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Estado de Minas

Atendimentos em BH estão prejudicados devido atraso de verba do Ministério da Saúde, diz CRM

Conselho mostra preocupação com a situação das unidades de saúde na capital mineira. Nesta terça-feira, médicos da Santa Casa BH entraram em greve


postado em 28/07/2015 18:50 / atualizado em 28/07/2015 19:06

Os impactos provocados em Belo Horizonte e outros municípios mineiros por causa da falta de repasse de verba do Ministério da Saúde ligou o alerta do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM/MG). O problema está no aumento de reclamações das unidades de saúde sobre a falta de recursos essenciais para os atendimentos, principalmente ligado aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o presidente do Conselho, Fábio Guerra. O temor, segundo ele, é que os centros fechem as portas e provoquem um efeito 'cascata'. Nesta terça-feira, médicos da Santa Casa da capital mineira paralisaram as atividades por causa do atraso da verba destinadas ao custeio de cirurgias eletivas (agendadas previamente).

Os problemas na saúde em Belo Horizonte vieram à tona em 30 de junho deste ano quando a prefeitura informou o cancelamento de cirurgias eletivas para pacientes que não residem na capital. A justificativa foi a diminuição do repasse de verba do Ministério da Saúde para o Programa de Incentivo às Cirurgias Eletivas. Para se ter uma ideia, somente nos últimos três anos, mais de 50 mil procedimentos agendados foram realizados em pacientes que moram em outras cidades mineiras, o que representa 40% do total das cirurgias feitas pelo programa. Neste ano, de janeiro a abril, 8.304 procedimentos - de um total de 20.095 - foram em residentes das demais cidades do estado.

Além das cirurgias, o atraso no repasse também afeta os atendimentos do SUS nas unidades de saúde de Belo Horizonte. Diariamente o CRM diz receber denúncias de falta de insumos. “Estamos vendo uma crise geral na saúde, principalmente no SUS por causa do contingenciamento de verbas do Ministério da Saúde que não vem para o Estado. Temos percebido um aumento no número de comunicações de unidades em relação aos atrasos e diminuição de recursos, o que tem levado a problemas de infraestrutura. Isso causa um comprometimento importante nas unidades”, afirmou Fábio Guerra.

Nos últimos meses, segundo o CRM, unidades chegaram a fechar as portas por causa do problema. “Isso sobrecarrega outras unidades de Belo Horizonte, que acabam tendo mais dificuldades para atender a demanda. Isso é uma cascata. Não vindo dinheiro do Governo Federal, os municípios não dão conta de manter”, comenta o presidente do CRM.

De acordo com Guerra, o CRM está discutindo os problemas da crise junto com outras unidades médicas.

Greve de médicos da Santa Casa

Como reflexo da crise, médicos da Santa Casa BH paralisaram as atividades nesta sexta-feira. A categoria reclama do atraso do repasse relacionado ao custeio das cirurgias eletivas. Segundo a assessoria de imprensa da unidade, o atendimento a pacientes já internados ocorre normalmente. Serviços de hemodiálise e oncologia, bem como os de urgência realizados na Clínica de Olhos e na Maternidade Hilda Brandão, também estão funcionando sem alterações mas, enquanto durar o movimento, novas internações e cirurgias eletivas (agendadas previamente) não serão realizadas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que está em dia com as transferências para a Santa Casa, conforme cronograma de pagamentos pactuados com a direção da instituição. Entretanto, admite que não fez o repasse dos valores referentes às cirurgias eletivas realizadas após março, pois “ainda não recebeu do Ministério da Saúde tais recursos”.

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