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Estado de Minas

Pais fazem pressão por volta às aulas nas escolas particulares de BH

Professores e instituições de ensino voltam a se reunir hoje para tentar um acordo e pôr fim a greve, mantida em assembleia na segunda. Pais cobram solução para garantir aulas


postado em 02/05/2018 06:00 / atualizado em 02/05/2018 19:20

Assembleia de educadores, que decidiram manter a greve: impasse sobre cláusula salarial e outros três pontos (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Assembleia de educadores, que decidiram manter a greve: impasse sobre cláusula salarial e outros três pontos (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

Dia de expectativa para pais, professores e escolas. Está marcada para hoje uma nova manifestação dos educadores da rede particular e mais uma rodada de negociação com os donos dos estabelecimentos de ensino, que vai decidir os rumos da greve dos docentes. Na segunda-feira, em reunião da categoria, eles votaram a manutenção da paralisação das aulas em Belo Horizonte e Região Metropolitana. O protesto está marcado para as 9h30, na porta da sede do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG). Às 14h30, um novo encontro está agendado entre as partes, no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG). Depois, as propostas serão discutidas em assembleia na mesma data. Os educadores pedem, entre outras coisas, reajuste salarial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais 3% de ganho real.

Ontem, discussões nas redes sociais indicavam a tensão provocada pelo movimento. Pais tentavam se mobilizar para cobrar a oferta de aulas com professores substitutos e até protestos. Enquanto isso, representantes dos docentes, liderados pelo Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas) se reuniam para discutir suas próximas ações e verificar a adesão ao movimento. Eles não divulgaram os resultados da discussão. O Sinep, por sua vez, voltou a afirmar que o total de escolas paradas é pequeno diante do universo de 3.650 instituições associadas à entidade, mas ressaltou que o prejuízo é grande, considerando o número de alunos afetados. O total de estudantes sem aula, entretanto, não foi informado. Até agora, foram perdidos três dias de aula nas instituições onde houve paralisação.

Insatisfeitos com a interrupção nas aulas, grupos de pais de alunos matriculados em instituições da rede particular de Belo Horizonte mobilizam-se em redes sociais para cobrar providências da direção das escolas para que a rotina de aprendizagem dos filhos seja retomada. Alguns afirmaram que apoiam a greve dos professores, mas cobram a contratação de docentes substitutos ou monitores para que os filhos não fiquem sem aulas.

“Não queremos dispensa de professores do quadro, porque eles são indispensáveis. Mas nem a escola pode prever o início e o término da greve. Então, defendo que contratem substitutos ou estagiários, para propor atividades que não interrompam o projeto educativo da criança”, disse ao Estado de Minas o servidor público Abanir Aparecido Denardi, de 45 anos, que tem uma filha, de oito anos, matriculada no Colégio Marista Dom Silvério, um dos que passaram o dia discutindo a questão em um grupo de pais.

Outro pensamento compartilhado entre os pais é sobre a postura das instituições durante as paralisações. “Não sou contra a greve, é um direito do trabalhador, mas entendo que a escola como empresa da qual nós (pais) somos clientes. Então a escola não pode repassar o risco do negócio para os clientes. Precisa arrumar uma solução para não continuar prejudicando os alunos e a logística dos pais. Como uma instituição com valor alto de mensalidade deixa a situação chegar a esse ponto? Sou a favor dos professores, mas acho que a escola deveria gerenciar melhor essa questão”, complementou a também servidora pública Jaqueline Somavilla, de 35 anos, mãe de duas alunas da educação infantil do Colégio Marista Dom Silvério.  Pais prometem fazer manifestações caso a questão não se resolva de imediato.

Durante sete horas de negociação em reunião de conciliação no TRT, na segunda-feira, foram discutidos 10 pontos propostos pelos patrões, mas houve impasse em três deles: o reajuste de salários, a homologação de rescisão de contrato diante das alterações trazidas pela reforma trabalhista; e as contribuições ao Sinpro-MG. Ao fim da audiência, o Sinpro/MG apresentou uma nova exigência: garantia de não punição decorrente da greve e estabilidade durante todo o ano letivo.

Para o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG), houve “grandes avanços”, considerando os 10 pontos propostos pela entidade na audiência de conciliação. Entre eles estão a transferência de disciplina do professor; férias coletivas; a licença não-remunerada, aposentando (cláusula que assegura ao professor a garantia contra a rescisão imotivada nos 12 meses que antecedem a data prevista em lei para a complementação do tempo para aposentadoria voluntária); o quadro hierárquico; a multa por descumprimento da convenção coletiva de trabalho (CCT) e rescisão imotivada no transcurso do ano letivo.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
Segundo a presidente do Sinpro, entretanto, os professores “abriram mão” de exigir a manutenção do acordo coletivo anterior em parte dessas cláusulas para “demonstrar que a categoria não está sendo intransigente”. Na semana passada, o Sinep também já havia dado um passo no sentido da negociação ao recuou em pontos polêmicos de sua proposta e manter na forma em que estão previstos na convenção coletiva atual a maior parte de suas cláusulas, incluindo direitos como bolsas de estudos, adicional por tempo de serviço, adicional extraclasse e o tempo de intervalo entre aulas.

Numa das questões mais delicadas, a entidade sustentava que não tinha a intenção de acabar com as bolsas (concedidas a filhos de professores), mas de regularizar a situação. “Há professor que dá duas aulas de higiene bucal, por exemplo, e cujo filho tem bolsa na escola, e professor de matemática com 25 horas/aula que não tem o benefício”, informou, por meio da assessoria de imprensa. Naquela ocasião, o Sinep propôs reajuste seguindo o INPC (1,56%), pouco acima do que havia sido cogitado anteriormente (1%). *Estagiário sob supervisão da subeditora Rachel Botelho

 

Instituições paradas

 

Levantamento feito ontem pelo Estado de Minas, com base informações repassadas pelos pais por meio de redes sociais, aponta que pelo menos 10 escolas avisaram que vão parar hoje: Santo Agostinho – Unidade Belo Horizonte, Marista Dom Silvério, Escola da Serra, Sagrado Coração de Maria, Nossa Senhora das dores e Loyola. Os colégios Padre Eustáquio e Magnum vão parar, mas oferecerão atividades com as crianças e adolescentes que forem à escola.

Pelo balanço do sindicato dos professores divulgado na quarta-feira, 60 escolas de BH e região metropolitana ficaram total ou parcialmente paradas. De acordo com o Sinep-MG, 13 colégios pararam totalmente: Loyola, Magnum Cidade Nova e Buritis, Imaculada Conceição, Marista Dom Silvério, Colégio Padre Eustáquio, Sagrado Coração de Maria, São Miguel Arcanjo, Colégio São Paulo, Escola Balão Vermelho, Gaivotas e Obra Social José Operário.

Em outros nove as atividades foram parcialmente paralisadas na capital, entre elas Colégio Arnaldo, Colégio Batista, Nossa Senhora das Dores e São José. Além da Fumec, os centros universitários UNA e UNI-BH informaram greves parciais. No primeiro, a maioria dos docentes de comunicação e artes do câmpus da Praça da Liberdade e a Faculdade de Saúde aderiu. Em outros cursos, o percentual ficou entre 20% e 30%. No segundo, apenas 10% da instituição aderiu ao movimento, segundo informações repassadas pela instituição ao sindicato patronal. Os professores da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), por meio da Associação dos Docentes da PUC Minas (Adpuc), também confirmaram que se filiariam à greve da rede particular de educação.


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