Publicidade

Estado de Minas

Renova recebe autorização para instalar canteiro de obras do novo Bento Rodrigues

Apesar da liberação para iniciar a mobilização na região que vai receber novas casas, empresa ainda não pediu a licença ambiental das intervenções


postado em 05/05/2018 06:00 / atualizado em 06/05/2018 13:13

Ruínas de Bento Rodrigues, devastado pelo tsunami de lama(foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS - 03/10/17)
Ruínas de Bento Rodrigues, devastado pelo tsunami de lama (foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS - 03/10/17)
Um novo passo foi dado para a realocação dos antigos moradores de Bento Rodrigues, subdistrito destruído pelo mar de lama consequente do rompimento da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, em 5 de novembro de 2015, em Mariana, Região Central de Minas Gerais. A Fundação Renova – criada para lidar com os danos provocados pelo desastre da Samarco – recebeu a autorização para instalar o canteiro de obras no terreno escolhido pela comunidade atingida para a construção do novo distrito. O comunicado foi feito pela Superintendência de Projetos Prioritários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Minas Gerais (Semad) em 27 de abril e o prazo para a mobilização da empresa é de cerca de 30 dias. Porém, o início das obras continua incerto, uma vez que sua instalação depende de licença ambiental ainda não pedida pela Renova.

O novo distrito deverá preservar ao máximo as características originais e os aspectos patrimoniais, urbanísticos e culturais – sobretudo a relação com a vizinhança – de Bento Rodrigues, devastado pelos rejeitos que provocaram a morte 19 pessoas, na maior tragédia socioambiental do país. Em 8 de fevereiro, o projeto urbanístico conceitual do reassentamento do novo subdistrito de Mariana foi aprovado pela maioria das famílias, que perderam tudo na tragédia. Foram 179 votos favoráveis ao projeto do total de 180 válidos das famílias desabrigadas. Segundo a Fundação Renova, ficou decido que serão entregues lotes com tamanho igual ou superior a 250 metros quadrados. Os moradores que tinham moradias maiores receberão novas residências de acordo dimensões combinadas.

A expectativa é de que o novo Bento Rodrigues fique pronto em março de 2019. Com 98 hectares, o terreno, na localidade de Lavoura, fica a oito quilômetros do subdistrito destruído pela lama. “A implantação do canteiro tem o objetivo de antecipar a construção dos escritórios e estruturas de apoio das empresas que executarão as obras”, informou a Fundação Renova, por meio de nota. O próximo passo é concluir a obtenção dos documentos necessários para a formalização do pedido de licença ambiental para a construção efetiva do distrito. Porém, ainda sem data prevista para o pedido por parte da empresa.

Posteriormente, será iniciada a supressão vegetal e, em seguida, a terraplanagem, para que seja iniciada a fase de construção de toda a infraestrutura e execução dos projetos de pavimentação, drenagem, redes de esgoto, distribuição de água e de energia. Paralelamente às obras de infraestrutura, o objetivo é que se iniciem as discussões, com cada família, sobre a arquitetura de suas casas. O ideal é que ao término das obras urbanas, os projetos arquitetônicos individuais das residências estejam concluídos, o que permitirá o início imediato das construções.

PRECARIEDADE
Depois de mais de dois anos do desastre, a definição do projeto e o início da implementação do canteiro de obras são avanços para que os atingidos resgatem o convívio comunitário – já que depois que o subdistritos foi devastado, eles foram abrigados em imóveis alugados na cidade de Mariana. O Estado de Minas já mostrou em reportagens o descontentamento das vítimas nas casas improvisadas na cidade, onde não escolheram morar. Em sua maioria, elas sofrem a perda do que consideram uma vida com mais qualidade na roça, fora da “cidade grande”. Os problemas são muitos, entre eles, a distância que se estabeleceu entre parentes e a dificuldade de cultivar alimentos para o próprio sustento. O terreno da lavoura, de aproximadamente 98 hectares, foi escolhido pela comunidade em maio de 2016.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade