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Estado de Minas

Personalidades lamentam morte de Flávio Henrique; veja repercussão

Músico faleceu nesta quinta-feira, em Belo Horizonte, com quadro agravado de febre amarela


postado em 18/01/2018 10:50 / atualizado em 18/01/2018 14:24

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)

A morte do músico Flávio Henrique Alves de Oliveira, de 49, anos, confirmada nesta quinta-feira em decorrência de complicações por febre amarela gerou comoção entre personalidades importantes. Flávio presidia a Empresa Mineira de Comunicação, à qual estão vinculadas a Rede Minas e a Rádio Inconfidência. Ele deixou esposa e uma filha. Foi de autoria dele o hit 'Na coxinha da madrasta', que marcou o 'reflorescimento' do Carnaval de BH, em 2012.

Flávio Henrique tinha 49 anos, deixou esposa e uma filha(foto: Divulgação)
Flávio Henrique tinha 49 anos, deixou esposa e uma filha (foto: Divulgação)
 

Nas redes sociais, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), publicou um vídeo prestando solidariedade à família e lembrou com carinho do cantor, "Flávio Henrique era um amigo querido, um grande homem, um grande artista. Hoje é um dia triste para Minas Gerais", disse. 

 

O arcebispo da arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Walmor de Oliveira Azevedo, também manifestou solidariedade pela morte de Flávio. "Nossa solidariedade aos familiares, amigos, colegas do Flávio Henrique, presidente da Empresa Mineira de Comunicação, que faleceu na manhã de hoje. Em oração, peço a Deus que conforte o coração de todos e acolha, em sua infinita misericórdia, nosso irmão Flávio Henrique," publicou o religioso no Twitter. 



Em nota, a Rede Minas e a Rádio Inconfidência lametaram a morte do gestor. "Seu sorriso, seu jeito carinhoso, sua dignidade e sua música ficam marcadas em nossa memória e em nossos corações. O Governo de Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Cultura e todo o Sistema Estadual de Cultura lamentam essa imensa perda e enviam condolências a familiares e amigos".

O músico Vitor Velloso, um dos integrantes da Orquestra Royal, ressaltou que foi Flávio Henrique foi um dos que iniciaram o movimento de retomada do carnaval de Belo Horizonte. É dele a marchinha que se tornou o primeiro hit da folia, 'Na coxinha da madrasta', interpretada por Juliana Perdigão. A música venceu o Concurso Mestre Jonas de 2012. "Além de amigo, um músico excepcional, referência para todo mundo, foi ele que deu o start nessa história toda. 'Na coxinha da madrasta' foi a primeira pedrada nesse vidro. A gente tocou o barco, mas foi o Flávio que o colocou na água", comenta Vitor.

O primeiro encontro com o músico se deu justamente numas das competições de marchinha. Vitor Velloso e outros companheiros da Orquestra Royal entraram na disputa com 'O baile do pó royal' enquanto que Flávio Henrique, em parceria com Gustavo Maguá e Marcos Frederico, concorreram com 'O pano na cuíca'. "A gente acabou levando o primeiro lugar, mas achei a música deles sensacional, daquelas que a gente gostaria de ter feito. A marchinha do Flávio acabou entrando no nosso repertório. Sei que temos que seguir em frente, comandar essa festa, mas o carnaval vai ser muito triste sem ele", lamentou Vitor, que tinha a intenção de fazer uma parceria com o amigo. "O convite ficou guardado no coração", frisou.

O jornalista Tuttti Maravilha, além de ter convivido com Flávio Henrique durante anos como músico, passou a ter uma experiência nova recentemente: Flávio se tornou seu 'chefe', já que assumiu a presidência da Rádio Inconfidência, onde Tutti trabalha, e da Rede Minas. "Essa coisa do artista comendar é outro departamento. Sua gestão estava sendo muito bacana; ele era um homem de sensibilidade. Sempre atento a tudo. A tristeza é tanta que nem sei se vou dar conta de fazer o programa hoje (Bazar Maravilha)", desabafou o radialista.

Foi por meio de Flávio que Tutti Maravilha se reencontrou com a cantora Maria Rita. "Eu a conhecia pequenininha por conta da minha amizade com a Elis. Depois, ela foi para os Estados Unidos e perdemos contato. O Flávio Henrique a convidou para vir a BH e ela foi ao Bazar", recorda.

O último encontro se deu na quinta-feira, 11/01, véspera da internação. O músico foi até o estúdio do Bazar Maravilha levar o secretário estadual de Cultura, Angelo Oswaldo. "Ele estava super bronzeado, feliz, tinha passado uns dias em Casa Branca, mas comentou que estava sentindo uma coisa estranha e não sabia o que era. Como ele havia tido uma discussão com um funcionário de uma oficina mecânica, achou que era por causa disso. Já eram os sintomas da febre amarela. Uma grande perda", declarou.

