Publicidade

Estado de Minas

Estado cria sistema para bloquear celular roubado ou furtado; veja como funciona

Tecnologia está à disposição do cidadão na página da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Ideia é inutilizar o smartphone antes que o ladrão e o receptador possam usá-lo


postado em 07/07/2018 06:00 / atualizado em 07/07/2018 07:55

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Com apenas três cliques, uma pessoa que teve seu telefone celular roubado ou furtado agora consegue bloquear o aparelho no site da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) de Minas Gerais. A interrupção do funcionamento dos equipamentos pode ser feito por meio do novo sistema instalado e interligado on-line à Central de Bloqueio de Celulares (Cbloc) do estado (clique aqui para acessar), que poderá ser acionada por qualquer cidadão pela página da secretaria na internet, caso o registro da ocorrência tiver sido feito em até 48 horas. Essa possibilidade, segundo a pasta, aumenta as chances de que o smartphone seja inutilizado antes que possa ser usado pelo ladrão ou pelo receptador. Passado esse período, qualquer cidadão pode requerer o bloqueio em uma unidade das polícias Militar ou Civil.


Antes, seria necessário que o dono do aparelho tivesse a numeração da Identificação Internacional de Equipamento Móvel (Imei, na sigla em inglês), algo que nem sempre as pessoas anotam ou preservam nas caixas de aparelhos. O procedimento teria ainda de passar pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ou pela sua operadora, via telefone. Ontem, durante o lançamento oficial do serviço, o governador Fernando Pimentel chegou a declarar que essa é uma medida importante, apesar de se tratar de um crime de menor potencial ofensivo. “É um crime que incomoda demais a população, apesar de os números mostrarem que está recuando. Portanto, é uma iniciativa que traz um certo alívio”, disse o governador.


Com o bloqueio do aparelho, a Sesp informa que além da garantia de que o infrator não vai usar o aparelho, o crime se torna menos atrativo e o mercado clandestino desse tipo de equipamento fica menos rentável e procurado. A pasta destaca ainda que, de posse do aparelho, acabavam ficando expostas informações pessoais sensíveis, como mensagens de texto e até questões que envolvem segurança, como trajetos percorridos diariamente pelo dono, por meio dos aplicativos que acessam o GPS.

MENOS CRIMES. De acordo com dados da secretaria, entre janeiro e abril deste ano ocorreu uma redução de 27,6% nos registros de roubos e furtos de telefones celulares na comparação com o mesmo período de 2017. Ainda assim, o volume é considerado alto, com 16.651 aparelhos tendo sido levados de seus proprietários. Do total de roubos ocorridos no estado, 56,6% eram relativos ao de smartphones. O perfil de vítimas mais visado é de mulheres com idades entre 18 e 24 anos.

Outro objetivo é inibir o uso de celulares roubados na prática de outros crimes. Lojistas e transportadores também poderão bloquear os aparelhos que tiverem sido roubados de seus carregamentos. Mas, como ainda não há números vinculados a esses equipamentos, será necessário a uso do Imei.


Apesar de ter o aparelho bloqueado, o proprietário da linha não perde seu número, nem qualquer outro benefício de que disponha junto à sua operadora. Contudo, é importante que o cliente também informe à operadora sobre o crime e o bloqueio. O serviço de bloqueio imediato também abre a possibilidade de ter o aparelho de volta, caso seja apreendido em alguma operação policial. Recebendo a solicitação, do outro lado da conexão estarão profissionais da Secretaria de Segurança Pública que providenciarão a inutilização do celular junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em até 24 horas.

NÚMEROS. 
O hábito de usar o celular em qualquer momento é um grande atrativo para os bandidos. Tanto que o furto de celulares vem aumentando a cada ano em Belo Horizonte. Somente entre janeiro e março último, a média foi de 55,8 ocorrências desse tipo por dia, 27% a mais que no mesmo período do ano passado. Os roubos – casos em que o bem é retirado com uso de violência – tiveram queda no primeiro trimestre (veja quadro). Mesmo assim, a média não é muito diferente: foram 55,3 casos diários. Eventos onde existe aglomeração de pessoas – jogos ou festas públicas – criam o ambiente ideal para que esses números se mantenham em alta.


(foto: Arte/EM)
(foto: Arte/EM)
Para se ter uma ideia, no carnaval deste ano, foi o delito mais registrado pela Polícia Militar (PM). Mas não é somente assim que os criminosos agem. Basta um momento de distração. Segundo as estatísticas da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o crime vem aumentando de forma progressiva nos últimos três anos na capital mineira. No primeiro trimestre de 2018, foram 5.022 casos, contra 3.953 do mesmo período do ano passado. A diferença é ainda maior em comparação com 2016, quando foram 3.205 ocorrências. Em Minas Gerais,também há aumento do delito: foram 14.541 ocorrências até março deste ano, contra 14.122 no três primeiros meses de 2017.


Apesar de o número de roubos de celulares estar em queda na capital e no estado como um todo, o conjunto de crimes ainda é alto. Sempre considerando o período janeiro/março, neste ano foram 4.977 casos, menos que em 2017, quando houve 6.663 registros. Em Minas, ocorreram 12.921 roubos no período, contra 17.886 na mesma época do ano passado.

OCASIÃO FAZ O LADRÃO. Pessoas que roubam e furtam celulares normalmente se valem da distração e da vulnerabilidade das vítimas em potencial, que facilitam o “trabalho” dos criminosos. Por isso é preciso ter muita atenção. “Portas de escolas são um dos pontos vulneráveis, pois é onde os estudantes, até por serem menores, são visados. Então, o alerta é para que as pessoas, principalmente estudantes e idosos, não saiam com celulares nas mãos. Quando estão na rua, devem deixá-lo guardado no bolso, na mochila, na bolsa, e evitar colocar as bolsas para trás. O objetivo é não despertar a curiosidade dos ladrões, que agem em situação de oportunidade”, afirma o delegado José Luiz Quintão, da 3ª Delegacia da Polícia Civil.


Uma das formas de impedir o aumento dos roubos e furtos de celulares é o cerco aos receptadores, alvos frequentes de operações das polícias Civil e Militar. “O ladrão, o autor do furto ou roubo, normalmente não subtrai para uso próprio e, sim, para revenda. Existe o executor imediato e os mentores intelectuais, que são os cabeças, recebem o material e são responsáveis pelo reingresso no mercado. São os receptadores que incentivam esse mercado”, afirma o delegado.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade