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Estado de Minas

Grafite na Fiocruz em BH homenageia pesquisadores e produção científica

Painel em muro na Rua Juiz de Fora lembra a importância do trabalho realizado pela fundação e celebra, em especial, duas cientistas que contribuíram para a área da saúde em Minas e no Brasil


postado em 26/10/2018 06:00 / atualizado em 26/10/2018 08:15

Pintado em muro da Fiocruz em BH, o painel apresenta os estudos realizados na instituição(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Pintado em muro da Fiocruz em BH, o painel apresenta os estudos realizados na instituição (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)


A importância da ciência para a autonomia do país, os avanços tecnológicos e pessoas que fizeram e fazem parte dos processos que garantem a saúde em Minas Gerais e no Brasil estão destacados nos 137 metros do muro do Instituto René Rachou, unidade da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) no estado. Agora, quem passa pela Rua Juiz de Fora, no Barro Preto, em Belo Horizonte, pode contemplar painel em grafite referente ao tema, elaborado por cinco artistas.


A vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação da unidade, Cristiana Brito, explica que a pintura no muro fez parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. O tema era “Ciência para redução das desigualdades”. O objetivo do grafite é chamar a atenção das pessoas do entorno para a presença da Fiocruz em Minas Gerais. Segundo ela, muitos veem a instituição na mídia, sabem de sua importância, mas não têm conhecimento da unidade no Barro Preto.

“Estamos em um momento muito relevante politicamente para chamar a atenção para a ciência e tecnologia, que sofreram redução de investimentos. É muito importante estudar um pouco nas eleições, ver o que os candidatos estão propondo e saber quer ter uma ciência forte garante a autonomia do país”, analisa Cristiana Brito. Ela lembra que a Fiocruz produz medicamentos e vacinas para o Sistema Único de Saúde (SUS) que, por isso, não precisam ser adquiridos fora do país. Entre eles, está a vacina contra a febre amarela, que gerou uma demanda extra para a fundação durante a última epidemia.

“A gente pensou no muro não só para as pessoas que estão vendo identificarem o que fazemos, mas também como reconhecimento aos trabalhadores e estudantes daqui. Temos a frase ‘Orgulho de ser Fiocruz’. É para resgatar um pouquinho desse orgulho”, explica a vice-diretora. Foram escolhidos quatro temas para a arte: um mapa do Brasil mostrando todos os estados que contam com alguma representação da Fiocruz; a saúde coletiva; o meio ambiente; e os organismos biológicos que são estudados na Fundação.

O primeiro dos quatro painéis é dedicado às mulheres na ciência e presta homenagem a duas pesquisadoras que tiveram papéis fundamentais para a Fiocruz em Minas: Alda Lima Falcão e Virgínia Schall.  A primeira realizou extenso trabalho sobre a leishmaniose e, por 20 anos, esteve à frente do laboratório que pesquisa a doença. Ela começou a trabalhar no fim da década de 1930 e está aposentada hoje. Autora de diversos livros, alguns voltados para o público infanto-juvenil, Virgínia Schall (1954-2015) atuou em pesquisas sobre a prevenção esquistossomose e também trabalhou na área de educação em saúde.

Painel também homenageia as cientistas Virgínia Schall e Alda Lima Falcão(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Painel também homenageia as cientistas Virgínia Schall e Alda Lima Falcão (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)

(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)


ARTISTAS A Fiocruz convidou a grafiteira Carolina Jaued, a Krol, para produzir o painel. A artista do grupo Minas de Minas foi a responsável, entre outros trabalhos, pelos painéis da cantora Elza Soares e das atrizes Taís Araújo e Teuda Bara em Belo Horizonte. “A escolha de uma mulher para encabeçar essa iniciativa foi simbólica. E (sabíamos que) pelo lado artístico seria interessante”, disse Cristiana.

Para concluir o trabalho em um dia, Krol montou uma equipe com outros quatro grafiteiros (Testa, Gud, Airone e Sérgio Ilídio) e a obra foi executada coletivamente, atraindo pessoas que frequentam a região e os funcionários da Fiocruz. A grafiteira estava entre as pessoas que não tinham total conhecimento dos trabalhos realizados pela fundação até encontrar essa oportunidade. “Pude ver de perto tudo o que é feito ali e o quanto é grandioso. São trabalhos de pesquisa que estão por todo o Brasil auxiliando e sendo estudados, envolvendo, principalmente, várias doenças do nosso cotidiano. Achei isso muito interessante”, comentou.

Também chamou a atenção da artista a grande presença feminina na equipe da Fiocruz em Minas Gerais. “Os funcionários estiveram no muro no dia para ver a execução. Eles foram reconhecendo as coisas que fazem, foram explicando para a gente. Foi muito legal essa interação. Nesse mesmo dia, percebi o quanto funcionárias mulheres, pesquisadoras, trabalham ali”, disse a artista.

Krol também falou das reações à parte do painel dedicada a Alda Falcão e Virgínia Schall. “Foi muito gratificante pintá-las. Foi um trabalho do Sérgio Ilídio. Os relatos das pessoas que as conheceram mostraram como elas tiveram papéis fundamentais ali. A gente via a galera falando e se emocionando”, conta. Segundo a artista, a família de Virgínia esteve no local e acompanhou o trabalho de pintura.

A artista destacou como o trabalho com o grafite transforma, traz boas lembranças, sentimentos e histórias. E, além disso, exalta as pessoas. “O grafite tem esse poder de transformar e deixar registradas, através da arte, todas essas coisas. E como o grafite também englobou a questão da valorização da profissão que muita gente exerce ali dentro daquele prédio, além de mostrar o quanto a saúde tem trabalhado e ido pra frente para fazer com que toda a população ganhe”, pontuou.

Quem quiser conferir a obra pode visitar o prédio da Fiocruz no Barro Preto. A pintura está no trecho do muro na Rua Juiz de Fora, entre a Avenida Augusto de Lima e a Rua dos Guajajaras.

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