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Estado de Minas

Temporada dos ipês chega para alegrar ruas de BH

Em florada fora de época atribuída ao clima, árvores das espécies amarela e rosa colorem vias de Belo Horizonte, antecipando um espetáculo que normalmente só ocorre no fim do inverno


postado em 07/07/2018 06:00 / atualizado em 07/07/2018 07:34

Variedade rosada dos ipês enfeita esquinas da Região Centro-Sul da capital. Especialista explica que floração é resultado do estresse da planta e da preparação para as sementes(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Variedade rosada dos ipês enfeita esquinas da Região Centro-Sul da capital. Especialista explica que floração é resultado do estresse da planta e da preparação para as sementes (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
A paisagem da cidade começa a mudar. Se o verde-amarelo ontem perdeu um pouco do brilho, com a eliminação do Brasil na Copa da Rússia, em algumas vias de Belo Horizonte a imponência dos ipês já marca território, atraindo olhares e o foco de celulares na pose para foto. Este ano, os tons amarelo e rosa chegaram mais cedo que o previsto, para um brinde de contrastes entre o concreto e a exuberância das árvores, as cores fortes das flores e o incontestável azul do céu de inverno. Previstos para o fim da estação – rosa nos meses de julho e agosto e amarelo, em setembro –, neste ano as variedades anteciparam a floração. O tempo seco é a razão para o fenômeno.


Na Avenida Afonso Pena, os ipês-rosas chamam a atenção em vários pontos. Alguns dos espécimes mais bonitos estão na Avenida Afonso Pena, em frente ao Palácio das Artes, no Centro, diante do Museu dos Brinquedos e na altura das ruas Piauí e Santa Rita Durão, no Bairro Funcionários. Na BR-356, o espetáculo fica por conta de um lindo exemplar de flores amarelas. Tanta beleza, no entanto, tem um preço: ela existe em decorrência do estresse da árvore.


Sua floração é muito sensível à condição climática imediatamente anterior, conforme explica o professor e pesquisador de ecologia e evolução da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) Sérvio Pontes Ribeiro. “Se há um conjunto longo de dias secos e um pouco de calor associado, aumenta o estresse que a árvore está sofrendo. Esse é o gatilho para a floração”, diz.

Na BR-356, flores que tingem as copas de amarelo são ainda mais precoces(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Na BR-356, flores que tingem as copas de amarelo são ainda mais precoces (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
“Em um ano normal, o estresse vai aumentando e, no fim da estação, vem a seca – porque para a planta, o inverno é a seca. Lá na frente, depois de muito tempo nessa situação, ela está sendo alertada de que, em pouco tempo será primavera. E o estresse passa”, relata. “Isso se acumula até que a planta responda para a primeira chuva, por meio das sementes. O ipê produz uma grande quantidade de flor para, nos últimos dias do inverno, produzir as sementes que germinarão nas próximas chuvas. Mas elas são muito frágeis e com três meses se perdem. Por isso, é importante que caiam no período chuvoso.”

O professor lembra um dito popular de pessoas do interior: “Semente de ipê não cai na poeira”. Ou pelo menos não caía, quando o clima tinha certa regularidade. Se antes, o surgimento da semente de um dos símbolos do cerrado era sinal de água, agora, não necessariamente. “O estresse já está no pico e a árvore percebeu, já que seu relógio não é cronológico. Este ano, a produção de semente, provavelmente, será antecipada e não haverá germinação.”


O ipê-rosa é o mais comum, com 9.665 mil exemplares e com floração sempre em julho e agosto(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
O ipê-rosa é o mais comum, com 9.665 mil exemplares e com floração sempre em julho e agosto (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Quem não mora em BH e olhar, mesmo que rapidamente ao redor, vai entender que é fácil encontrar um ipê pelas ruas da capital mineira. E não é para menos. Das 300 mil árvores existentes em BH, eles são os mais frequentes, com 27,1 mil exemplares (9% do total), conforme aponta o inventário das árvores de BH. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, nove espécies estão distribuídas nas regionais Leste, Oeste, Noroeste, Centro-Sul e Pampulha.


O rosa é o mais comum, com 9.665 mil exemplares e com floração sempre em julho e agosto. Já a espécie mais rara é o ipê-verde, que tem apenas 20 unidades na capital. A cidade tem ainda ipês nas cores tabaco (6.034), amarelo (2.807), roxo (2.612) e branco (2.446), além das variedades mirim (2.475), sete-folhas (901) e do-cerrado (140).

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