Guilherme Paranaiba

Um dos exemplos mais emblemáticos pode ser encontrado no coração de Belo Horizonte, a poucos metros da rodoviária da capital. Há mais de seis meses, a BHTrans modificou o trânsito na região e implantou delimitadores físicos de plástico para separar o trânsito que vem da Rua dos Guaranis do fluxo que chega ao Centro pelo Viaduto B. Até hoje, os delimitadores estão no mesmo local, já desgastados pelo tempo e também pelo vandalismo. Muitos chegam até a ser removidos pelos pedestres. Nesse ponto, o que mais chama a atenção são duas peças de concreto e ferragens muito pesadas colocadas bem ao lado do viaduto. Elas fazem a proteção a uma fila de taxistas que se estende pela Rua do Acre, paralela ao elevado, antes de entrar na rodoviária.

A três quarteirões dali, a Avenida Paraná chama a atenção pela revitalização. Porém, o corredor que foi preparado para abrigar os ônibus do Move recebe também fileiras de caixas de plástico na cor laranja entre suas pistas no cruzamento com a Rua dos Tamoios. O objetivo é demarcar a área de pedestres. “Serve para evitar acidente e dar mais segurança, mas cabia uma solução melhor”, diz o aposentado Carmito dos Santos, de 66.

A presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil em Minas Gerais (IAB/MG), Rose Guedes, afirma que, se a medida é extremamente necessária em caráter provisório, ela deve ser adotada. “Porém, se vira uma coisa institucionalizada que agride a paisagem, não pode permanecer. As intervenções têm que trazer uma informação que seja agradável, para que não piore o que já estava com problemas”, diz a arquiteta.

A situação encontrada no Centro se repete em outros três pontos de rotas em direção ao Vetor Norte da Grande BH. Nas imediações da Estação São Gabriel do Move, no bairro de mesmo nome, Nordeste de BH, a divisão entre a faixa exclusiva e a pista comum é feita com delimitadores de plástico. Mas os objetos estão destruídos. No cruzamento das avenidas Antônio Carlos e Santa Rosa, Bairro São Luiz, Pampulha, a BHTrans informa que desde 2012 é proibido atravessar a Antônio Carlos pela Santa Rosa no sentido Aeroporto da Pampulha/lagoa. Para garantir essa proibição, três barreiras de concreto e ferro estão posicionadas desde então.
Uma das razões para a confusão encontrada na Avenida Cristiano Machado, em frente ao Shopping Estação, é o excesso de gambiarras. As barreiras de concreto estão espalhadas aos montes na região do canteiro central. Elas servem para fechar os acessos abertos no passado, mas que hoje não são mais permitidos, como a entrada à esquerda da Cristiano Machado para a Rua Malibu, bem em frente ao shopping.

Em nota, a BHTrans afirma que os objetos móveis são usados na capital em situações específicas, como sinalização temporária de obra e eventos, reforço na sinalização definitiva (caso de novos semáforos), inversão de paradas obrigatórias, restrição de estacionamento e alterações de circulação. Esses objetos permanecem na via até que os motoristas se adaptem às mudanças.
