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Estado de Minas

Rio Taquaraçu será o novo manancial de abastecimento da região metropolitana

Copasa define que fará barragem no Rio Taquaraçu para reforçar o abastecimento da grande BH. Porém, obra pode demorar anos e desafio é viabilizá-la com a urgência que a crise exige


postado em 07/04/2015 06:00 / atualizado em 07/04/2015 07:13

Curso foi escolhido graças à situação geográfica, mas é preciso retirar esgoto que é jogado no leito(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press 24/1/15)
Curso foi escolhido graças à situação geográfica, mas é preciso retirar esgoto que é jogado no leito (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press 24/1/15)

O Rio Taquaraçu, no limite entre Santa Luzia e Taquaraçu de Minas, na Grande BH, será o novo manancial de abastecimento da região metropolitana. A Copasa confirmou, nessa segunda-feira, que os projetistas que estudam a implantação de mais um barramento para reforçar o fornecimento de água da região preferiram essa opção ao Rio Jaboticatubas, em um empreendimento que ainda deve levar três anos para ser totalmente implantado. A construção não será simples e deverá superar problemas como o tratamento do esgoto que é lançado no curso escolhido, afluente do Rio das Velhas, estudos de impacto ambiental e remoção de moradores de áreas a serem inundadas. A companhia de saneamento informou que os estudos estão sobre as mesas dos setores de planejamento e do pessoal operacional, e que por isso ainda não serão divulgados o volume de água a ser barrado, o local exato da represa, o custo do projeto e sua previsão de funcionamento.

A intenção de construir outro reservatório foi divulgada pela força-tarefa do governo estadual criada para enfrentar a crise hídrica, em 23 de janeiro, um dia depois de a Copasa anunciar que os reservatórios que abastecem a Grande BH estavam em nível crítico. Na época, o Sistema Paraopeba, que abastece mais de 30% da região, operava com 29% de seu volume, muito abaixo do índice de um ano antes, que era de 76,8%. De acordo com o secretário de estado de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares, projetos antigos  para implantar um novo sistema estavam sendo estudados e deveria ser feita opção entre o Rio Taquaraçu e o Rio Jaboticatubas. No fim daquele mês, a equipe do Estado de Minas teve acesso aos estudos preliminares e mostrou que a barragem planejada seria erguida em uma área a 25,5 quilômetros de BH, próximo à ponte que separa Santa Luzia de Taquaraçu de Minas.

Pelo estudo preliminar, o volume da captação seria algo em torno de 5 mil litros por segundo, mas esse montante pode ser ampliado, devido à urgência que a crise hídrica representa. Um das vantagens que pesou a favor do Taquaraçu foi o fato de o rio ser mais caudaloso e correr por um relevo mais profundo, o que reduz a necessidade de criar um lago muito amplo, que represente grandes áreas a serem desapropriadas. Na época, moradores da região de plantações e pastoreio de gado conhecida como Taquaraçu de Baixo informaram que houve contato dos técnicos da Copasa, mas a maioria não acreditava que o projeto fosse adiante.

Há desafios para que a obra saia realmente da prancheta. De acordo com a análise do biólogo e consultor em recursos hídricos Rafael Resck, os esgotos detectados pelas últimas análises feitas pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) precisam ser retirados do manancial. “Se o problema do esgoto não for resolvido, o custo de tratamento da água será maior”, explica Resck. O grande desafio é implantar a obra em médio prazo, devido a uma série de exigências ambientais e socioeconômicas, entre elas levantamentos das espécies presentes no ecossistema e dos impactos sobre animais migratórios, como peixes que subam o Taquaraçu para desovar. “Isso tudo precisa ser quantificado. Se há impactos, é preciso também levantar soluções para atenuar, ou até para compensar os danos. Há espécimes de árvores que, se forem perdidas na inundação, demandarão o plantio de outras 50, por exemplo”, calcula.

Outro problema é que o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (Rima) são demorados e imprescindíveis. “Para se ter uma ideia, os levantamentos precisam ser feitos na época da estiagem e depois, na estação chuvosa. Ou seja, se nenhum prazo for perdido e tudo correr dentro de um cronograma apertado, a entrega do estudo não sai com menos de um ano”, estima Resck. Mas, segundo ele, a represa terá a mesma fragilidade que levou os reservatórios da Grande BH a serem exauridos muito rapidamente: a pequena extensão de bacia, que corre ao longo de 31,21 quilômetros. “É um rio pequeno, com uma bacia muito pequena. Isso o deixa à mercê de chuvas volumosas e concentradas, para que mantenha uma vazão desejável. Bacias maiores recebem água de chuvas distantes e por isso tornam os rios menos dependentes”, afirma.

PENDENTE O Igam informou que ainda não foi possível concluir os estudos de níveis dos principais mananciais mineiros, para determinar, como manda a Instrução Normativa 49/2015, que vigora desde 26 do mês passado, quais estão em estado de atenção, em alerta e quais entraram em restrição de volume de consumo. O secretário de estado de Meio Ambiente, Sávio Souza Cruz, declarou, na comemoração da Semana da Água, que os índices de sete dias levados em conta para determinar essas situações seriam apresentados na última quinta-feira.

De acordo com o Igam, as análises das estações sob a responsabilidade do instituto e das demais instituições públicas que farão o monitoramento, como a Copasa, ainda não terminaram e devem ser entregues nos próximos dias.

 

 

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