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Estado de Minas

Aborto clandestino entra na pauta nos atos do Dia Internacional da Mulher

A participação feminina na política e a luta pela inclusão nos espaços de poder também foram alguns dos temas abordados na manifestação


postado em 09/03/2018 06:00 / atualizado em 09/03/2018 10:07

Mulheres que participavam de manifestações diversas em BH se juntaram em passeata no Centro de Belo Horizonte no início da noite(foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A Press)
Mulheres que participavam de manifestações diversas em BH se juntaram em passeata no Centro de Belo Horizonte no início da noite (foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A Press)

As ruas de Belo Horizonte se tornaram ontem palco do protagonismo da luta feminina contra a reforma trabalhista, contra a violência de gênero, a exclusão no mercado de trabalho, a violência doméstica e diversos outros tipos de opressão que as mulheres enfrentam até hoje. Entre tantas revindicações a saúde ganhou destaque, com alertas sobre os impactos do aborto clandestino e a violência obstétrica vivida por grávidas nos consultórios.

Na Praça Sete, no Centro de BH, um evento se estendeu por todo o dia, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais em parceria com dezenas de entidades de apoio à luta pelos direitos das mulheres, e integrou a programação especial Mulheres na Luta por Direitos: Resistência, Poder e Democracia. No início da noite, mulheres que participavam de outras manifestações se integraram ao grupo, numa passeata, que parou o trânsito na região.

A bandeira pela legalização do aborto estava por todas as partes – tanto em cartazes e faixas quanto em mensagens estampadas nos corpos das mulheres. “Ser mulher é sinônimo de resistência. Temos uma história marcada por opressão e privação de direitos. A mulher tem direito de escolher uma gravidez, que traz outras consequências em sua vida. Não cabe à Igreja ou ao Estado fazer essa escolha,” disse a militante Graziele Gonçalves da Silva, de 26 anos.

Em uma das mesas de debates, a Rede Feminista Nacional de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos tratou tanto da dificuldade das mulheres ao acesso legal do aborto quanto das consequências do procedimento clandestino. “A questão central abordada foi: por que o capitalismo explora o corpo das mulheres? Esse sistema explora nossos corpos, nossa sexualidade e a nossa reprodução”, afirmou Ermelinda de Melo, representante da Rede.

Para Celinha Gonçalves, coordenadora do Centro Nacional Africanidade e Resistência Afro-Brasileira, a interrupção da gravidez de forma ilegal ocorre independentemente da opinião pública. “Mas quem passa por constrangimento ao fazer um aborto, quem passa pelo aborto malfeito, quem morre na mesa de cirurgia ao fazer um aborto hoje em dia é a mulher negra, a mulher pobre. A mulher ‘do asfalto’ vai pagar uma clínica particular. Essa é a grande diferença,” afirmou.

 

Mulher na política 

 

A participação feminina na política brasileira e a luta pela inclusão nos espaços de poder também foram alguns dos temas fortes abordados. “As mulheres representam menos de 10% do Parlamento mineiro, o que significa que as pautas femininas acabam sendo decididas por homens. Foi o caso da votação sobre a legalização do aborto, que reuniu uma comissão em que havia apenas uma mulher. Isso mostra a exclusão das mulheres no campo político”, argumentou a professora Marlise Matos, do Departamento de Ciência Política da UFMG.

 

Ela coordenou a roda de conversa “Mulheres na Política: reinventar a democracia”. No ano passado, 18 homens aprovaram, em comissão especial, a chamada PEC “Cavalo de Troia” – que determina que “a vida começa desde a concepção” e pode barrar a descriminalização do aborto, inclusive, nos casos em já a prática já é permitida: gravidez em consequência de estupro, anencefalia do feto ou gravidez com risco de morte para a mãe. (LR e Silvia Pires*)


*Estagiária sob supervisão do editor Roney Garcia

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