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Estado de Minas

MPMG pede estudo sobre dique em Bento Rodrigues

Em ação, promotoria de Mariana requer perícia para avaliar eficácia do dique S4, que recebeu aval do governo de Minas e é apontado pela Samarco como essencial para reter rejeitos no período chuvoso


postado em 29/09/2016 14:20 / atualizado em 29/09/2016 20:45

Vista de dique construído acima do distrito de Bento Rodrigues (foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 30/03/2016)
Vista de dique construído acima do distrito de Bento Rodrigues (foto: Leandro Couri/EM/DA Press - 30/03/2016)

A Promotoria de Justiça de Mariana, na Região Central de Minas Gerais, ajuizou ação civil pública nessa quarta-feira para pedir estudos sobre a eficácia do Dique S4 e alternativas à obra, que alagará parte do distrito de Bento Rodrigues. A intervenção é tida como essencial pela Samarco para evitar carreamento de rejeitos de mineração da Barragem do Fundão e outros problemas no período chuvoso. Em 21 de setembro, a construção foi autorizada pelo governo de Minas. A Samarco informou que ainda não foi notificada sobre a ação.

A ação foi proposta pelo promotor Guilherme de Sá Meneghin com a finalidade de verificar “a que se destina (o dique) e se não há outra alternativa", diz trecho do recurso. "A partir do momento que os profissionais especializados, independentes, não vinculados às empresas, revelarem que a construção é a única medida possível ou a mais adequada, não restará alternativa senão aceitar a proposta de construção do Dique S4 e desistir dessa demanda”, prossegue o texto.

 

O dique


Segundo a Samarco, o S4 integra o sistema emergencial de retenção de sedimentos composto pelos diques S1, S2 e S3, além das barragens Eixo 1 do Fundão e Nova Santarém. Ele será feito por meio de um alteamento com pedras, construído em recuo já existente um pouco abaixo de Bento Rodrigues, e amplirá a chamada área de clareação dos rejeitos. Isso evitará, na avaliação da mineradora, que a poluição volte a atingir o Rio Gualaxo do Norte e, consequentemente, o Rio Doce.

O Dique S4 será o segundo maior do complexo e terá capacidade de 1,05 milhão de metros cúbicos. Fica atrás apenas do S3, que tem capacidade de 2,1 milhões de metros cúbicos. O S1 e o S2 têm 15 mil e 45 mil metros cúbicos, respectivamente.

Com a construção do Dique S4, parte da área impactada de Bento Rodrigues será alagada. A empresa garante que vai fazer obras que evitem danos ao muro colonial que ainda existe no local e que foi um dos motivos para que moradores fizessem abaixo-assinado contra as obras no distrito. A empresa garante que uma cobertura será feita para proteger a estrutura histórica. As ruínas da Capela São Bento e o Cemitério não serão alagados, de acordo com a mineradora.

(RB)

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