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Estado de Minas

Testes clínicos em BH da vacina antidengue começa em dois meses

Capital é uma das 13 cidades brasileiras nas quais voluntários vão participar da 3ª fase de testes do imunizante desenvolvido em parceria do Butantan com instituto dos EUA


postado em 12/03/2016 06:00 / atualizado em 12/03/2016 07:31

Integrante da lista de 13 cidades no Brasil que vão testar a eficácia da vacina contra a dengue, Belo Horizonte tem previsão de começar a fase 3 dos testes clínicos em dois meses. Na capital mineira, o processo coordenado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai envolver cerca de 1.200 voluntários, que serão atendidos em um único posto de saúde, já definido, mas ainda não divulgado. Ao todo, 14 centros de pesquisas biomédicas foram credenciados pelo Instituto Butantan para os testes, que envolverão 17 mil participantes em todo o Brasil. A vacina, desenvolvida em parceria com o National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos, tem potencial para proteger contra os quatro tipos de vírus da dengue com uma única dose, de acordo com os pesquisadores. Ao todo, a vacina já foi testada em 900 pessoas: 600 na primeira fase de testes clínicos, realizada nos EUA pelo NIH, e 300 na segunda etapa, no Brasil. Os resultados da pesquisa dependem de como será a circulação do vírus, mas o Butantan acredita ser possível ter a vacina disponível para registro até 2018.


Os testes da fase 3 já começaram em apenas um centro de pesquisas do país. Em 22 de fevereiro, os estudos se iniciaram com 1,2 mil participantes no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo também foi credenciada no estado, único a ter duas unidades cadastradas nessa etapa. A vacina que está sendo testada é produzida com vírus vivos, mas geneticamente enfraquecidos. Segundo o instituto, a resposta imunológica do corpo tende a ser mais forte com microrganismos vivos, mas, como eles estão enfraquecidos, não têm potencial para provocar a doença. “Todos os estudos até aqui apontam que a vacina é segura e que ela estimula o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue. Os brasileiros estão sensibilizados quanto ao tema e acreditamos que isso fará com que os ensaios clínicos tenham boa adesão”, explicou o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, em nota.

Um dos pesquisadores envolvidos nos estudos em BH, o professor Mauro Martins Teixeira, do Departamento de Bioquímica e Imunologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, informou que o início dos testes na capital ainda depende da chegada de insumos, de recursos financeiros e do treinamento das equipes. Ele afirmou ainda que a decisão de começar no prazo de aproximadamente dois meses leva em consideração o elevado número de atendimentos para casos de dengue nas unidades de saúde. “Estamos no meio de uma epidemia de dengue muito grave, uma das maiores que a cidade já teve. É arriscado começar a vacinação no meio da epidemia. É melhor esperar, até por uma questão de infraestrutura, já que os postos de saúde estão muito cheios para dar conta de um novo protocolo”, disse.
O pesquisador é enfático ao esclarecer que as cidades escolhidas pelo Butantan “não terão uma campanha de vacinação”. “Os voluntários vão participar do chamado ‘teste de candidato vacinal’ para avaliação da eficácia da vacina. Então, não adianta superlotar o centro de saúde em busca da vacina. Se ela funcionar, será acrescentada à rotina da rede pública. Mas ainda são testes que fazem parte de qualquer processo normal de desenvolvimento de produtos na área biológica”, disse.

No caso de São Paulo, os voluntários do Hospital das Clínicas entraram em contato diretamente com a unidade ou deixaram seus dados no Serviço de Atendimento ao Cidadão do Butantan. Eles têm entre 2 e 59 anos de idade, que é a faixa etária indicada para os testes. Os participantes serão acompanhados por um período de cinco anos, para verificar a duração da proteção oferecida pela vacina. O acompanhamento será feito por meio de visitas programadas para coleta de amostras, além de contatos telefônicos e mensagens por celular.

O Instituto Butantan não confirmou o início dos testes em Belo Horizonte. Apenas informou que o cronograma da vacinação nos demais 12 centros deverá ser divulgado em breve. A pesquisa também será conduzida em Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Aracaju (SE), Recife (PE), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), São José do Rio Preto (SP) e Porto Alegre (RS), além de São Paulo. De acordo com o pesquisador Mauro Teixeira, o cronograma geral de testes está dentro de um prazo esperado. A Secretaria de Saúde de BH informou que não foi comunicada oficialmente sobre o início dos testes.

METODOLOGIA Nesta última etapa da pesquisa, os estudos visam a comprovar a eficácia da vacina. Do total de voluntários, dois terços receberão a vacina e um terço receberá placebo, uma substância sem os vírus, ou seja, sem efeito. Nem a equipe médica nem o participante saberá se foi aplicada a vacina ou o placebo. O objetivo é descobrir, mais à frente, a partir de exames coletados dos voluntários, se quem tomou a vacina ficou mais protegido do que os que tomaram o placebo. A estimativa do instituto é que todos os participantes estejam vacinados dentro de um ano.

Serviço

Interessados em participar dos testes em todo o país podem procurar o SAC do Instituto Butantan pelo e-mail sac@butantan.gov.br.


Na ponta da agulha

Números e características da vacina contra a dengue

14  - centros de pesquisas biomédicas foram credenciados pelo Butantan para a realização dos testes da vacina de dengue

17 mil - voluntários de todo o Brasil vão participar da terceira fase dos testes clínicos, que teve início em 22 de fevereiro, com 1,2 mil voluntários recrutados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

2 a 59 anos  - é a faixa etária das pessoas que podem se candidatar para participar dos testes

 
900 - pessoas, ao todo, já foram vacinadas nas duas primeiras fases de testes clínicos: 600 na primeira etapa, realizada nos EUA, e 300 na segunda, realizada na cidade de São Paulo pela Faculdade de Medicina da USP, parceira do Butantan.

A VACINA - O imunizante (foto) tem potencial para proteger contra os quatro vírus da dengue com uma única dose e é produzido com vírus vivos, geneticamente enfraquecidos. Com essa técnica, a resposta imunológica tende a ser mais forte. O produto foi desenvolvido em parceria com o National Institutes of Health, nos Estados Unidos.

 

 

Fonte: Instituto Butantan


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