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Estado de Minas

Dependentes químicos em recuperação assistem sessão de cinema especial em BH

Belo Horizonte é a primeira cidade do país a receber um projeto que mistura entretenimento e inclusão social


postado em 15/09/2015 06:00 / atualizado em 15/09/2015 07:52

Internos e nomes do combate ás drogas participaram do projeto(foto: Euler Júnior/EM/DA Press)
Internos e nomes do combate ás drogas participaram do projeto (foto: Euler Júnior/EM/DA Press)
Cenas de um mundo de fantasias transformadas em filme de terror. A vida de Magno Soares Paolinelli Júnior foi dirigida, em grande parte, pelas drogas, e hoje, aos 29 anos, ele está em fase da superação e busca de final feliz. “Cansei de ilusões, agora estou de volta à realidade”, diz o mineiro de Itaúna que, na tarde de ontem, ao lado de 200 dependentes químicos em recuperação de seis comunidades terapêuticas do estado assistiu à fita vencedora de três Oscars Whiplash – Em busca da perfeição, no cinema de um shopping da Savassi, na Região Centro-Sul da capital. Belo Horizonte é a primeira cidade do país a receber um projeto que mistura entretenimento e inclusão social, fruto da parceria entre a Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Terapêuticas, Associação Mundo Novo e a Motion Picture Association (MPA-AL), representante de seis estúdios de Hollywood na América Latina.

“O mais importante de um filme assim, acredito, é dar o exemplo da determinação, da superação”, contou Magno, logo na entrada da sala, carregando o tradicional saco de pipoca e copo de refrigerante – um ato prosaico que o encheu de alegria e orgulho. Interno da Fazenda Vida Renascer, em Conceição do Pará, na Região Centro-Oeste, o ex-estudante de fisioterapia, fluente em quatro idiomas e residente por dois anos na Europa, revelou, sem constrangimento, o contato com substâncias tóxicas na adolescência e nos 15 anos seguintes. “Comecei com a maconha, passei para a cocaína e depois entrei nas drogas sintéticas. Larguei a faculdade faltando um ano para me formar e perdi a namorada com quem estava prestes a casar”, afirma. “Minha mensagem para todo jovem é que vale a pena sair desse universo das drogas, um verdadeiro filme de terror”, comparou.

Eram 14h30, quando os integrantes das seis comunidades terapêuticas – Luz Divina, de Pitangui, Mães e Filhos e Magnífica, ambas de Itaúna, Maria de Nazaré, de Divinópolis, Projeto Vida, de Contagem e Fazenda Vida Renascer, de Conceição do Pará – começaram a entrar na fila. “A iniciativa é muito importante, pois traz a um cinema pessoas consideradas excluídas, que, muitas vezes, poderiam ser barradas ou mesmo presas num local desses. Lidamos diariamente com a vida e a morte e juntamos técnica e experiência para tirá-las desse mundo tenebroso das drogas”, explicou a presidente da Sociedade Vida e Renascer (Sovir), Vera Cançado.

Recebendo a plateia ao lado do diretor-geral da MPA-AL, Ricardo Castanheira, o deputado federal Eros Biondini, presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Comunidades Terapêuticas, destacou a sessão como mais um passo na resssocialização do grupo. “Fazemos a estreia do projeto em BH e iremos para outras capitais e cidades de grande porte”, contou.


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