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Estado de Minas

Cancelada a reunião que discutiria projeto urbanístico para a nova Bento Rodrigues, em Mariana

Por recomendação do MPE-MG, comissão dos atingidos pelo rompimento da barragem de minério optaram pelo cancelamento de assembleia, para defender interesses das vítimas


postado em 26/01/2018 21:04 / atualizado em 26/01/2018 22:18

Moradores de Bento Rodrigues ficaram sem suas casas, destruídas pela lama(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Moradores de Bento Rodrigues ficaram sem suas casas, destruídas pela lama (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
A Assembleia de Validação do Projeto Urbanístico de Bento Rodrigues, em Mariana, Região Central do estado,  foi cancelada ontem por decisão da comissão dos moradores do subdistrito atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco, em novembro de 2015. O evento estava marcado para a manhã deste sábado, no Centro de Convenções da cidade, mas o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPE-MG), por meio do promotor da comarca, Guilherme de Sá Meneghin, instruiu os integrantes da comissão a não acatar a convocação para a reunião, visando proteger os interesses das vítimas.

De acordo com o MPE, a Fundação Renova, que foi instituída para reparar os danos do estouro da barragem, pretendia aprovar o projeto urbanístico da nova comunidade de Bento Rodrigues em assembleia sem as diretrizes de reassentamento que ainda estão em processo de construção por todos os atingidos. Por ocasião do rompimento do reservatório de rejeito de minério, o subdistrito foi completamente devastado. No que foi considerado o maior desastre ambiental do país no setor minerário, 19 pessoas morreram, dezenas ficaram feridas, além do dano ambiental à Bacia do Rio Doce.

Depois do anúncio do cancelamento pelo MPE, a Fundação Renova lamentou a suspensão da reunião. “Tendo em vista a série de etapas a serem cumpridas, que foram acordadas com as partes envolvidas, a fundação considerava fundamental a realização dessa assembleia. Entretanto, respeitando a decisão da Comissão de Atingidos de Bento Rodrigues, instruída pela Promotoria de Mariana, de não realizar a votação na data prevista, bem como em atenção à integridade física de todos os envolvidos, a Renova acatou o cancelamento da assembleia.”

A fundação informou ainda que, em reunião nesta sexta na Procuradoria-geral de Justiça de Minas Gerais, ficou marcada reunião para próxima quinta-feira, com participação da comissão de atingidos e da Promotoria de Mariana, entre outros órgãos envolvidos na questão, para tratar da continuidade do processo de reassentamento. De acordo com a Renova, a assembleia cancelada havia sido acordada no Grupo de Trabalho com a Comissão dos Atingidos, no começo deste mês, com a presença de assessoria técnica dos atingidos (Cáritas), Promotoria de Mariana e Fundação Renova.

“A aprovação do projeto é condição fundamental para que se dê continuidade ao processo de reassentamento. O conceito do projeto urbanístico foi debatido durante 23 oficinas realizadas nos meses de novembro e dezembro de 2017, com a participação de 164 famílias”, assinalou a nota da fundação. A Fundação Renova destacou que o projeto elaborado para o novo distrito tem como fundamento preservar, tanto quanto possível, as características culturais e sociais da comunidade de Bento Rodrigues. Assim, foi mantida a relação de vizinhança, a distribuição de equipamentos públicos, as características originais e os aspectos patrimoniais, urbanísticos e culturais.

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