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Estado de Minas

Prefeitura volta atrás e protesto a favor da Samarco não será considerado dia letivo

Alunos e professores receberam sms convocando para a passeada favorável à mineradora amanhã. Nesta sexta, Secretaria de Educação disse que houve equívoco e que a solicitação era para um convite e não convocação da comunidade escolar


postado em 11/03/2016 11:52 / atualizado em 11/03/2016 13:29

Ofício da Secretaria de Educação de Mariana listava quantos alunos deviam ser levados ao protesto pelas escolas (clique para ampliar)
Ofício da Secretaria de Educação de Mariana listava quantos alunos deviam ser levados ao protesto pelas escolas (clique para ampliar)
A Secretaria de Educação de Mariana, na Região Central de Minas, veio a público nesta sexta-feira para dizer que houve um convite, e não uma convocação para que estudantes e professores participassem de uma manifestação a favor do retorno das atividades da Samarco, marcada para sábado, 12 de março. A data seria considerada dia letivo, mas a prefeitura voltou atrás na decisão.

Por meio de nota assinada pelo prefeito Duarte Júnior e pela secretária de Educação interina, Juliana Alves Ferreira, a administração municipal afirma que a pasta cometeu um equívoco e entendeu ter recebido uma ordem para convocar o corpo docente e discente para o protesto. Segundo Juliana Alves, o pedido do prefeito foi no sentido de que a secretaria convidasse a equipe para se engajar no evento. Veja um trecho da nota:

"O prefeito esclareceu a mim e toda equipe da Secretaria de Educação que a última cota relativa a CEFEM com a Samarco em atividade beirou a casa de R$ 6,5 milhões e que, atualmente estamos recebendo apenas R$ 1,2 milhão. Esta queda na arrecadação implica em desaquecimento da economia local e ameaça grande parte dos empregos gerados na cidade. Daí a importância da manifestação por entendê-la como matéria de interesse público."

Ainda segundo a nota, a proposta de compensação de um dia letivo com a participação no protesto buscava incentivar a presença de todos, pois os impostos recolhidos pela prefeitura custeiam creches, escolas de tempo integral e outros serviços essenciais na cidade. “Contudo, a Prefeitura de Mariana optou por não considerar o sábado, 12 de março, dia letivo na Rede Municipal de Ensino”. Ainda segundo a secretária, “a Secretaria de Educação respeita o direito ao livre pensamento de cada um dos nossos servidores e que nenhum deles sofrerá qualquer sanção, em nenhuma hipótese, em razão da sua livre escolha”, finaliza.

Entenda o caso

Professores e estudantes de Mariana receberam mensagem de celular da Secretaria Municipal de Educação convocando-os a participar de uma passeata favorável à mineradora Samarco. A convocação provocou revolta nos docentes, que não concordam com a postura do poder municipal. A passeata será realizada às 9h de sábado, saindo da Arena Mariana em direção ao Centro da cidade.

“Informamos que esse dia compensará o sábado letivo previsto para o dia 21 de maio, conforme consta no calendário. Lembramos que este dia refere-se a uma quarta-feira, portanto, os professores deste dia é que deverão comparecer. Caberá à equipe diretiva da escola mobilizar a participação de todos os funcionários e alunos”, informa a mensagem enviada pela Secretaria Municipal de Educação.

A secretaria também divulgou um documento detalhando quantos alunos devem ser levados de cada escola e destacando que os estudantes irão receber lanche antes do protesto (foto).

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, disse que a ideia de chamar os professores para a manifestação foi dele. “Com a paralisação das atividades da Samarco, a arrecadação caiu quase R$ 5 milhões por mês. Estamos entrando em uma situação de desespero, ainda mais com a economia cada dia pior”, explicou o prefeito à reportagem, na tarde de quinta-feira.

O coletivo #UmMinutodeSirene divulgou uma moção de repúdio: “Não se trata de um mero convite, de caráter opcional, mas de uma convocação, à qual não se pode dizer não. A situação se agrava mais ainda porque todos os diretores das escolas são nomeados via cargos de confiança, luta que a educação em Mariana ainda não conseguiu vencer. É direito do cidadão o livre arbítrio para decidir como se posicionar”.

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