
"Uma agressão tão estúpida dessas, que tirou a vida do meu filho nesta data em que comemoraria com ele a felicidade que me deu ao vir ao mundo, não pode ficar impune. Sinto a dor de todos os pais que perderam seus meninos pela estupidez das drogas, das armas nas mãos de bandidos e do álcool", desabafou Antônio durante o velório, no Cemitério do Bonfim, onde o corpo será sepultado às 10h.
Daniel foi morto dentro do chamado Bar Rosa, durante a calourada em frente à PUC Minas, na Avenida Trinta e um de Março, no Coração Eucarístico, Noroeste de BH. Por volta de 1h30 ele e um amigo esbarraram no suspeito, o soldador Pedro Henrique Costa Lourenço, de 29, que sacou um revólver e atirou no rosto do jovem, matando-o instantaneamente. Os amigos de Daniel entraram em luta corporal com Pedro Henrique e a polícia conseguiu prendê-lo, mas a arma não foi encontrada. Ele está preso no Ceresp da Gameleira.
O rapaz assassinado durante a festa deixou de viajar com a família da mãe para passar o Dia dos Pais em Belo Horizonte, com o pai. Tio materno de Daniel, o comerciante Sérgio Luiz Perpétuo de Melo, de 54, disse que a família está devastada. “Estávamos em Carandaí (137 quilômetros de BH), no meu sítio. Por volta das 4h30, nos deram a notícia. Voltamos na hora. A mãe dele ainda não acredita. A irmã, de 17, está muito abalada. Ninguém entendeu como alguém pode destruir uma família de uma forma tão estúpida”, desabafou.

EUFÓRICO Na delegacia, Sérgio Luiz, tio do rapaz morto, contou que o soldador não demonstrou arrependimento e seus pais chegaram a zombar da família da vítima. “Minha irmã estava desesperada e os pais daquele monstro ficaram falando que logo ele estaria solto. Se fosse meu filho, iria chegar de joelhos e pedir perdão por ele ter tirado a vida do filho de outra pessoa”, criticou. De acordo com o delegado Sidney Aleluia, o acusado aparentava estar muito eufórico e poderia ter feito uso de alguma substância entorpecente. Pedro Henrique não quis falar sobre o episódio e disse aos policiais militares que não foi ele quem atirou. O advogado Fábio Piló, contratado pela família do acusado para acompanhar a lavratura do flagrante, disse que ainda não havia conversado com o cliente sobre o caso. O delegado disse que indiciaria o homem por homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e com emprego de arma de fogo, além de tentativa de homicídio contra um dos amigos do rapaz e disparo de arma de fogo em via pública. As penas, somadas, em caso de condenação, podem chegar a 54 anos de reclusão e multa.
*Com informações de Mateus Parreiras e Valquíria Lopes
