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Estado de Minas

Chamas e medo na Santa Casa

Incêndio destrói anexo onde funciona Centro de Estudos da instituição e gera apreensão no hospital. Ninguém se feriu, mas o abalo pode levar à demolição do prédio histórico


postado em 05/05/2016 00:12

Landercy Hemerson

 


A ação rápida de brigadistas da Santa Casa, ao desligar o sistema elétrico, pode ter evitado que o incêndio que atingiu um dos 13 anexos do complexo atingisse outras unidades. Por volta das 18h30 de ontem tiveram início as chamas no anexo em que fica o almoxarife do hospital, nos fundos do estacionamento na Rua Ceará, no Santa Efigênia, distante 50 metros do edifício central, que tem capacidade para 1.043 leitos. Pacientes, médicos, enfermeiros e funcionários, além de pessoas que passavam próximo ao local, ficaram apreensivos, até que o fogo foi contido depois de quase duas horas de combate.

O incêndio se concentrou no terceiro pavimento, onde funciona o Centro de Estudos e a Engenharia Clínica, responsável pela manutenção de equipamentos médicos elétricos e eletrônicos. Foram cerca de 10 mil litros de água, boa parte lançada pelo sistema da carreta plataforma do Corpo de Bombeiros, para conter chamas de mais de três metros de altura, até que fosse afastado o risco de que o incêndio se alastrasse.

Rodrigo Almeida, responsável pelo Setor de Comunicação da Santa Casa, informou que não houve feridos. “Uma última funcionária que estava no prédio, já que o expediente havia se encerrado, foi retirada pelo pessoal da brigada, sem qualquer necessidade de atendimento médico. O protocolo adotado pelos brigadistas, treinados para uma situação como a que ocorreu, de desligar a energia elétrica, certamente evitou que ocorressem curtos-circuitos na rede elétrica dos outros anexos”.

O chefe de comunicação da Santa Casa considera que houve grande perda de equipamentos e das ferramentas de manutenção dos aparelhos eletrônicos e elétricos, mas não vê prejuízos no atendimento de pacientes. “O hospital é muito grande, o que possibilita remanejar equipamentos entre as alas”, explicou o assessor. Com relação à estrutura do edifício, ele informou que, depois do trabalho de rescaldo, os bombeiros constataram que as paredes foram abaladas e que a necessidade de demolição vai depender de vistoria que será realizada hoje. “Ainda é muito cedo para afirmar que será demolido, sem análise técnica”, pontuou Rodrigo.

A estudante de enfermagem Vera Lúcia da Silva, de 25 anos, que trabalha na Unidade de Tratamento Intensivo, no 10º andar, conta que acompanhou os primeiros momentos do incêndio pela janela. “Sentimos o cheiro de fumaça, mesmo sem que o vento a trouxesse direto em direção ao prédio do hospital. No meu setor, pelo próprio estado dos pacientes, eles não perceberam nada. Entre os funcionários não houve situação de pânico, mas de apreensão. O temor era de que o fogo se alastrasse em direção à rouparia”.

Uma enfermeira que trabalha no primeiro andar, no centro de exames e diagnóstico, disse que, apesar da distância entre o prédio central e o anexo, eram visíveis as chamas pelos pacientes. “Por questão de segurança, os exames foram suspensos e os pacientes levados de volta para seus leitos”, explicou a funcionária. No setor de hemodiálise, os procedimentos também foram suspensos por precaução. Cerca de 50 pessoas eram atendidas e muitas aguardavam na recepção pelo transporte. No entorno da Santa Casa, uma grande aglomeração de funcionários do grupo e pessoas que passavam pelo local acompanhava o trabalho dos bombeiros.

A estudante de direito Tatiane Cintra, que estava no quarto andar de uma faculdade vizinha ao hospital, disse que rapidamente o fogo tomou o telhado do prédio. “Fomos para a janela e ficamos temerosos de que as chamas, que eram altas, pudessem se espalhar pelo hospital. Um colega, que é policial, desceu para prestar apoio”, contou a estudante, que acompanhou de perto a ação dos bombeiros, até que o incêndio fosse debelado.

O coronel Tadeu do Espírito Santo, comandante do 1º Batalhão dos Bombeiros, informou que 44 militares em 14 viaturas, incluindo caminhões autobomba, uma carreta tanque e uma plataforma atuaram no combate às chamas. “O incêndio destruiu o terceiro andar do prédio. O piso de madeira, entre outros materiais de fácil queima, contribuíram para a dimensão do incêndio”, apontou Tadeu. O coronel disse que o primeiro passo foi o isolamento da área em chamas, para evitar a propagação para os outros prédios. De acordo com ele, houve grande perda de material do almoxarifado, que fica no subsolo, embora não tenha sido atingido diretamente pelo fogo. Apesar de ter cilindro de oxigênio estocado no prédio, não ocorreram explosões, que poderiam aumentar os danos e levar pânicos aos pacientes. As causas do incêndio serão apuradas pela perícia técnica da Polícia Civil, que será realizada hoje. Técnicos da Defesa Civil Municipal também vão fazer levantamentos para checar as condições de estabilidade do edifício.

MEMÓRIA Na tarde de 5 de dezembro de 2012, funcionários e pacientes também ficaram assustados com um princípio de incêndio no fosso do elevador de roupa suja do prédio principal, mobilizando funcionários e provocando temor em quem passava pela Avenida Francisco Sales. A fumaça saía pela janela do subsolo e várias pessoas telefonaram para o Corpo de Bombeiros, que mandou uma grande equipe ao local. A brigada do próprio hospital conseguiu debelar as chamas, mas os militares perceberam falhas na segurança da unidade e anunciaram uma vistoria para avaliar a estrutura.


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