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Estado de Minas

Laudo preliminar aponta problemas de coração em mineiro que morreu em festa universitária

Os estudante que cursava engenharia elétrica entrou em competição de quem bebia mais vodca e sofreu infarto. Outros três jovens foram hospitalizados. Delegado destaca falta de suporte de saúde adequado na festa


postado em 02/03/2015 12:01 / atualizado em 03/03/2015 07:25

Estudante participava de festa em que havia disputa para decidir quem conseguia ingerir mais bebida alcoólica(foto: Reprodução/Facebook)
Estudante participava de festa em que havia disputa para decidir quem conseguia ingerir mais bebida alcoólica (foto: Reprodução/Facebook)
Exames preliminares realizados no corpo do estudante mineiro Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, que morreu após consumir bebida alcoólica em excesso durante uma festa universitária, indica que ele já teria um problema no coração. A informação foi confirmada pelo delegado Kleber Granja na manhã desta segunda-feira. Mesmo assim, o chefe do inquérito ressalta que apenas o laudo completo poderá confirmar a situação.

Conforme o delegado, a informação preliminar foi repassado pelo legista. O profissional informou que a causa da morte teria sido um infarto agudo do miocárdio e que havia uma cardiopatia pretérita, ou seja, a vítima já teria um problema no coração. No entanto, somente os exames vão confirmar a existência de uma doença anterior. O delegado também vai procurar a família de Humberto para apurar a informação. “O fato é que efetivamente a intoxicação alcoólica aconteceu em graus elevados, sem a devida hidratação e, sem o suporte vital, que não foi prestado, o quadro acabou agravando”, afirma Granja, que também ressalta o fato de que outras três pessoas, com o mesmo perfil, também foram hospitalizadas por causa do consumo exagerado de álcool na festa.

A Justiça de São Paulo concedeu liberdade provisória aos dois organizadores da festa de repúblicas de Bauru. Os jovens, que não tiveram os nomes divulgados, foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual e lesão corporal de natureza grave dos outros três estudantes que foram hospitalizados. Conforme o delegado, o crime é classificado como omissivo impróprio, uma vez que a festa previa entre suas “tarefas” uma gincana de consumo de bebida alcoólica e, considerando que alguém pudesse ter a saúde agravada nesta situação, era obrigação dos organizadores oferecer uma estrutura de saúde adequada, como a presença de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel.

A festa contava apenas com uma ambulância, descaracterizada, apenas com um chá de boldo para oferecer a quem passasse mal. “A previsão era de que tivesse mais de 2 mil pessoas na festa, o valor médio do ingresso era R$ 45. Um suporte vital tinha que estar no local, e com um profissional apto para fazer a intervenção. Tenho certeza absoluta que a ausência do suporte contribuiu diretamente para o óbito do Humberto”, explica Kleber Granja. Segundo ele, havia uma enfermeira no local, mas ela não teve condições adequadas de atender o jovem além dos primeiro socorros.

A Polícia Civil já ouviu os organizadores, testemunhas, funcionários da festa e socorristas. Foram recolhidas garrafas de vodca e copos plásticos de 50 ml onde a bebida era servida aos participantes da competição. Com base nas evidências, foi feita uma reconstituição preliminar com uma testemunha presencial.

Excesso de álcool

Natural de Passos, no Sul de Minas Gerais, Humberto cursava o do 4º ano do curso de engenharia elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O corpo do rapaz foi sepultado na noite passada.

No domingo, em entrevista ao Estado de Minas, o delegado que estava de plantão no momento, Mário Ramos, informou que ele participou de uma prova etílica. “Um copo de 50 mililitros de vodca, similar aos que são usados para tomar café, era colocado na frente dos participantes e eles tinham que beber de uma vez. Depois de um minuto, o copo era reabastecido. Ganhava a prova quem ficasse por último. As informações que obtivemos dão conta de que Humberto ingeriu de 25 a 30 copos”, afirmou.

Conforme o delegado, o caso foi encaminhado ao juiz da cidade, que confirmou a materialidade do flagrante e aplicou a legislação de liberdade provisória aos envolvidos, que não têm antecedentes criminais e possuem residência fixa. Os jovens são amigos das vítimas e têm entre 20 e 25 anos. O delegado ainda deve ouvir mais testemunhas.

ALERTA O delegado criticou a ausência de uma legislação específica e maior fiscalização desse tipo de evento. “(A festa) Não tinha qualquer suporte vital, não tinha ambulância com aparato de UTI, o corpo de segurança é bem frágil. Não tinha alvará dos Bombeiros, da Polícia Militar, da Polícia Civil”, explica Kleber Granja. Ele ainda alerta para a seriedade com a qual esses casos precisam ser tratados. “Abre-se um precedente perigoso, são pessoas que estão se formando para ser multiplicadores de opinião. Isso não pode ser considerado como brincadeira, como coisa sem importância. É muito grave e tem que ser enfatizado”, pontua.

Com informações de Guilherme Paranaíba


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