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Estado de Minas

Ex-moradores pedem tombamento de área devastada de Bento Rodrigues e Paracatu

A decisão foi tomada em audiência pública que reuniu atingidos pelo rompimento de barragem da Samarco, em Mariana, na Região Central do estado


postado em 20/04/2016 21:44 / atualizado em 21/04/2016 08:30

Em audiência pública que lotou o Centro de Convenções de Mariana, na Região Central, os ex-moradores de Bento Rodrigues e Paracatu decidiram pelo tombamento das localidades atingidas em 5 de novembro pelo rompimento da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco. Segundo a presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana (Compat), Ana Cristina de Souza Maia, a iniciativa vai garantir proteção e impedir intervenções futuras que possam causar mais impactos. “O tombamento significa preservar os lugares onde as pessoas viveram, criaram a família e enterraram seus mortos”, afirmou a presidente do conselho. Com o tombamento municipal, a empresa estará impedida, por exemplo, de construir uma barragem nas áreas atingidas, acrescentou.

Na semana que vem, possivelmente quinta-feira, os conselheiros participarão de uma reunião extraordinária para dar início ao processo de tombamento dos subdistritos de Bento Rodrigues e Paracatu, cujos moradores foram transferidos para moradias alugadas pela mineradora. Ana Cristina adiantou que já estão em andamento os tombamentos isolados da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Mercês, do século 19, único monumento histórico que restou “no Bento”, como diz a população local, e da Matriz de Santo Antônio, em Paracatu. “Na prática, a partir do momento em que as comunidades forem tombadas, qualquer obra ou ação vai requerer expressa anuência do conselho de patrimônio”, explicou Ana Cristina de Souza Maia.

Outra proposta discutida na audiência pública, realizada na noite de terça-feira, é transformar as comunidades em Museu de Território ou na criação de um memorial. A preservação preocupa as autoridades, já que, em 9 de abril, houve a tentativa de arrombamento da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, conforme foi constatado por uma equipe da Samarco. Ana Cristina destacou que mais dois pontos importantes foram discutidos, como o acesso dos moradores às localidades hoje interditadas e a necessidade de projetos da Samarco para os dois locais passarem pelo crivo do Compat.

Durante três horas, cerca de 300 pessoas, incluindo moradores das comunidades atingidas, lideranças de movimentos sociais, o prefeito Duarte Júnior e representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), da Samarco e outras autoridades participaram da audiência. O coordenador da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), Marcos Paulo de Souza Miranda, gostou do resultado da reunião. “Ficamos satisfeitos e houve depoimentos muito emocionados dos antigos moradores. Muitas pessoas querem voltar a viver em Bento Rodrigues. Obviamente, quem tem que definir o destino a ser dado aos locais atingidos é o próprio cidadão que lá residia”, ressaltou o promotor de Justiça.

“Precisamos ter gestão dessa área. Infelizmente temos 1.070 hectares degradados apenas no município de Mariana e uma verdadeira terra de ninguém. Mais de cinco meses se passaram e isso é tempo suficiente para começar a colocar as coisas nos seus devidos lugares”, ressaltou Souza Miranda.

A restrição do acesso às localidades despertou debates acalorados. O prefeito de Mariana adiantou que vai se reunir com representantes do MPMG e a empresa Samarco, na próxima semana, e buscar uma solução. “O acesso estava sendo proibido, mas vamos tomar uma atitude em relação a isso”, disse Duarte Júnior.


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