadual de Florestas (IEF) operando à disposição do comando das tropas estrangeiras. O Exército também disponibilizava suas aeronaves para o deslocamento dos militares estrangeiros.

No Centro de Comando, os israelenses circulavam normalmente, sendo cumprimentados pelos demais socorristas de todo o Brasil. A todo momento eram parados e gentilmente posavam para selfies. Os comandantes da operação e o comandante da força de Israel, o coronel Golan Vach, também se reuniram diversas vezes e circulavam juntos pelas salas de comando, sempre aparentando alegria e posando para fotografias de seus próprios smartphones.

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)


Na fila para a sala em que se pega as marmitas, águas e sucos, o assunto mais comentado e num tom de bom humos eram os costumes diferenciados dos israelenses. “Shalom”, o cumprimento em hebraico era pronunciado nas rodinhas de conversa de bombeiros de todos os estados, militares do exército, policiais, defesa civil nacional, Ibama entre outros. Alguns deles chegaram a trocar patches da sua força com os estrangeiros e até shemmags, que são lenços típicos para a proteção dos militares contra as intemperies.

Quando os israelenses e os bombeiros foram resgatados pelos helicópteros militares, ontem (quarta-feira), quando desabou uma tempestade de granizo que interrompeu as buscas do dia, era nítida a diferença dos israelenses para os bombeiros. No desembarque, os socorristas de Minas Gerais e de São Paulo estavam completamente cobertos por lama e aparentavam extrema exaustão. Os estrangeiros riam, alguns até gargalhavam, mas tinham os uniformes limpos, alguns apenas com as barras da calça sujas de lama. (Com informações de Mateus Parreiras)


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