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Estado de Minas

Alta infestação do Aedes em BH aumenta risco de dengue e outras doenças

Capital tem índice de infestação do transmissor da dengue acima do considerado aceitável. Região que mais preocupa é a Pampulha, que também tem o maior número de bota-foras


postado em 14/12/2018 06:00 / atualizado em 14/12/2018 07:34

Além de criatórios nas moradias, pontos de descarte ilegal de lixo nas ruas são áreas de risco para proliferação do transmissor. Prefeitura cobra conscientização(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Além de criatórios nas moradias, pontos de descarte ilegal de lixo nas ruas são áreas de risco para proliferação do transmissor. Prefeitura cobra conscientização (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)


Belo Horizonte entra para a lista que põe mais de 40% das cidades mineiras em situação de alerta ou de risco, diante da infestação do mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zica vírus, com potencial também para disseminar o causador da febre amarela. Dados do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (Liraa) mostram que a cada 1.000 imóveis pesquisados, em 11 foram encontradas larvas do mosquito (1,1%), acima, portanto, do índice de 1%, considerado aceitável. A regional em pior situação é a Pampulha, com 1,7%, e os materiais inservíveis, como garrafas, copos de plástico, marmitex, entre outros, foram os principais criadouros. Como mostrou o Estado de Minas em sua edição de ontem, a região é também aquela que reúne a maior concentração de bota-foras na cidade, com 169 pontos, dos 731 mapeados pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).

No conjunto do estado, a situação é preocupante. Como o EM mostrou na última semana, ao menos 40,7% dos municípios que informaram ao estado o resultado do Liraa estão em situação de risco ou em alerta para a possibilidade de surto da doença. Neste ano, há uma preocupação ainda maior com a dengue. Depois de oito anos, voltou a circular o vírus do tipo Denv 2, que encontrará uma parcela expressiva da população suscetível a ele. Vale lembrar que o Aedes também é capaz de transmitir a febre amarela, que tem aumento nesta época do ano. Porém, casos do tipo urbano da virose não são registrados há anos no Brasil.

A infestação do Aedes aegypti vinha diminuindo ao longo do ano, mas apresentou alta em outubro. No estudo feito em janeiro, o resultado foi de 2,4%. Em abril, caiu para 1,5% e, em agosto, 0,6%. Já o último levantamento, divulgado ontem, os números quase dobraram, chegando a 1,1%. No mesmo período do ano passado, BH estava com índices satisfatórios, com taxa de 0,3%. “O resultado do Liraa é muito influenciado pelas questões climáticas. Na verdade, (o resultado) significa médio risco ou alerta. O aumento da infestação do mosquito é esperado, por causa das chuvas. Agosto, por exemplo, é um mês de seca. Em outubro, tivemos chuvas frequentes, o que possibilita o aparecimento maior das larvas”, explicou o subsecretário municipal de Promoção e Vigilância em Saúde de Belo Horizonte, Fabiano Pimenta.

O Liraa é feito em todas as regionais da cidade por agentes de saúde que visitam pontos específicos para analisar se há larvas do Aedes aegypti. Índices de infestação de até 0,9% indicam condições aceitáveis, e, entre 1% e 3,9%, situação de alerta. Taxas superiores a 4% indicam risco de surto. Em Belo Horizonte, um dos principais problemas encontrados nos imóveis visitados foram os chamados inservíveis – tampinhas, potes de margarina, garrafas, copos descartáveis ou embalagens de isopor e de alumínio. Em seguida, vêm os vasos de plantas. Moradores da Pampulha, Leste e Venda Nova devem ficar atentos, já que as regiões têm os maiores índices de infestação (veja mapa). A região dos postos de saúde Vila Pinho e Teixeira Dias, no Barreiro, também preocupa. Lá, os índices foram de 4,7%. O menor valor foi na Regional Norte.

“É muito importante que a população tome conta. Este é um momento muito importante para tirar meia hora a cada semana para olhar descartáveis e caixas-d’água descobertas. O levantamento (Liraa) é uma fotografia. Nessas condições de chuva frequente e temperaturas elevadas, uma situação de baixo risco vira de médio e alto risco, caso aquelas ações amplamente reconhecidas e recomendadas deixem de ser adotadas. Então, temos que fazer coletas de descartáveis no quintal, fazer o acondicionamento da limpeza urbana e lavar pratos de vasos de planta com buchas, porque os ovos do mosquito ficam presos às paredes, e podem resistir até um ano”, explicou o subsecretário.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)

 

Município intensifica combate ao mosquito


 

A partir do resultado do Liraa, a prefeitura vai intensificar as ações nos pontos que foram considerados críticos. “Podemos fazer o direcionamento dos mutirões em parceria com a SLU e uma ação integrada com a Secretaria de Fiscalização, para notificar proprietários de lotes vagos. Se não há limpeza naquele local, a SLU consulta a Secretaria Municipal de Saúde e faz a limpeza. Depois, os custos vão para os proprietários”, explicou Fabiano Pimenta.

As ações já estavam sendo ampliadas em Belo Horizonte. Em novembro, a prefeitura instituiu o Grupo Executivo para Intensificação de Combate ao Aedes aegypti. O grupo coordena ações de vários órgãos da administração municipal, com o objetivo de intensificar ações de prevenção e controle do mosquito. Fazem parte as secretarias municipais de Saúde; de Educação; de Obras e Infraestrutura; a Defesa Civil; e a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU). Outra medida foi fechar uma parceria com escolas para incentivar o combate ao transmissor.

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) mostram que 418 casos de dengue foram confirmados este ano em Belo Horizonte. A Região Oeste é a que concentra o maior número de registros, seguida da Norte, com 56, e Nordeste, com 50. Em relação à chikungunya, foram 22 confirmações, 12 delas autóctones – quando a contaminação ocorre dentro do município. Outros nove casos são investigados. Quatro casos de zika foram confirmados e sete são apurados.

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