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Estado de Minas

Inverno em Minas tem variações de temperatura que chegam a 15°C entre manhã e tarde

Oscilações obrigam moradores das cidades mineiras a colocar e tirar o casaco ao longo do dia. Mudanças da umidade do ar elevam a sensação de instabilidade


postado em 27/07/2018 06:00 / atualizado em 27/07/2018 07:45

Visitantes curtem a vista, o pôr do sol e o friozinho no recém aberto Mirante das Mangabeiras(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Visitantes curtem a vista, o pôr do sol e o friozinho no recém aberto Mirante das Mangabeiras (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A PRESS)
Põe agasalho. Tira agasalho. E põe o agasalho de novo. O inverno na maior parte do Brasil é marcado por extremos, com temperaturas baixas à noite e na madrugada e calor durante o dia, principalmente à tarde. E, neste ano, os mineiros estão sofrendo mais com esse fenômeno, segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, do Instituto Climatempo. Ontem, os termômetros da capital mineira marcaram 11°C e 25°C no mesmo dia. Essa variação de temperatura é chamada de amplitude térmica, que é a diferença entre a temperatura mínima e a máxima ao longo do dia. E deve se repetir hoje.


“Ela está alta principalmente em relação ao ano passado, quando tivemos um inverno com dias mais nublados. Acabamos sentindo mais frio porque a máxima ficava entre 22°C e 23°C. A máxima este ano (em BH) já chegou a 28°C, com mínima de 13°C”, informou o meteorologista. Nesse caso, a amplitude térmica foi de 15 graus. “Tivemos máximas entre 24°C e 25°C no Sul do estado. E no Norte, mínimas de 13°C e 14°C e a máxima chegando a 33°C em São Francisco, São Romão”, diz Ruibran dos Reis, destacando que uma amplitude superior a 10 graus já é considerada alta.

O meteorologista explica que o inverno de 2017 em Minas teve dias mais nublados, assim, a temperatura não subiu tanto e a umidade relativa do ar também permaneceu mais alta. Já em 2018, uma massa de ar quente e seco está atuando sobre o estado e reduz a nebulosidade, fazendo com o que o sol predomine e o calor aumente. “O pior da amplitude é a sensação para o ser humano. Nosso corpo, no mesmo dia, reage a várias temperaturas, o que não é agradável. O efeito da amplitude é o que chamamos de ‘efeito cebola’. A pessoa levanta cheia de agasalhos, tira no meio do dia e depois das 16h coloca tudo de novo”, destaca o meteorologista do Climatempo.

O estudante Caique Ferreira, de 25 anos, sofre com a mudança repentina de temperatura. “Acordo às 6h pra ir trabalhar e está um frio insuportável, mas quando vou almoçar quero até trocar de roupa porque trabalho de traje social”, contou o jovem, que, no fim da tarde, vestia a blusa social e levava o blazer nas mãos, aguardando a temperatura cair. A estudante Laura Elias, de 20, também sente a instabilidade maior do clima: “O tempo está muito doido. No ano passado, estava mais frio e a mudança da temperatura, menos radical. Quero que o frio se firme logo para colocar o agasalho e ficar com ele. Além do mais, nesta estação, as pessoas ficam mais elegantes. Gosto muito do inverno bem frio”, completou.

O casal de estudantes Lucas Marzano e Mariana Rezende, ambos de 20, aproveitou as férias da faculdade para ir ao recém-reaberto Mirante das Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. “O frio é bom para ficar com quem a gente gosta”, disse Lucas. Para o casal, que prefere o calor ao frio, o inverno deste ano está menos rigoroso. “O tempo está muito instável. Na sombra, está frio. No sol, o calor está gostoso. Viemos ao mirante procurando um calorzinho, mas, no fim da tarde, apertou”, disse Mariana.

Enquanto os belo-horizontinos dizem que este tem sido um inverno mais quente, muitos turistas acham que o clima na capital está frio. Marco, de 32, e Karla Mialaret, de 30, vieram do Recife, no Nordeste do país, para visitar parentes e ficarão até o início de agosto. “Nunca tinha vindo a BH e estou achando bem frio. À tarde, fica um pouco mais quentinho, mas logo que o sol se põe o vento é de congelar”, considera Karla. Para eles, o tempo seco tem sido um desafio diário. “Temos sofrido bastante com a secura. Às vezes, é difícil para dormir, tenho tido muita tosse e muco”, relata Marco. Apesar disso, o casal diz aproveitar a estadia na cidade e não se arrepende de ter vindo. “É um clima muito gostoso, bem diferente daquele a que estamos acostumados”, comenta Karla.

Com a grande variação de temperatura, Ruibran dos Reis alerta que a população deve tomar cuidado para evitar problemas respiratórios, como os provocados pela gripe. “É claro que vai ter sol durante o dia. Às vezes a pessoa pensa que vai esquentar e não se agasalha. Aí pode pegar um frio intenso pela manhã e ficar doente. Pode ocorrer também de sair à tarde, quando está muito quente, e voltar depois das 18h já com o frio. É preciso carregar uma blusa meia-estação”, aconselha.

PREVISÃO
E haja agasalho! Ontem, a menor temperatura no estado foi 4,2°C, em Caldas, no Sul de Minas. Nas regiões Norte, Noroeste, Central, Triângulo e Oeste, o dia foi de céu claro a parcialmente nublado com névoa seca à tarde. Segundo a meteorologista Anete Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as áreas situadas entre o Vale do Jequitinhonha e a Zona da Mata amanheceram até com nevoeiro. Em Belo Horizonte, a temperatura mínima foi de 11,7°C no Cercadinho, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A máxima não passou dos 25°C. Segundo a previsão, a amplitude térmica continua: hoje, os termômetros de BH devem variar de 11°C a 25°C. O dia deve ser com sol e algumas nuvens e não há previsão de chuva. A umidade relativa do ar também deve oscilar entre 45% e 93%, dependendo do horário. (Com Sílvia Pires, estagiária sob supervisão do editor Roney Garcia)
 

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