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Estado de Minas ARTE NOS TAPUMES

Mulheres negras são homenageadas em obras de revitalização no Circuito Liberdade

Parcerias de empresas com o Governo do Estado, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, viabilizaram a ação. Nina Simone, Dandara e Elza Soares foram algumas das importantes mulheres negras escolhidas


postado em 01/11/2018 07:00 / atualizado em 01/11/2018 09:40

Mais de 200 metros de tapumes que fecham as obras de três prédios no Circuito Liberdade estão ganhando cores e formas idealizadas por cerca de 70 estudantes da escola Centro Interescolar de Cultura, Artes, Linguagens e Tecnologias (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Mais de 200 metros de tapumes que fecham as obras de três prédios no Circuito Liberdade estão ganhando cores e formas idealizadas por cerca de 70 estudantes da escola Centro Interescolar de Cultura, Artes, Linguagens e Tecnologias (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Depois dos 54 painéis, que fecham a Praça da Liberdade para reforma, serem coloridos por grafiteiros, agora, é a vez de os 200 metros de madeira que cercam o Museu Mineiro, o Arquivo Público Mineiro e a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais ganharem simbolismo por meio de cerca de 70 estudantes da escola Centro Interescolar de Cultura, Artes, Linguagens e Tecnologias. Nina Simone, Dandara e Elza Soares foram algumas das importantes mulheres negras escolhidas para serem homenageadas e estampar os tapumes do prédio na Avenida João Pinheiro.


“Optamos por trabalhar com o tema do empoderamento da mulher negra, tema que partiu muito dos estudantes. Foi uma escolha deles de retratar o perfil da literatura e cultura afro-brasileira. Pensando nisso, foi feito um estudo para escolher figuras importantes para serem representadas”, disse Rogério Coelho, vice-diretor da Escola Valores de Minas, que auxilia nas pinturas. O processo de criação começou no desenvolvimento dos croquis dentro da temática, passando pela escolha da paleta de cores e da dimensão dos desenhos.


A ação intitulada Laços de nós é realizada pelo Plug Minas e integra o projeto Tudo de Cor, resultado de uma parceria do Governo do Estado, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e da Secretaria de Administração Prisional (Seap). “Vejo os meninos se colocando como artistas e se sentindo representados também. Isso é incrível”, disse artista plástica Luíza Paiva, convidada para participar da ação.


O estudante do Módulo 1 do curso Valores de Minas do Plug Minas Rafael Sthéfano Rodrigues Ferreira, de 19 anos, ressalta a importância do projeto para o crescimento dos alunos e para a visibilidade do tema na cidade. “É um trabalho muito importante. Estamos falando de mulheres negras em um espaço de arte que é branco e que retrata homens brancos. Portanto, não há lugar melhor do que aqui para retratar e desconstruir essa ideia. E também é muito legal poder fazer isso na rua, principalmente, devido ao cenário político atual. Seguimos na contramão de tudo que está ocorrendo em todo o país. Isso é uma resistência e os comentários negativos não vão nos abalar”, disse.

TUDO DE COR
A ação do Plug Minas integra o projeto Tudo de Cor, que está realizando a pintura das fachadas do Museu Mineiro, do Arquivo Público Mineiro, da Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais – edifícios públicos do Circuito Liberdade – e também do coreto da Praça da Liberdade. A pintura está sendo realizada por cerca de 40 presos em regime semiaberto. Antes de iniciar os trabalhos, os presos participaram de um curso de capacitação profissional de 90 horas, ministrado pela equipe do instituto. Eles aprenderam técnicas de restauração, de preservação de fachada, técnicas de pintura e noções de segurança do trabalho. A previsão é que a pintura seja concluída este mês.

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