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Estado de Minas

Anestésico encontrado em exame aumenta polêmica sobre morte de fisiculturista

Polícia reafirma que laudo de rapaz que morreu na Hangar deu negativo para drogas ilícitas, mas confirma presença no corpo de cetamina, anestésico que provoca efeitos alucinógenos


postado em 04/10/2017 06:00 / atualizado em 04/10/2017 11:48

O fisiculturista Allan Pontelo morreu na boate Hangar durante abordagem de seguranças da casa, que alegam que ele estava traficando drogas no local(foto: Facebook/Reprodução)
O fisiculturista Allan Pontelo morreu na boate Hangar durante abordagem de seguranças da casa, que alegam que ele estava traficando drogas no local (foto: Facebook/Reprodução)
Uma substância encontrada no corpo do fisiculturista Allan Guimarães Pontelo, de 25 anos, que morreu dentro da boate Hangar, na Região Oeste de Belo Horizonte, aumenta ainda mais o mistério sobre o caso. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) não identificou o uso de drogas e/ou álcool pelo jovem. Mas detectou a cetamina, que é um medicamento usado como anestesia geral em cirurgias em humanos e também em animais. O produto também tem efeito alucinógeno.

A dúvida sobre o uso indiscriminado ou não do jovem da substância foi levantada pela defesa dos seguranças da boate. Em uma página de uma rede social, o advogado Ércio Quaresma, que representa a Cy Security e Vigilância, questionou as informações de que o jovem não tinha feito uso de drogas. Exibindo cópia do laudo que apontou que Allan não usou cocaína, maconha ou ecstasy, o advogado destaca em sua página que o documento técnico apresenta a presença de ketamine (cetamina) no sangue e víscera do rapaz.

No dia em que o rapaz morreu dentro da casa de shows, seguranças informaram que ele fazia uso de drogas quando foi abordado. De acordo com a Polícia Militar, a versão dos seguranças é de que o rapaz foi abordado com drogas e, depois, sofreu um ataque cardíaco no local. Antes de passar mal, afirmaram, o jovem teria corrido e saltado algumas grades, caindo ao chão em seguida. Um amigo de Allan, porém, disse que os dois foram ao banheiro e, depois de ser abordado por dois seguranças, o fisiculturista foi levado para um lugar privado, onde teria sido agredido.

A Polícia Civil já havia divulgado o laudo na sexta-feira informando que não foi constatado o uso de drogas e álcool pelo jovem. Ontem, voltou a confirmar o resultado, mas admitiu que a cetamina foi identificada no corpo do fisiculturista. Informou, ainda, que a situação está sendo investigada. ‘’A PCMG reafirma que o laudo toxicológico da vítima deu negativo para o uso de substâncias ilícitas. O exame de constatação de álcool também deu negativo. A substância detectada no laudo, a cetamina, é usada como anestésico para procedimentos cirúrgicos, sedação e analgesia, sendo de uso estritamente médico. As investigações estão em andamento, com o delegado Magno Machado’’, informou.

"Ele pode provocar aumento da pressão arterial, infarto, AVC, aumento do fluxo de sangue, pressão intracraniana"

Mariana Gonzaga, coordenadora da Comissão Assessora de Farmácia Clínica do Conselho Regional Farmácia de Minas Gerais

O advogado Geraldo Magela de Carvalho Lima, que representa a família do fisiculturista, foi procurado, e informou que não teve acesso ao laudo. Ele disse que só vai se manifestar depois de ter conhecimento do documento e do inquérito, para não atrapalhar as investigações. O defensor, porém, adiantou que não tem conhecimento de que objetos teriam sido encontrados no carro do fisiculturista pela polícia nem se alguém mexeu no veículo antes da perícia. Ele lembrou que Allan chegou a ser socorrido por uma equipe médica e não sabe se foi aplicada alguma medicação. Por fim, o advogado ressaltou que informações preliminares apontam que o jovem não fez uso de bebida alcoólica nem drogas como maconha, cocaína ou ecstase.

A substância encontrada no corpo do fisiculturista é um anestésico, que também é utilizado ilegalmente por algumas pessoas que buscam alucinógenos. “É um medicamento utilizado para procedimentos cirúrgicos e normalmente para anestesia geral. Só que é uma substância controlada pela vigilância sanitária e de uso exclusivo hospitalar. Vem sendo menos utilizado em humanos, justamente, porque tem alguns efeitos adversos. Durante a cirurgia, o paciente pode manter o contato externo com falas desconexas, pesadelos, alucinações, o que é ruim para o procedimento cirúrgico, pois deixa o paciente instável”, explicou a Coordenadora da Comissão Assessora de Farmácia Clínica do Conselho Regional Farmácia de Minas Gerais, Mariana Gonzaga.

PERIGOSO O uso indiscriminado do medicamento pode provocar danos à saúde e até levar à morte, segundo Mariana. “Ele pode provocar aumento da pressão arterial, infarto, AVC, aumento do fluxo de sangue, pressão intracraniana. Muitas pessoas o utilizam porque o medicamento provoca alucinações e sensação de dissociação do corpo, como se a pessoa estivesse flutuando sobre ele. Outros usam para abusar de outras pessoas, como um ‘boa noite cinderela’”, afirmou a coordenadora.

De acordo com Mariana Gonzaga, mesmo sendo um produto controlado pela vigilância sanitária, o medicamento está na lista dos “perigosos”. “Ele está na lista dos medicamentos perigosos da ONG ISMP Brasil, que é internacional e preza pelo uso seguro dos remédios”, disse.


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