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Estado de Minas

Após intervenção no Rio de Janeiro, Exército aumenta fiscalização na BR-040

Áreas mineiras limítrofes com o Rio ganharam policiamento reforçado e terão centro de comando. Enquanto isso, secretários do Sudeste pedem ao ministro da Justiça ação conjunta para lidar com reflexos da intervenção militar na segurança pública fluminense


postado em 23/02/2018 06:00 / atualizado em 23/02/2018 08:27

Militares do Exército na BR-040, na Zona da Mata mineira, em operação respaldada pelo decreto presidencial de Garantia da Lei e da Ordem(foto: 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha)/Divulgação)
Militares do Exército na BR-040, na Zona da Mata mineira, em operação respaldada pelo decreto presidencial de Garantia da Lei e da Ordem (foto: 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha)/Divulgação)
As cúpulas de segurança pública de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo planejam se reunir nos próximos dias para alinhar uma estratégia conjunta de policiamento nas divisas com o Rio de Janeiro. Autoridade dos vizinhos do Sudeste se movimentam no sentido de criar uma barreira contra a possível migração de criminosos, armas e drogas durante a intervenção federal na segurança pública fluminense. Em território mineiro, a segurança já está reforçada, e não apenas pelas forças de segurança estaduais. Com base no decreto de Garantia da Lei e da Ordem, assinado no ano passado pelo presidente Michel Temer (MDB), a 4ª Brigada de Infantaria Leve do Exército, de Juiz de fora, vem promovendo fiscalização na BR-040, em Sapucaia, Três Rios e Além Paraíba, na Zona da Mata, nas vizinhanças do Rio. Os militares estão de prontidão para atuar caso sejam acionados para ações específicas. O ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse ontem que haverá “cooperação política, financeira e operacional” com os estados.


As estratégias que serão adotadas nas divisas do Rio de Janeiro começaram a ser traçadas ontem, em encontro entre secretários de segurança de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo com o ministro da Justiça, na capital paulista. Na ocasião, foram abordadas possíveis consequências em estados vizinhos da intervenção na segurança fluminense. “Quando soubemos da intervenção federal no Rio de Janeiro, nasceu essa preocupação de Minas, no sentido de conhecer o que vai ser realizado, para que possamos fazer o dever de casa com relação à contenção (de uma eventual migração de criminosos). Uma forma de colaborar com o Rio de Janeiro dentro do estilo de cooperação federal”, disse, depois do encontro de ontem, o secretário de estado de Segurança Pública de Minas Gerais, Sérgio Barboza Menezes, que pediu união de forças estaduais e federais para tratar da questão.

Na última segunda-feira, após reunião com o governador Fernando Pimentel (PT), o comandante-geral da Polícia Militar mineira, coronel Helbert Figueiró de Lourdes, já tinha confirmado o reforço e monitoramento das divisas, deflagrado no sábado anterior. Na ocasião, disse que “não permitirá a migração da criminalidade para Minas”. Uma das providências estudadas para lidar com o desafio é a reativação do Comitê Executivo de Segurança Integrado Regional (Cesir), já adotado durante eventos como a Olimpíada’2016, no qual vários órgãos poderão atuar em conjunto para tomar decisões estratégicas rapidamente.

Na reunião de ontem, o secretário Sérgio Menezes pediu ao ministro Torquato Jardim a reativação do Cesir nos quatro estados do Sudeste. O comitê mineiro funciona por meio do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), uma carreta que conta com tecnologia interna, câmeras com quilômetros de alcance dotadas de com visão térmica e noturna (veja arte). No espaço, representantes de diferentes órgãos podem se reunir para traçar rotas de ação. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a previsão inicial é de que o veículo seja encaminhado a Juiz de Fora, na rota de ligação com o Rio de Janeiro.

(foto: Arte/EM)
(foto: Arte/EM)

Estratégias e número de agentes que reforçaram a segurança nas divisas do estado não foram detalhados pela pasta, por serem consideradas informações estratégicas. Porém, já está definido que uma superestrutura de segurança para vigilância das áreas limítrofes será usada em estradas que passam por cidades vizinhas ao estado do Rio, como Juiz de Fora.

Entre segunda e terça-feira, algumas dessas ações já foram promovidas por militares da 4ª Brigada de Infantaria Leve (Montanha), que atuaram na BR-040 em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal e órgãos de segurança fluminenses. “A operação ocorreu no âmbito do decreto de Garantia da Lei e da Ordem. Foram 24 horas de fiscalização. Tivemos pequenas ocorrências, como apreensão de drogas e autuação de pessoas, mas nenhum episódio de relevância”, disse o coronel do Exército Malbatan Leal, chefe de comunicação social da divisão.

A fiscalização contou com aproximadamente 200 militares do Exército. O coronel ressalta que a brigada ainda não foi acionada pelo interventor, general Walter Souza Braga Netto, de 60 anos, comandante do Comando Militar do Leste. “Por enquanto, a fase é de diagnóstico e planejamento da operação. Não há (como parte da operação de intervenção no Rio) nenhuma ação com a participação da brigada (de Juiz de Fora). Apenas permanecemos prontos para agir se solicitados”, completou o coronel.

AJUDA O ministro da Justiça, Torquato Jardim, anunciou, após o encontro com os secretários estaduais, uma ação integrada entre São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, embora garanta que a maior preocupação não é com a possível migração de criminosos, mas sim em conter eventual fluxo de armas e drogas durante a intervenção na segurança fluminense. O ministro não descartou ainda que haja ações de prevenção em estados que não façam divisa com o Rio. “Se a marola, a onda, virar tsunami, vamos realizar reuniões em tantos estados e regiões quantos se fizerem necessários”, disse. Ele acrescentou que a União pode socorrer os estados com auxílio financeiro e equipamentos, mas não garantiu nenhum valor específico.

 

Enquanto isso...

…BH tem cerco e prisões na Serra

Operação desencadeada pelo 22º Batalhão da Polícia Militar para combater o tráfico de drogas e armas e encontrar foragidos da Justiça promoveu um cerco ontem no Aglomerado da Serra, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Depois que as principais vias do conjunto de vilas foram bloqueadas, 14 pessoas foram detidas e mais de 50 quilos de drogas, apreendidos, além de radiocomunicadores e armamento. Ao todo, 120 policiais cumpriram 33 mandados, sendo 10 de prisão e 23 de busca e apreensão. “Tivemos um serviço de inteligência atuando nas últimas semanas. Conseguimos chegar a pontos que já estavam sendo monitorados e a marginais contumazes”, disse o tenente-coronel Fábio Almeida, comandante do 22º BPM, que não descarta outras ações nos próximos dias.

(foto: Polícia Militar/Divulgação)
(foto: Polícia Militar/Divulgação)

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