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Estado de Minas

Bombeiros atravessam dois prédios no Hipercentro de BH a 90 metros de altura

Atividade que usa um cabo ligando os dois edifícios faz parte do curso de salvamento em altura da corporação. Método pode ser usado para salvamento de vítimas em incêndios que bloqueiam as saídas de emergência


postado em 26/06/2018 10:24 / atualizado em 27/06/2018 07:33



“A gente balança um pouco, mas pensa em um bem maior que é salvar uma vida. Então, deixamos o medo de lado e vamos em frente.” A frase do soldado Michel da Silva Cruz, lotado no 9º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Pouso Alegre, no Sul de Minas, expressa a responsabilidade de cumprir uma das atividades do curso de salvamento, que na manhã desta terça-feira representou um desafio gigante em Belo Horizonte. Bombeiros que buscam especialização em ocorrências envolvendo grandes alturas atravessaram um percurso entre dois prédios do Hipercentro de BH em um cabo erguido a 90 metros do chão. Além disso, os militares fizeram também um rapel do prédio do Hotel Othon Palace. Tudo isso com o objetivo de treinar procedimentos que podem ser usados para resgatar vítimas quando as saídas de emergência de grandes edifícios estiverem interrompidas ou elas estejam presas do lado de fora.

“É a primeira vez que faço uma travessia nessa altura. A sensação é muito boa porque completar a atividade traz o sentimento de dever cumprido”, diz o soldado Michel Cruz. Ele atravessou os edifícios Helena Passig, cuja entrada fica na Rua Rio de Janeiro, e Antônio Braga, na Avenida Afonso Pena, preso apenas em um cabo erguido a 90 metros de altura. Cada prédio está de um lado da Afonso Pena, bem na Praça Sete, no coração da cidade. Segundo o capitão Rafael Neves Cosendey, coordenador do curso de salvamento em altura dos bombeiros, a travessia faz parte das atividades para especialização nesse tipo de resgate, principalmente quando há vítimas. Participaram do treinamento 23 alunos e 13 instrutores.

“Esse é um treinamento do tipo rota de fuga que seria uma possibilidade de evacuação de vítimas caso as saídas de emergência estivessem interrompidas por um incêndio ou desabamento”, explica o militar. Esse procedimento chegou a ser pensado para a atuação dos bombeiros paulistas no caso do prédio que pegou fogo recentemente no Centro de São Paulo, mas como a estrutura desabou, não foi possível usar o método. O capitão explica que o militar que faz a travessia fica preso ao cabo suspenso com equipamentos de proteção individual como mosquetões e cadeiras presas às pernas e ao tronco dos alunos. O sistema permite, inclusive, transportar vítimas inconscientes posicionadas em macas, caso seja necessário. “Os equipamentos usados são reconhecidos e homologados com padrões internacionais voltados para a segurança da atividade de altura”, diz o capitão.


Soldado faz a travessia entre os edifícios preso a um cabo erguido a 90 metros de altura(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Soldado faz a travessia entre os edifícios preso a um cabo erguido a 90 metros de altura (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

O curso de salvamento prevê também um módulo de descidas de rapel, outra forma de resgate de vítimas. As descidas foram feitas do prédio do Hotel Othon Palace, no Centro de BH, que tem 25 andares. O sargento Márcio Soares explica que, nessa possibilidade, há vários perfis de vítimas que podem ser resgatadas: “Tentativas de suicídio, pessoas que ficam presas na parte externa da edificação, normalmente faxineiras ou outras que mexem com limpeza e com obras”. O sargento lembra que quem controla o rapel é o militar que faz a descida, mas um bombeiro fica na parte de baixo de sobreaviso. “Se der alguma pane ou ele sentir um mal súbito e soltar a corda, nós simplesmente travamos a corda e o bombeiro para lá em cima”, explica. O cabo Felipe Carvalho diz que não sente medo na descida, mas sim emoção, pois já é experimentado nessa prática. “Uma moça estava limpando uma janela do lado de fora (do prédio) e ficou um pouco agarrada. A gente desceu de rapel, colocou uma cadeirinha e terminou de descê-la”, afirma.


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