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Estado de Minas

De origem europeia, festas juninas têm início em BH

Dança trazida pelos colonizadores portugueses virou tradição no Brasil. Em Minas, 'caipiras' saúdam junho com quadrilhas e homenagens aos santos do mês


postado em 13/06/2015 06:00 / atualizado em 13/06/2015 09:10

Colégio Sagrado Coração de Jesus já realizava as suas tradicionais festas em 1959(foto: Arquivo Estado de Minas)
Colégio Sagrado Coração de Jesus já realizava as suas tradicionais festas em 1959 (foto: Arquivo Estado de Minas)

É tempo de festa na roça no Brasil. Neste mês de junho, encontro secular de culturas faz subir a poeira em muitas praças, quadras, ruas e quintais de Minas Gerais. De origem europeia, trazida pelos colonizadores portugueses, a Festa Junina só perde em popularidade para a cultura do carnaval. Com sotaque francês – anarriê, changê e otrefoá –, a dança vinda da corte é um dos pontos altos das comemorações, que festejam ainda três santos dos mais populares da Igreja Católica: Santo Antônio (dia 13, hoje), São João (dia 24) e São Pedro (dia 29).


As bandeirinhas coloridas, inclusive, tradicional decoração da festividade, ocupam hoje o lugar das flâmulas com as imagens dos três santos católicos, homenageados na quadrilha. A dança surgiu em agradecimento pela colheita. Tamanha influência de São João, em Portugal, a festa era chamada de “Festa Joanina”. As roupas típicas, em remendos, são uma referência aos habitantes de outrora da zona rural. Já a fogueira, outro símbolo importante, é uma tradição de origem pagã, que marcava o solstício de verão no Hemisfério Norte.

Na capital mineira não podia ser diferente. As festas, que começam no final de maio e vão até julho, reúnem diversas tradições agregadas e transformadas desde as caravelas de Pedro Álvares Cabral. Na Belo Horizonte de 117 anos, a encenação nas comemorações retrata a boa gente e o passado do interior de Minas. É o que destaca Yuri Mesquita. Para o diretor do Arquivo Público Municipal, é tempo também para os grupos de dança de diversos pontos da cidade mostrarem sua arte. “Cada um com sua particularidade, com o seu charme, trazendo suas coreografias para a festa”, ressalta.

Em 1950, festa do Orfanato Santo Antônio já reunia multidão na capital mineira(foto: Arquivo Estado de Minas)
Em 1950, festa do Orfanato Santo Antônio já reunia multidão na capital mineira (foto: Arquivo Estado de Minas)

COMÍDAS TÍPICAS Yuri chama a atenção para a importância da história, do encontro e da tradição de várias épocas e lugares. Mineiro de Belo Horizonte, o gestor destaca ainda a gastronomia como atração da festa popular. “Tem as comidas típicas que combinam com o clima e encantam. A cachaça, a rapadura e o milho... tem também a importância do encontro para as comunidades. Sem falar que a memória da gente fica marcada com o cheiro e com o paladar”, considera.

Adriana Pinheiro, moradora do Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul, faz parte do grupo de pessoas que não deixa junho passar sem festa. Ao menos no dia 24, Dia de São João, a empresária e produtora enfeita a casa e o quintal para receber os amigos. “Desde os anos 1990 é assim: tem o Arraial da Adriana”, diverte-se. Ela conta parte do encanto que a comove: “É o fogo. É a comunhão em torno da fogueira. É uma forma de agradecer. É uma tradição que herdei da minha avó Branca”.

 

Glossário

Vários dos termos usados na quadrilha vêm do francês. Para não perder o passo da dança:


» Alavantú (en avant tous): todos os casais vão para a frente
» Anarriê (en arrière): casais vão para trás
» Changê (changer/changez): trocar/troquem o par
» Cumprimento ‘vis-à-vis’: cumprimento frente a frente
» Otrefoá (autre fois): repete o passo anterior

Casamento na roça

Para não ficar fora do ponto alto da comemoração:


» Caminho da festa: os pares seguem atrás dos noivos, iniciando a dança
» O túnel: os noivos elevam os braços para cima e, de mãos dadas, fazem o túnel onde todos passam
» Olha a chuva: os casais dão meia-volta para que ninguém acabe molhado
» Olha a cobra: as damas gritam e pulam no colo dos cavalheiros
» Caracol: de mãos dadas, todos fazem um percurso em espiral
» A grande roda: todos dão as mãos formando um círculo
» Coroa de rosas: os cavalheiros, de mãos dadas, erguem os braços sobre a cabeça das damas, como se as coroassem
» Baile geral: os pares dançam no centro da roda.O grande baile está acabando
» Despedida: todos se retiram do centro do salão, atrás dos noivos

De resto, é a festa com muita prosa e quentão


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