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Estado de Minas

Frota de veículos de Belo Horizonte quase dobra em 10 anos

Falta de soluções eficazes de trânsito obriga carros a trafegar em velocidades médias bem abaixo do limite permitido, aponta medição feita a pedido do Estado de Minas


postado em 17/04/2016 06:00 / atualizado em 17/04/2016 07:40

Retenção na Avenida Afonso Pena repete situação cotidiana em vias de BH (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Retenção na Avenida Afonso Pena repete situação cotidiana em vias de BH (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
José Caetano da Silva, de 62 anos, leva 25 minutos para percorrer em torno de três quilômetros da Avenida Cristiano Machado e chegar ao trabalho, no Bairro Guarani, na Região Norte de Belo Horizonte: “Há muitos carros, ônibus, motos e caminhões. O trânsito é lento. A gente sofre, tem de ter paciência”. O lamento dele é explicado em números: a frota de veículos cresceu 98% nos últimos 10 anos, de 866.304 unidades, em março de 2006, para 1.714.947 no mês passado, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Em direção oposta, o poder público não consegue solucionar as constantes retenções nas principais vias públicas. Especialistas não descartam medidas restritivas, como o rodízio de placas, se a frota aumentar mais de 50% nos próximos 10 anos. Enquanto isso, motoristas e passageiros precisam lidar com velocidades médias bem abaixo do limite permitido em importantes vias nos horários de pico.

A pedido do Estado de Minas, a BHTrans levantou o indicador em cinco avenidas (veja quadro). No pico da manhã (das 7h às 9h), a menor velocidade média ocorre na Cristiano Machado, no sentido bairro/Centro: 18,09km/h. É justamente nesse horário que José Caetano, o homem que leva 25 minutos para percorrer três quilômetros da via com sua Belina ano 1980, trafega na via.

(foto: Arte/EM/D.A Press )
(foto: Arte/EM/D.A Press )

(foto: Arte/EM/D.A Press )
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(foto: Arte/EM/D.A Press )
(foto: Arte/EM/D.A Press )

(foto: Arte/EM/D.A Press )
(foto: Arte/EM/D.A Press )
Um dos gargalos, ressalta ele, é o cruzamento com a Avenida Waldomiro Lobo. “Há alguns anos, durante a construção da Linha Verde (corredor que liga o Centro ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins), disseram que um viaduto seria erguido aqui. A obra nunca saiu do papel”, critica o rapaz, que ganha a vida como marmorista.

A lentidão na região é observada frequentemente em trechos da Avenida Antônio Carlos, a via com menor velocidade média no pico da tarde, no sentido Centro/bairro: 14,97km/h. “Levo um tempão para percorrê-la”, reclama a fonoaudióloga Gabriela Alves, de 23. Ela garante que deixaria o carro em casa se o transporte público na cidade “funcionasse direito”.

A BHTrans implantou o corredor do Move na Antônio Carlos, reduzindo o tempo de deslocamento na via, mas, no Centro, os ônibus disputam espaço com o restante da frota. Resultado: a velocidade média de todas as linhas de coletivo na capital não subiu muito após a implantação do Move, em 2014. Para se ter ideia, em 2013, o indicador foi de 17,62km/h no pico da manhã e de 15,24km/h, no da tarde.

Em 2014, respectivamente, de 18,41km/h e de 15,93km/h. Já no ano passado, o vaivém dos ônibus ficou um pouco mais lento no pico da manhã (18,11km/h). Houve um aumento insignificante no da tarde (16,06km/h).

“Há dois conceitos antagônicos na área de mobilidade: fluidez (do trânsito) e segurança. Temos de buscar não uma alta velocidade. Temos de buscar uma velocidade ‘baixa’ constante”, disse Célio Freitas, diretor de Planejamento da BHTrans. De acordo com ele, a velocidade média poderia ser melhor se o governo federal tivesse repassado R$ 375 milhões previstos no PAC da Copa do Mundo e no Pacto da Mobilidade: “Faríamos mais ciclovias, mais faixas exclusivas para ônibus, BRT na Amazonas”.

Enquanto a verba não chega, o aumento da frota privada reduz a participação do transporte público na distribuição modal em BH. O dos ônibus caiu de 67%, em 2013, para 63% em 2015. Já o do transporte individual subiu, no mesmo período, de 29% para 32%.

“O total de passageiros transportados em 2005 e em 2015 no transporte coletivo, ponderado pelo total da população municipal, permaneceu o mesmo, com aumento de 1%. No entanto, a frota de veículos automotores registrada em BH, ponderada pela população municipal, dobrou na última década. A elevação da taxa de motorização contribuiu para o aumento das viagens realizadas no transporte individual, reduzindo a participação do transporte coletivo na distribuição modal”, informou a BHTrans.

As lentidões no trânsito ocorrem em todas as regiões da cidade. No encontro das avenidas Brigadeiro Eduardo Gomes e Abílio Machado, na Região Noroeste, um semáforo de quatro tempos é alvo de críticas de condutores. “A BHTrans tem de encontrar uma solução para esse lugar. No horário de pico, levo mais de meia hora para percorrer a Abílio Machado”, reclama o vendedor Ronaldo Soares, de 32.

A história sem fim do metrô

Há anos Belo Horizonte aguarda pela implantação das linhas 2 (Barreiro/Nova Suíça) e 3 (Lagoinha/Savassi) do metrô, que poderiam desafogar o trânsito. Para se ter uma ideia, a linha 1 (Eldorado/Venda Nova), a única em operação, atende a cerca de 220 mil pessoas por dia. Há 10 anos, a média era de 140 mil passageiros.

Segundo a CBTU, “as tratativas relacionadas à futura expansão do metrô vêm sendo realizadas diretamente entre o governo de Minas e o federal”.
 Já o governo de Minas esclareceu que há uma proposta em análise na União para que o estado assuma o metrô por meio da “Lei Federal 10.233/2001 (artigos 103-A e 103-B), com a condicionante de que haja a transferência dos recursos para as obras”.

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