Publicidade

Estado de Minas

Milhares de devotos pedem emprego e bênçãos a São José

No dia de São José, milhares de católicos se revezam em 10 missas no templo centenário dedicado ao santo na capital para pedir um emprego ou agradecer pela vaga conquistada


postado em 20/03/2018 06:00 / atualizado em 20/03/2018 17:35

Com a carteira de trabalho do marido, dona Hilda Rosa (à frente) reza por uma vaga para ele na Igreja São José. Em nota, a paróquia chama a atenção para o desemprego mundial (foto: Túlio Santos/EM/DA Press)
Com a carteira de trabalho do marido, dona Hilda Rosa (à frente) reza por uma vaga para ele na Igreja São José. Em nota, a paróquia chama a atenção para o desemprego mundial (foto: Túlio Santos/EM/DA Press)

Mãos esperançosas erguendo a carteira de trabalho ou agradecidas, com o crachá no peito, pelo emprego conquistado. Terços entre os dedos na oração pela paz e braços dados em prol das famílias. No dia de São José, comemorado ontem, milhares de católicos participaram das cerimônias religiosas no templo centenário da Avenida Afonso Pena, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Nas 10 missas celebradas desde o início da manhã – a última, às 20h, foi presidida pelo arcebispo metropolitano dom Walmor Oliveira de Azevedo e concelebrada com os missionários redentoristas da Igreja São José –, houve a distribuição de cerca de 25 mil hóstias.

“São José é o padroeiro das famílias e dos trabalhadores. É um homem justo”, disse o titular da Paróquia São José, padre Nelson Antônio Linhares, durante a recitação do terço à tarde. “Mesmo com a grande massa de brasileiros sem ocupação e com a desagregação familiar, não se pode fraquejar. Precisamos manter acesa a chama da esperança e ter perseverança. Mas é fundamental também que haja políticas públicas para melhorar a situação, assim como devem ter fim a corrupção, a ganância e a ambição”, afirmou o pároco.

Com os olhos no altar, a moradora do Bairro Miramar, na Região do Barreiro, Hilda Patrícia Rosa, levantou a carteira de trabalho do marido Oziris Ferreira Matos, de 62 anos, que vive o pesadelo do desemprego há um ano e dois meses. “Estou fazendo a novena para São José e peço a intercessão dele para que Deus abra as portas. Meu marido é gari e está numa idade em que arrumar serviço fica mais difícil”, contou Hilda. Durante a novena em louvor ao pai adotivo de Jesus, passaram pela paróquia cerca de 70 mil fiéis.

Um casal de Contagem, na Grande BH, se unia em preces por diferentes motivos. Fiscal de uma loja, Antônio Carlos Ferreira dos Santos, de 43, era só gratidão ao elevar o crachá do estabelecimento onde trabalha. Já a mulher, Lucília da Silva Souza, técnica em contabilidade, rezava com devoção para reconquistar um lugar no mercado. “Ficar sem trabalho é ruim demais. Estou há nove meses desempregada”, lamentou Lucília. De mãos dadas, os dois garantiram que não perdem a fé e continuam na expectativa de tudo melhorar”. 

"Mesmo com a grande massa de brasileiros sem ocupação e com a desagregação familiar naõ se pode fraquejar. Precisamos manter acesa a chama da esperança e ter perseverança"

Padre Nelson Antônio Linhares



ALEGRIA
Durante a missa das 16h, celebrada pelo vigário paroquial, padre Flávio Campos, a bancária Jane Cândido se aproximou da imagem de São José, no altar lateral enfeitado com flores nos tons laranja e amarelo. “Trabalho aqui perto e passo na igreja todos os dias. Sou de Bauru (SP) e logo que cheguei a BH fiquei maravilhada, encantada, por ter uma igreja dedicada ao santo de minha devoção. Meu pai ajudou na implantação da paróquia em nossa cidade. Estar aqui hoje é motivo de grande felicidade.”

Nas missas da tarde, ficava até difícil andar dentro da igreja, tal a multidão, mas o clima de emoção era tão intenso que ninguém estava se incomodando com o calor. No intervalo das missas, homens e mulheres se ajoelhavam diante das imagens do padroeiro em vários cantos do templo, rezavam o terço em silêncio absoluto nos bancos e até faziam selfies com os padres. Do lado de fora, muitos passaram pelas barraquinhas com voluntários divulgando o trabalho de restauração da igreja, dentro da campanha São José é 10, que busca recursos para término da obra.

No adro da igreja, onde havia barraquinhas, o vendedor Edmar Nogueira de Freitas, de 36, morador do Bairro Caiçara, na Região Noroeste, procurou um lugar tranquilo para rezar. De olhos fechados e com a mão sobre a imagem de São José, Edmar preferiu fazer agradecimento. “Estou pedindo pela saúde. Sou devoto também de São Francisco de Assis.” 

DESEMPREGO
O padre Nélson chamou atenção para o Ano do Laicato, lembrando que leigos são os católicos praticantes. E muitos deles estão desempregados. Em nota, a paróquia mostrou dados da crise no mundo: “A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, entre 2016 e 2017, o exército de desempregados no planeta aumentará em 3,4 milhões. Mas o epicentro dessa crise será o Brasil, responsável por 35% desse número. Uma pesquisa realizada pelo IBGE confirma essa estimativa e já revela o pior índice de taxa de desemprego no Brasil desde 2012. Em janeiro de 2018, o desemprego fica em 12,2% e atinge 12,7 milhões de pessoas. Em Minas, já são mais de 1 milhão de pessoas sem emprego. No ranking das cidades pesquisadas, Belo Horizonte, ocupa o 4º lugar, onde o desemprego cresceu (de 4,1% para 6,9%), ficando atrás apenas das regiões metropolitanas de São Paulo (de 7,0% para 8,1%). Para chamar atenção para esses números alarmantes e em sintonia com a Igreja Católica do Brasil, a Igreja São José, na Festa do Padroeiro, reflete sobre os cristãos leigos na Igreja e na sociedade”.

Palco de manifestações


A escadaria da Igreja São José, no Centro de Belo Horizonte, sempre foi palco de todos os tipos de manifestação. Em 7 de setembro de 1940, religiosos de várias cidades participaram do 4º Congresso Eucarístico Nacional, que teve entre seus objetivos as orações pela paz. Nos seus 90 anos, completados no dia 7, o Estado de Minas vem acompanhando a história da Igreja São José, considerada uma das mais bonitas da capital e com milhares de visitantes no dia a dia. As obras de restauro seguem aceleradas e a pintura recuperou as cores e o desenho do início do século passado.
(foto: Arquivo EM - 7/9/1940)
(foto: Arquivo EM - 7/9/1940)

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade