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Estado de Minas

Saiba quais são as cidades mineiras com maior e menor taxa de homicídios

Municípios com mais de 100 mil habitantes atingem posições opostas no ranking que mede a taxa de assassinatos no país. Araxá tem o menor indicador e Betim detém o maior índice


postado em 11/06/2017 06:00 / atualizado em 11/06/2017 08:07

ARAXÁ - Região: Alto Paranaíba População: 110 mil habitantes Área: 1.167,84 km² Densidade demográfica: 80,22 hab/km² IDH (2010): 0,772 (foto: Beto Novaes/EM/DA Press)
ARAXÁ - Região: Alto Paranaíba População: 110 mil habitantes Área: 1.167,84 km² Densidade demográfica: 80,22 hab/km² IDH (2010): 0,772 (foto: Beto Novaes/EM/DA Press)

Araxá e Betim – Não são somente 334 quilômetros que separam Betim de Araxá, distantes ainda 267 posições no ranking que mediu a taxa de homicídios nas 304 localidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. Enquanto o município do Alto Paranaíba tem o menor indicador em Minas, sendo o quinto melhor no país, a cidade da Grande BH detém o maior índice no estado, ocupando a 272ª posição no país.

O Atlas Brasil foi elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com base em dados de 2015. Naquele ano, ocorreram 6,8 mortes em Araxá para cada grupo de 100 mil moradores. Em Betim, 65,2 assassinatos. O estudo levou em conta tanto homicídios quanto mortes violentas com causa indeterminada (MCVI).

Um dos objetivos do estudo é indicar aos governantes onde a segurança pública precisa ser reforçada e os impostos bem aplicados. Em Betim, por exemplo, chama atenção o contraste entre o quartel inacabado da Polícia Militar, cuja obra foi paralisada há quase dois anos, e a inusitada história do imóvel que abriga a sede do batalhão da mesma corporação.

Trata-se da casa construída para moradia do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira Mar, que já comandou o tráfico na cidade. A residência-batalhão tem dois pavimentos e 1,9 mil metros quadrados. Outros imóveis dele foram sequestrados pelo estado. Aliás, segundo a Polícia Civil, “a disputa de território entre organizações criminosas, motivada pelo tráfico de drogas”, é a grande responsável pela maioria das mortes por lá.

De acordo com a corporação, os quatro bairros mais perigosos na cidade são: Alterosas, Jardim Teresópolis, Citrolândia e PTB. A disputa por pontos de drogas resultou em algumas chacinas. Em janeiro de 2015, no ano da pesquisa Atlas Brasil, um grupo invadiu um sítio onde ocorria uma festa de aniversário e atirou contra convidados. Saldo: quatro pessoas morreram no local, entre elas um rapaz de 27 anos que seria o chefe do tráfico na região.

Mais uma chacina chocou os betinenses em agosto de 2016, quando três homens também invadiram uma festa de aniversário, no Bairro Industrial São Luiz, e mataram quatro pessoas. Uma delas foi um bebê, de 11 meses. Dois suspeitos foram detidos no fim do ano passado. Na ocasião, o delegado Otávio de Carvalho, responsável pelo inquérito, chamou atenção para o grau de periculosidade da dupla.

BETIM - Região: Grande BH População: 390 mil habitantes Área: 346,8 km² Densidade demográfica: 1.088,66 hab/km² IDH (2010): 0,749(foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
BETIM - Região: Grande BH População: 390 mil habitantes Área: 346,8 km² Densidade demográfica: 1.088,66 hab/km² IDH (2010): 0,749 (foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press)
“Betim chegou a esse patamar por falta do compromisso do poder público com a cidade. Betim sempre foi um lugar largado. Sempre teve problema, por exemplo, com o efetivo da PM. Não há internação para menores. O batalhão está instalado na casa de um traficante”, diz Júlio Cezar Rachel de Paula, secretário-adjunto de Segurança Pública de Betim.

Ele tem propriedade para comentar o assunto. Júlio Cezar foi coronel do batalhão responsável pela cidade de 2010 a 2012. Para o oficial da reserva, a segurança pública na cidade tem solução. “Lançamos o Plano Municipal de Segurança Pública, que contempla três eixos de ação.”

O primeiro é o fortalecimento da Guarda Municipal. Haverá concurso para aumentar o efetivo de 162 agentes para 282. “Sessenta pistolas serão compradas. Teremos mais equipamentos e viaturas. O segundo eixo será o da redução da impunidade, com a reestruturação do Gabinete de Gestão Integrada Municipal, que reúne a Guarda, PM, Polícia Civil, Ministério Público e outros atores.”

PROBLEMAS A atual gestão municipal trabalha para mudar alguns números na cidade. Um deles é a redução do prazo para julgamento dos homicidas. Não há na cidade um Tribunal do Júri. “Estamos conversando para que seja implantado um, pois há um estudo da PUC Minas que concluiu que um homicida leva nove anos para ser julgado, justamente por causa desse gargalo”, lamenta o secretário-adjunto.

Mas só isso não resolve o problema: “É preciso separar a Vara da Infância e Juventude da Criminal, pois o juiz não dá conta (de tanto processo). Além disso, o prefeito está em articulação na tentativa de aumentar o efetivo da PM. Há cerca de 550 militares. Deveria ser o dobro. Para se ter ideia, a vizinha Contagem conta com aproximadamente 1,2 mil policiais”.

"Sou natural de Itambacuri (Vale do Rio Doce). Vim para Betim em 1968. Era um lugar tranquilo. Hoje, o que se vê é mais violência" - Sebastião Joaquim dos Santos Filho, de 63 anos, empreendedor (foto: Edésio Ferreira/EM/DA press)
O último eixo a que o oficial da reserva se refere é o da prevenção da violência, com implantação de projetos sociais em áreas com alto índice de violência. É o caso do PTB, bairro às margens da BR-381, onde mora o pequeno empreendedor Sebastião Joaquim dos Santos Filho, de 63 anos. Há poucos meses, ele enterrou o cunhado, morto no mesmo bairro com dois golpes de faca.

“Sou natural de Itambacuri (Vale do Rio Doce). Vim para Betim em 1968. Era um lugar tranquilo. Hoje, o que se vê é muita violência”, disse Sebastião. Muitos moradores têm histórias tristes envolvendo parentes ou amigos. O construtor João Custódio, de 58, trocou Rio Casca (Zona da Mata) por Betim em 1977: “Aqui era como cidade pequena do interior. Hoje falta segurança. Dois amigos foram baleados em assaltos diferentes. Ficaram paraplégicos”, conta.

“Vamos mudar o cenário aqui”, garantiu o secretário-adjunto. Ele faz questão de dizer que, no confronto entre o primeiro quadrimestre de 2017 e o mesmo período de 2016, houve redução de 20% no número de vítimas de homicídios.


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