
Na casa do produtor rural Luiz Horsth, a família não se conforma com a morte de Edson. “Ele era forte, trabalhador de sol a sol. Não adoecia por nada, nem me lembro um dia que não trabalhou ou reclamou de alguma coisa. A gente não sabia o que fazer com ele, levamos para o posto, lá deram a vacina para ele, mas não adiantou nada. Não pude ir visitá-lo e só o vi depois, morto. Aqueles dias nunca mais vão sair do meu pensamento”, desabafa.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Caratinga, foram atendidos 238 doentes suspeitos de terem a febre amarela, entre os quais ocorreram 19 óbitos e mais de 30 exames confirmados. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou apenas quatro mortes, 21 doentes confirmados e 129 em investigação. No município, foram aplicadas vacinas a 80 mil pessoas desde dezembro. “Conseguimos vacinar 144% da população, porque além de imunizar todas as pessoas vacináveis ainda aplicamos o medicamento em pessoas de municípios vizinhos que estavam desesperados por causa do surto”, afirma o secretário municipal de Saúde e vice-prefeito de Caratinga, o médico Giovanni Corrêa.

Conseguimos implantar um mutirão de vacinação para abranger toda a população. Agora, felizmente vivemos uma fase de declínio, mas continuamos a fazer o bloqueio de vetores (mosquitos) para que não ocorra mais infecções na zona rural. A população chegou a entrar em pânico. Iam para as filas por volta de meia-noite, 2h para ser vacinado às 8h. Para reduzir isso fizemos também o trabalho de busca ativa por pessoas que precisavam da vacina nas áreas rurais”, conta Giovanni Corrêa. “Ressaltamos também que foi vital a parceria do estado com o município. Tudo aqui que reivindicamos e até os aportes financeiros foram concedidos. A União, também, não deixou faltar vacinas, não tivemos falta em nenhum momento, toda a logística que é complicada foi cumprida em tempo recorde devido ao envolvimento e ao esforço de todos”, diz.
A febre continua a rondar a região, com casos em municípios limítrofes, segundo o secretário de Saúde de Caratinga. “Estão surgindo casos em Umbaporanga, Imbé de Minas e Santa Bárbara. Por isso, mesmo estando num momento mais tranquilo, nossa assistência epidemiológica continua com o mesmo esquema, com toda a equipe preparada”, afirma.