Primeiro parceiro musical de Flávio Henrique, o compositor e produtor musical Robertinho Brant o conhecia há mais de 30 anos. Ainda estarrecido com a morte do amigo que foi seu colega de colégio e companheiro de time de vôlei, Robertinho lembrou dos primeiros anos da carreira de ambos. "A gente formou um grupo, o Candeia. Era eu, o Serginho Silva, o André Limão e o Flávio que tocava guitarra. Ele não tinha contato com ninguém de música na cidade e como eu sou sobrinho do Fernando Brant, eu o levei na casa da minha família e nós ensaiávamos lá. Viajamos muito. Durantes uns 20 anos a gente era muito próximo; e ele é inclusive meu padrinho de casamento", relembra.

Robertinho lamenta que em um curto espaço de tempo, quatro músicos praticamente da mesma geração - Vander Lee, Cláudio Faria, Renato Guima e agora Flávio Henrique - tenham partido tão cedo. "É muito doido pensar isso. E morreram de formas tão rápidas. Vander Lee de um AVC, Claudio de toxoplasmose e o Renato de acidente. É uma perda muito grande pra mim, particularmente, e para toda a música mineira", lamentou.

(foto: Reprodução da internet/Rede Minas)
(foto: Reprodução da internet/Rede Minas)

Deputado Federal por Minas Gerais, Reginaldo Lopes (PT), lembrou que o estado já registrou 16 mortes por Febre Amarela desde junho de 2017. “Quero lamentar a triste morte do presidente da Empresa Mineira de Comunicação, Flávio Henrique, e me solidarizar com a sua família neste momento. Flávio também era músico e pertencia ao grupo Cobra Coral. Deixará saudades. Foi a 16ª vítima fatal da Febre Amarela em nosso estado.” 

 

 

Em seu blog pessoal, o escritor Afonso Borges escreveu um texto lembrando a amizade que manteve com Flávio e citando também a epidemia de febre amarela. “Perdemos o talento, a sensibilidade, o humor fino e a permanente alegria de Flávio Henrique. Perdemos um cidadão combativo, consciente e esclarecido. Sua perda também é uma vitória da barbárie. A febre amarela, em seu estado silvestre, já estava controlada há décadas,” lamentou.  

 

Correspondente do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) na Europa, o jornalista Sérgio Utsch desejou força para a família. “Minha solidariedade aos amigos e família do Flávio Henrique, Presidente da Rede Minas e última vítima da Febre Amarela.” 

 

 

A administração do Mercado Distrital do Cruzeiro lembrou a apresentação do Grupo Cobra Coral no evento de comemoração dos 40 anos do estabelecimento. “O #COBRACORAL, de @Flávio Henrique, cantou lindamente aqui nos 40ANOS! E era sempre um prazer recebê-lo com seu lindo astral! ;)"

 

O músico Lô Borges, que dividiu palcos e canções com Flávio, também se manifestou via Twitter sobre a morte: “Quanta tristeza. Vá em paz, Flávio Henrique. Nossos sinceros sentimentos à família e aos amigos queridos.” 

 

 

Por meio da presidente, Magdalena Rodrigues, o Sindicato dos Artísticos e Técnicos de Espetáculos de Minas Gerais (Sated/MG), manifestou pesar pelo morte de Flávio Henrique, em uma nota divulgada à imprensa. "Lágrimas e sorrisos se misturam para forjar a grande aventura da vida. Entre chegadas e partidas neste mundo vamos absorvendo o aprendizado da convivência, da solidariedade, da amorosidade da caridade respeitosa, da superação, dos erros, da responsabilidade de poder, cada um no seu canto, promover a melhora da vida na terra entre as pessoas. Estamos irremediávelmente vivos e daqui um tempo não existiremos mais. Só os rastros dos nossos melhores passos em direção à harmonia, à edificação, à verdade, à amizade sobreviverão! Gratidão ao músico/compositor Flávio Henrique Alves por ter aliviado a alma e embelezado a vida com sua arte. Pessoa leal e digna, que o som da sua música seja a trilha sonora da sua passagem! Vai com Deus!" 

 

O músico César Lacerda, que gravou duas músicas no disco 'Zelig' assinado por Flávio, publicou em seu facebook uma homenagem ao amigo. Em parte do texto, Lacerda destacou a importância de Flávio Henrique para a geração dele. "Flávio foi, sem sombra de dúvida, um dos principais compositores de sua geração," afirmou. 

 

 

Esta matéria será atualizada ao longo desta quinta-feira, 18/01

(* Sob orientação dos subeditores Fred Bottrel e Jociane Morais)

 

 

 

 

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