
Ele é um dos cerca de 4,5 mil moradores de Pequi, pacata cidade na Região Central de Minas Gerais, a 120 quilômetros de Belo Horizonte, onde o cerrado é a vegetação predominante. Lá há diversas espécies de árvores, a maioria de porte médio, mas foi “planta frondosa” que deu origem ao nome do município. Quem conta é o locutor e pesquisador Wanildo Silva, natural da capital e que se mudou para a região ainda criança.
“Havia um grande e frondoso pé de pequi na Praça do Rosário. As pessoas se reuniam, às tardes e nos fins de semana, debaixo da sombra dele para papear e jogar baralho. As pessoas chamavam os amigos: ‘Vamos ao pequizeiro, vamos ao pequizeiro...’. É por isso”, revelou Wanildo. A Praça do Rosário, cartão-postal da cidade, está a quase 5 quilômetros de onde as garças passam a temporada.
As aves escolheram uma das fazendas da região para ter os filhotes. Os ninhos surgem, todos os anos, na mesma poção de terra, entre um pasto e um curso d’água. Durante algumas semanas, como conta Malaquias, o agricultor, o local se transforma no berçário dos pássaros brancos.
O número de ovos em cada ninho oscila de um a três. O palpite do agricultor é que os bandos – já ´que há mais de uma espécie de garças – migram do Pantanal. “Quando chegam aqui, ficam perto da gente. O serviço parece até que rende mais. É bonito ver um tanto de animais de pertinho”, disse o agricultor, ponderando que “aquela beleza toda não deve ser tocada; só apreciada”.
Malaquias diz que se alguém se atrever a pegar um ovo será advertido por ele próprio ou preso pela Polícia Militar Florestal. “Não pode pegar nem sequer encostar nos ovinhos, porque, então, os filhotes não nascem. O cabo da patrulha rural me disse que dá cadeia”, reforçou o agricultor, que planta milho, cana e o que mais vingar naquele pedaço de cerrado.
DIVULGAÇÃO A temporada das garças na cidade atrai muita gente. Alguns registram e divulgam as imagens nas redes sociais. Wanildo Silva, o locutor e pesquisador, faz questão de dizer ter ficado encantado com a quantidade de aves. Assim que soube da chegada dos bandos em 2016, ele pegou a câmera fotográfica, percorreu uma estrada de chão batido em sua moto e se embrenhou no cerrado.

Dependendo da época do ano, as pessoas precisam passar na estrada de terra a poucos metros do berçário das garças. Muitos param para apreciar as aves. O passeio, na verdade, começa é ali.
