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Estado de Minas

Ladeira de BH reúne crianças e adultos em competição de rolimã; confira programação

O evento ocorreu na Rua Magi Salomon e reuniu centenas de pessoas que voltaram no tempo e apresentaram a brincadeira para a nova geração


postado em 22/09/2018 11:04 / atualizado em 23/09/2018 14:00

Ver galeria . 7 Fotos Edésio Ferreira/EM
(foto: Edésio Ferreira/EM )
Túnel do tempo: uma rua sem carros e dezenas de rolimãs descendo ladeira abaixo. Sucesso nas décadas de 1970 e 1980, a tábua sob rodas convidou o belo-horizontino a voltar à infância ou simplesmente conhecer brincadeiras de outros tempos. Na tarde deste sábado, a Rua Magi Salomon, no Bairro Salgado Filho, na Região Oeste da capital mineira, foi palco do da 7ª edição do Mundialito de Rolimã do Abacate.

O evento começou por iniciativa de um grupo de amigos com saudades da brincadeira de infância. Entretanto, hoje, já conquistou um marco importante no calendário da cidade e arrasta centenas de pessoas para a rua fechada. No ano passado, até a apresentadora Angélica e os atores Daniel Rocha e Marcelo Mello se arriscaram e se divertiram no campeonato de carrinho. 


“O evento nasceu no Bairro Salgado Filho, onde eu e alguns amigos fundamos o Centro Cultural chamado Quilombo do Abacate – o que explica o nome da competição. Já fazíamos eventos valorizando a cultura negra e bandas independentes e já pensávamos em fazer um evento na rua da sede. Um dia, chegando na casa, ouvimos o barulho de um garoto descendo a rua de rolimã. Ficamos surpreso, há tanto tempo não via um carrinho. Bateu uma nostalgia e decidimos fazer um encontro”, contou Diego Dantas, conhecido como Bujão, um dos idealizadores.
 

Diogo conta que cresceu no Conjunto Califórnia, na Região Noroeste de Belo Horizonte, onde ganhou o seu primeiro carrinho de rolimã azul, dado por seu pai. “Tive a sorte de crescer em uma rua de trânsito local. Então, nós brincávamos muito na rua. Tive esse privilegio”, acrescentou o organizador, que aponta o quanto é importante tirar as crianças de frente das telas do celular para experimentar esse tipo de adrenalina e, talvez, alguns “capotes”. “Aprendi a lidar em sociedade brincando na rua, conhecendo vizinhos e, principalmente, dividindo a rua. Hoje, a rua tem outro status. A rua se tornou um lugar de passagem e não de permanência. Então, o maior grito, o maior ato político é ocupar a rua. É espaço que é nosso e temos que revindicar”, completou o organizador. 


NOSTALGIA Ítalo Coutinho, de 42 anos, levou o filho Felipe, de 5, para curtir o dia em família e relembrou os dias de brincadeira na cidade de Bom Despacho, na Região Centro-Oeste. “Já é o terceiro ano que a gente vem. Quando era criança, andava muito de rolimã. Vir aqui é vivenciar tudo de novo e ao lado dos nossos filhos. É muito legal”, contou ele.

Há três anos, eles construíram o carrinho juntos – algo que parece muito distante das brincadeiras infantis de 2018: “Compramos a madeira e fizemos. O Felipe ajudou a colorir com giz. E não custou mais de R$100”, disse, recomendando que a brincadeira continue sendo passada para as gerações seguintes. Inclusive, há carrinhos de todos os tipos: dos mais modernos com cadeiras instaladas, até os mais simples com apenas duas tábuas de madeira. Pai e filho gostaram tanto que já chamaram os amigos para se divertir juntos. 

O médico Fabiano Prado, de 40, foi convidado por um dos amigos da época de criança com quem andava de rolimã. Nascido no município de Gouveia, no Vale do Jequitinhonha, a tarde era marcada pelas competições com os amigos. Desta vez, ele dividia o carrinho com a filha Nathália, de 2 anos. Ela, que estava estilosa com um conjunto rosa-choque e óculos de sol, gostou muito da experiência. “Fico muito feliz de poder passar isso pra ela desde pequenininha”, disse o pai.

A competição reuniu participantes nas categorias estilo, manobra e velocidade. Antes, durante e depois da disputa, os competidores e o público foram animados por djs, além de cerveja gelada e muita diversão em família que uniu gerações. 

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