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Estado de Minas

Mulheres de Bento Rodrigues preparam o retorno da geleia de pimenta biquinho

No Dia Internacional da Mulher, trabalhadoras do distrito arrasado pela lama de rejeitos aceleraram a produção para a inauguração oficial da nova cozinha, na sexta-feira


postado em 08/03/2016 17:00 / atualizado em 08/03/2016 17:20

A tradicional geleia de pimenta biquinho voltou a ser produzida na última sexta-feira(foto: Euler Junior/EM/D.A Press.)
A tradicional geleia de pimenta biquinho voltou a ser produzida na última sexta-feira (foto: Euler Junior/EM/D.A Press.)

De Mariana
– O Dia Internacional da Mulher foi comemorado da maneira que seis ex-moradoras de Bento Rodrigues - o distrito devastado pela lama de rejeitos da Samarco – mais queria: trabalhando. Geralda Alves, Keila Vardeli, Rosângela Sobreira, Marinalva Salgado, Neuza da Silva e Sônia Xisto, ligadas à Associação dos Hortifrutigranjeiros de Bento Rodrigues (Ahobero) produziam a todo o vapor, na tarde desta terça-feira, a geleia de pimenta biquinho.

Um dos símbolos do distrito de Bento Rodrigues, a geleia voltou a ser produzida na sexta-feira da semana passada e a inauguração oficial da nova cozinha, com pompa e discursos de autoridades, será na próxima sexta-feira, às 14h. A nova cozinha fica em uma casa no Bairro Colina, em Mariana. As seis associadas (uma estava acompanhando o marido que está doente) preparavam a geleia nesta tarde, quando o Estado de Minas acompanhou a produção.

O processo começa com a limpeza das laranjas e limões, que são espremidos e viram suco. Depois a pimenta é processada. Os ingredientes são misturados na panela com açúcar e levados ao fogo por cerca de 50 minutos. A produção é envasada em potes de 170g, que são lacrados e rotulados. Cada potinho é vendido por R$ 8.

O trabalho rende uma produção média diária de 500 potes. Keila explica que a remuneração é feita de acordo com as horas trabalhadas. Algumas associadas chegam a receber até R$ 2 mil por mês. "A intenção é crescer e conseguir dar emprego para outras mulheres de Bento", planeja Keila.

A produção é envasada em potes de 170g, que são lacrados e rotulados. Cada potinho é vendido por R$ 8(foto: Euler Junior/EM/D.A Press.)
A produção é envasada em potes de 170g, que são lacrados e rotulados. Cada potinho é vendido por R$ 8 (foto: Euler Junior/EM/D.A Press.)


História


A Associação, explica Keila, foi formada em 2002, mas o objetivo era vender verduras e legumes processados. Porém, houve alguns problemas com o terreno onde ficava a plantação e as atividades foram suspensas. Em 2006, com a consultoria da Emater, as associadas começaram a vender a pimenta biquinho em conserva. "Mas sobrava muito, pois, para conserva, a pimenta tem que estar perfeita", recorda Keila.

Ao pensar no que fazer com a pimenta que sobrava, as associadas, e a Emater, começaram a desenvolver outro produto. Foram testando receitas, adicionando ingredientes até chegar à geleia. Deu tão certo, recorda Sônia, que passou a ser a atividade principal. As quantidades e os truques para a geleia se tornar um sucesso são mantidas em segredo pelas associadas.

Elas revelam apenas os ingredientes: açúcar (em porções generosas), suco de limão, suco de laranja, pimenta biquinho processada e um pouco de pimenta malagueta. "Para ficar um pouco picante", destaca dona Geralda, a mais velha do grupo. Keila recomenda a geleia acompanhando carne assada, queijo, torradas e até como molho de macarrão. "Tem gente que gosta no sorvete", dá a dica.

Da última colheita em Bento Rodrigues, restam cerca de 700 quilos. O estoque de pimenta está acondicionado em garrafas pet de dois litros. As pimentas ficam conservadas em uma mistura de água e sal. A plantação foi soterrada pela lama de rejeitos de minério da Samarco. Quando a barragem se rompeu, no início de novembro, estava na época de fazer a colheita. Neuza da Silva, uma das associadas, que ontem trabalhava rotulando os potes, recorda que a safra ficou tardia, pois as chuvas foram escassas.

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