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Estado de Minas

Em 3 meses, Belo Horizonte registra 185 casos de dano ao patrimônio

Na noite de quarta-feira, psicóloga foi presa após quebrar uma estátua na Praça da Estação


postado em 29/06/2018 06:00 / atualizado em 29/06/2018 08:35

Pedestal onde ficava a Ninfa amanheceu vazio(foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)
Pedestal onde ficava a Ninfa amanheceu vazio (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)

Amanheceu vazio ontem o pedestal que abrigava a Ninfa, uma das quatro estátuas a representar as quatro estações do ano nos jardins da Praça Rui Barbosa, a popular Estação, no Hipercentro de Belo Horizonte. A estátua foi quebrada anteontem à noite por uma mulher que, segundo a Guarda Municipal, estava “alterada”. Esse não foi o primeiro ataque registrado pela corporação. De janeiro a maio, foram 185 ocorrências de danos diversos ao patrimônio público, o que dá 1,4 ocorrência por dia de vandalismo, e outras 27 ocorrências especificamente de pichação.

Fosse original, teria valor inestimável. Felizmente, é uma réplica e o tamanho do prejuízo só será conhecido depois de concluído o orçamento de intervenções pelas quais a Praça da Estação e suas obras devem passar ainda este ano. Eram 20h45 de quarta-feira, quando guardas municipais, que faziam patrulhamento na praça, foram informados pelo Centro Integrado de Operações (COP-BH) que as câmeras haviam captado a imagem da estátua sendo destruída. Eles foram para o local, onde prenderam em flagrante a acusada, uma psicóloga de 45 anos. Com ela, os guardas municipais apreenderam “uma pequena quantidade de erva semelhante a maconha”, informou a corporação. A mulher foi algemada e encaminhada à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) Centro-Sul. Depois de receber atendimento, foi levada à Central de Flagrantes da Polícia Civil (Ceflan 2), de onde foi transferida para o sistema prisional. 

PROCESSO
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) não deu detalhes sobre a revitalização da praça, que não deve contemplar todo o conjunto. Informou que a Diretoria de Patrimônio da Fundação Municipal de Cultura (FMC) tem um recurso – o valor também não foi divulgado – e, junto com o Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha), está fazendo orçamentos para saber onde o dinheiro poderá ser aplicado. O que não estava previsto até então era que parte dele fosse usado para construir uma nova réplica. Por enquanto, a base da Ninfa continuará vazia e só receberá nova hóspede durante as ações de restauro da Rui Barbosa. 

VERÃO 
De acordo com inventário dos monumentos de BH elaborado pela Belotur, em 2008, a Ninfa é a estátua feminina que representa o verão. O nome do artista não está identificado no documento. A estátua original é feita em mármore branco de carrara e sua data remete ao ano de 1924. De acordo com a PBH, o jornal Minas Gerais de 7 de setembro de 1926, que relata a inauguração dos jardins da Praça da Estação, cita a instalação das quatro estátuas que representam verão, inverno, outono e primavera.  As peças da Praça da Estação são réplicas das originais, que estão no Museu de Artes e Ofícios, também localizado na praça. As cópias foram feitas de resina e pó de mármore. A Ninfa destruída era de gesso.

 

 

Tigres vandalizados


(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press - 29/08/2017)
(foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press - 29/08/2017)

Em setembro de 2017, uma das duas réplicas de estátuas de tigres do conjunto arquitetônico da Praça Rui Barbosa foi alvo de vandalismo, ao ser arrancada de seu pedestal e quebrada. Alvo de constantes ataques, principalmente pichadores, em outubro de 2014, a estátua já havia sofrido uma depredação de maior porte, ao ser incendida por um casal de adolescentes. Em 1926, a cidade começou a se preocupar com o embelezamento artístico de seus jardins. O prefeito na época, Dr. Flávio dos Santos, deixou como marca de sua gestão as esculturas dos dois tigres e dois leões, ambos colocados nos jardins da praça, reinaugurada em 7 de setembro de 1926, depois de uma remodelação radical da antiga praça, inaugurada em 4 de setembro de 1906.

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