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Estado de Minas

Prefeito de Mariana exigirá que Samarco volte a pagar compensação por exploração de minério


postado em 30/01/2016 19:37

Mariana - O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, irá reivindicar do novo presidente da Samarco, Roberto Carvalbo, numa reunião agendada para este domingo, que a mineradora volte a pagar à cidade a compensação financeira sobre exploração de minério (CFEM). O tributo deixou de ser recolhido desde a interrupção da exploração do minério pela empresa, por determinação do estado, em novembro passado, quando a barragem do Fundão se rompeu, no maior desastre sócioambiental do Brasil.

"Deixamos de arrecadar cerca de R$ 4 milhões por mês. A arrecadação caiu de R$ 19 milhões para R$ 15 milhões. Está difícil. Quando assumi a prefeitura, a arrecadação era de R$ 27 milhões, mas o preço do minério despencou no mercado internacional (a tonelada recuou de 130 dólares para 40 dólarea) e nossa arrecadação foi para R$19 milhões. Com a perda da CFEM paga pela Samarco, para R$ 15 milhões", lamentou o prefeito.

Duarte não descarta a possibilidade de cortes em algumas áreas, caso a Samarco não atenda a reivindicação da prefeitura ou se a arrecadação com outros tributos e os repasses dos governos federal e estadual não aumentar.

Vale lembrar que o turismo na cidade colonial, a primeira de Minas Gerais, fundada em 1711, recuou por causa da tragédia.Muitos turistas deixaram de visitar a cidade por acreditar que a lama de rejeitos de minério atingiu a sede do município - a Barragem do Fundão está na área rural.

"A cidade precisa do dinheiro. Se a Samarco dizer que não está produzindo, (eu pergunto): cadê a responsabilidade social?", questionou Duarte, adiantando que outro assunto a ser tratado no encontro é o destino de Bento Rodrigues, o primeiro povoado destruído pela avalanche de lama (34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério vazaram da represa do Fundão, segundo estimativa do Ibama).

Uma das propostas é transformar o que só roupas num memorial. Cerca de 300 famílias moravam no lugarejo, fundado por bandeirantes há pouco mais de três séculos. O riacho, os pastos, as lavouras e boa parte dos imóveis deram lugar a rejeitos de minério. Imagens da destruição chocaram o planeta. O sofrimento de quem fugiu da tragédia apenas com a roupa do corpo comoveu o mundo.

Tanto que muitos brasileiros e estrangeiros enviaram diferentes espécies de doações aos desabrigados. A prefeitura abriu três contas para receber doações em espécie e repassá-la às vítimas. O total foi de R$ 1.050 milhão.

Dinheiro


Ontem, numa assembléia entre poder público e moradores dos povoados atingidos pela lama da Samarco, num ginásio em Mariana, houve uma votação para saber o destino do recurso arrecadado. Centenas de vítimas participaram do processo.

Três propostas foram discutidas: dividir o dinheiro em partes iguais entre os chefes de famìlia, repartir a cifra levando-se em conta o número de pessoas ou usar o valor, posteriormente, em alguma obra a ser feita no novo Bento Rodrigues - a Samarco se comprometeu a reconstruir o lugarejo em outro local.

A votação ocorreu por meio de cédulas, que foram colocadas numa urna e, logo em seguida, lacrada. A contagem dos votos ocorrerá na quarta-feira, com a presença de um representante do Ministério Público de Mi as Gerais.

Leilão

Em março, a prefeitura fará um leilão de objetos doados às vítimas, como uma camisa do ex - jogador Zinco e um relógio do apresentador Fausto Silva. A imprensa intenção é que o evento arrecade cerca de R$ 500 mil. "Pensamos em fazer um almoço ou jantar e cobrarmos a entrada" , disse Duarte

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