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Estado de Minas

Vazão do Rio das Velhas cai para níveis críticos

Baixa vazão do Velhas leva comitê da bacia a convocar reunião para avaliar medidas. Copasa reafirma que, com nova captação no Paraopeba, abastecimento na Grande BH está garantido


postado em 17/08/2016 06:00 / atualizado em 17/08/2016 08:21

Rio das Velhas com nível baixo em Honório Bicalho (Nova Lima): ambientalistas querem proteção em áreas de recarga(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Rio das Velhas com nível baixo em Honório Bicalho (Nova Lima): ambientalistas querem proteção em áreas de recarga (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
As nuvens que fecharam o tempo durante toda a terça-feira não trouxeram alento para o Rio das Velhas, manancial que sofre com a estiagem prolongada na região de Nova Lima, onde a Copasa retira água para abastecer a população da Grande BH. Dados dos últimos três dias disponibilizados pela empresa atestam que em 13 e 15 de agosto, o Rio das Velhas alcançou vazão de 9,5 e 9,3 metros cúbicos por segundo em Honório Bicalho, índice que, se repetido por sete dias seguidos, é suficiente para colocar o manancial em estado de alerta e já configura a situação de escassez de água.


A pouca chuva, que na região da captação atingiu apenas um milímetro ontem, mantém um padrão considerado crítico para o rio pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano. Ele aponta um cenário preocupante caso não sejam tomadas medidas que possam aumentar a vazão do manancial. O comitê marcou para sexta-feira uma reunião para debater o tema, já que a vazão em Honório Bicalho, distrito de Nova Lima onde fica a captação da Copasa, passou a barreira dos 10,25 metros cúbicos por segundo. Esse é o menor valor considerado em sete dias consecutivos nos últimos 10 anos, conhecido como Q7,10, padrão para medir a escassez hídrica do curso d’água.

Essa norma foi estipulada em 25 de março do ano passado, um dos períodos mais críticos da crise hídrica em Minas Gerais, pela deliberação normativa 49/2015 do Conselho Estadual de Recursos Hídricos de Minas Gerais. Para que um manancial chegue nessa situação, sua vazão em determinado ponto tem que ser menor ou igual ao valor da Q7,10, o que aconteceu nos dias 13 e 15 de agosto. Se as medições romperem ainda a barreira de 70% da Q7,10 (que no Rio das Velhas equivale a 7,17 metros cúbicos por segundo) por um período de uma semana de forma consecutiva, o curso d’água entra em estado de restrição de uso, o que obrigaria a Copasa a cortar imediatamente 20% da água que capta do rio para o abastecimento humano.

“Ainda estamos no mês de agosto e não temos previsão de chuvas de intensidade maior nessa região. Só para se ter uma ideia, a Copasa retira em torno de 6,5 metros cúbicos do Rio das Velhas para atender a Grande BH. Com 9,5 metros cúbicos de vazão, sobraria então apenas 3 metros cúbicos para o rio continuar a correr à jusante”, diz Polignano. O ambientalista destaca que não é possível utilizar todo o rio para abastecer BH, o que poderia inviabilizá-lo do ponto de vista ecológico. Em 2015, quando o manancial viveu uma situação parecida, ele explica que o foco estava todo voltado para a crise hídrica, o que possibilitou mais atenção ao problema. “Nossa calha vem sofrendo uma série de alterações. Estamos ocupando de forma desordenada uma região de recarga do rio. Não adianta achar que teremos água se fizermos ocupação desordenada. Temos um cenário que realmente preocupa muito”, acrescenta Polignano.

Na reunião de sexta-feira, no Centro de BH, serão discutidas medidas de gestão hídrica do curso d’água. Uma alternativa que será proposta é a liberação de parte da água de represas na região de Nova Lima e Itabirito, operadas pela Cemig e por mineradoras, que fazem parte do Ribeirão do Peixe. Outra opção é a diminuição do uso da água do Velhas para atender a Grande BH, privilegiando as captações do Sistema Paraopeba. “O problema, nesse caso, é que não há uma interligação completa entre os dois sistemas. Temos um percentual de 40% da Grande BH que depende exclusivamente do Velhas”, complementa Polignano.

NÍVEL BAIXO
A reportagem do Estado de Minas percorreu trechos do rio, onde estão instaladas estação de captação da água e uma estação de tratamento de água (ETA) de Bela Fama. Com o rio com o nível abaixo do normal, as margens se alargaram nos trechos próximos a ETA. Em alguns trechos, é possível ver as pedras do fundo do rio. Em outros locais, aparecem pequenas ilhas de sedimentos, formadas pelo processo de assoreamento e estiagem. O nível do curso d’água está baixo, deixando à mostra rede de captação. Encoberta pela poeira, a vegetação das encostas é uma mostra da falta de chuva. A previsão é de pouca precipitação nos próximos dias, característica do mês de agosto, de acordo com a média histórica.

Por meio da assessoria de imprensa, a Copasa afirmou que, apesar da baixa vazão, a situação ainda não é de alerta. A assessoria ressaltou que não houve ocorrência, por sete dias consecutivos, de vazões abaixo da Q7,10 – o que configuraria o alerta. A empresa informou ainda que o sistema integrado metropolitano, composto pelo Rio das Velhas e o Paraopeba, tem flexibilidade operacional para a transferência de água entre os sistemas produtores. “Caso seja necessário, os sistemas produtores da bacia do Paraopeba poderão abastecer algumas regiões atualmente atendidas pelo Rio das Velhas”, informou.

A assessoria ainda ressaltou que, em consequência da implantação da captação no Rio Paraopeba, em dezembro do ano passado, os reservatórios da bacia do Paraopeba estão com volume de água suficiente para operar. Informou ainda que, em caso de restrição, será aumentada a produção dos sistemas da bacia do Paraopeba de maneira a garantir o abastecimento da região metropolitana.

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